Discussões virtuais

Há duas formas de discussões para quem se dispõe a debater assuntos políticos ou religiosos.

Fazendo analogia com um combate real, as partes podem entrar em uma guerra de canhões ou em uma luta de espadas.

No primeiro tipo de batalha, cada um fica do seu lado, atirando suas bolas de convicção, tentando destruir o adversário pela força. Em uma discussão assim, cada um lança seus argumentos, desde suas posições seguras, como eles já existem previamente, preocupando-se apenas que atinjam o inimigo com maior impacto. Não há, portanto, precisão, nem exposição. Apenas barulho e impacto. É uma luta covarde e sem honra.

A outra forma de enfrentar um debate é como em uma luta de espadas. Neste caso, cada lado, não apenas precisa treinar bem seus gestos, desenvolvendo os movimentos e a precisão, como precisa analisar o adversário, conhecendo suas técnicas, suas fraquezas e observando sua forma de lutar, para, aí sim, conseguir atingi-lo no ponto certo, causando sua derrota final. Neste tipo, cada parte se expõe para o adversário, se arrisca, entra em um jogo de vida ou morte que para vencer não basta a força, mas a inteligência e a precisão. É o tipo de batalha para nobres corajosos.

Infelizmente, são poucos debatedores que se dispõem à honra do duelo de espadas. O que eu mais vejo são tiros de canhão, barulhentos e a esmo, em um som repetitivo e enfadonho, que causam tédio em meio à guerra.

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A certeza dos relativistas

Há uma confusão que reside na mente de alguns iluminados que se consideram exemplos de fé inabalável: entender o vacilo do outro como relativismo. Insensibilizados pela própria arrogância e confundidos pela própria ignorância, acusam quem mostra algum tipo de hesitação, tipicamente humana, de serem propagadores de relativismo.

No entanto, relativismo não se confunde com dúvidas ou vacilos de fé. Enquanto estes se manifestam por situações relativas à experiência, como algum tipo de frustração ou pessimismo, o relativismo caracteriza-se por uma certeza intelectual: a de que tudo é relativo.

O relativismo é, de fato, uma convicção. Quem o defende, acredita, com absoluta certeza, que nada é absolutamente certo. E por mais que isso seja autocontraditório, é a realidade do pensamento do relativista.

Porém, entender que a certeza relativista é equivocada não significa que a única alternativa viável seja a certeza plena sobre todas as coisas. A convicção de quem está certo sobre tudo é tão frágil como a do próprio relativista.

A verdade é que a experiência humana é sujeita a diversas nuances, a graus de certezas variáveis e à realidade inescapável das alterações em relação às convicções que temos em relação aos objetos de nosso conhecimento. E mesmo a fé religiosa não é absoluta. Pelo contrário, ela sofre graus de variações, que é exatamente o que permite que se trabalhe para fortalecê-la. Se a fé fosse tudo ou nada, se simplesmente a tivéssemos ou não, não faria nenhum sentido pedir a Deus que a confirmasse ou a firmasse e não teria nenhum sentido o próprio Cristo dizer acusar seus discípulos de homens de pouca fé. O que pode ser pouco, pode ser muito, pode ser mais ou menos.

Acusar, portanto, alguém que possui incertezas e que talvez não consiga vivenciar plenamente sua fé, a ponto de não possuir dúvida alguma nessa área, de relativista, é um erro conceitual e também uma tremenda insensibilidade.

Pessoas que demonstram suas incertezas não são relativistas. Aliás, nem poderiam ser, afinal, sob um determinado ponto de vista, os relativistas não têm dúvidas.

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Os papéis sociais e a fragmentação da personalidade

O exercício dos papéis sociais exige alguma fragmentação. Muitas vezes, precisamos assumir funções e atividades que não são totalmente compatíveis com nossas personalidades e interesses. Isso, obviamente, causa tensões e pode gerar algum tipo de frustração.

No entanto, dizer que se deve negar essa fragmentação é algo muito simplista. Ela, geralmente, é uma imposição da realidade social e fingir que ela não existe pode ser mais prejudicial do que seria aceitá-la.

Assumi-la plenamente, porém, também não é uma atitude saudável. Quem faz isso, não se torna muito diferente de um esquizofrênico, que cria diversas máscaras a fim de apresentar-se para os outros conforme as necessidades e as circunstâncias.

O certo é que a melhor maneira de lidar com essa fragmentação inexorável é vivenciá-la com inteligência e consciência, jamais deixando-se absorver por ela, mas, pelo contrário, tendo o pleno controle a partir sua própria personalidade unificada.

O importante é não permitir que esses papéis sociais assumam o lugar da personalidade real e se confundam com ela. O fato é que se alguém pretende manter a sanidade deve viver seus papéis sociais não como se fossem outras expressões de si, nem como outras personalidade, mas como roupas que se vestem, que não negam quem somos e apenas servem como instrumentos para que se possa transitar no meio social com mais desenvoltura.

A personalidade é única, as formas que ela pode usar para se manifestar, múltiplas. O erro ocorre quando confunde-se as duas coisas e as formas assumem ares de personalidade.

A personalidade sempre pode usar de formas específicas para manifestar-se. O que a personalidade não deve esquecer é de quem ela é e não deve jamais permitir que qualquer papel social se torne, de alguma maneira, um substituto para ela.

Publicado originalmente no Vida Independente

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O problema da concentração nos estudos

Muito do problema da inteligência se encontra na concentração. Às vezes, mais do que ter a capacidade de guardar os dados, é preciso ter a capacidade de absorvê-los adequadamente, e isso significa não permitir que elementos externos criem ruídos durante esse processo.

Isso porém não significa que o silêncio absoluto seja suficiente para garantir a melhor absorção intelectual seja do que for. Isso porque muitos dos ruídos não vêm exatamente de fatores ambientais, mas surgem do próprio cérebro de quem está tentando estudar.

Aprender como manter a mente exclusivamente direcionada para um único objeto é o grande desafio de qualquer intelectual. E, apesar de haver diversas técnicas que são apresentadas ao público periodicamente, ensinando como desenvolver a capacidade de concentração, não há nada que mantenha alguém mais absorto em um assunto qualquer do que o interesse, ou seja, do que o amor pelo tema.

Originalmente publicado em NEC – Núcleo de Ensino e Cultura

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O que dizem e o que é

Veja a contradição: aqueles que não têm ideais, nem professam ideologia, são tidos por mais egoístas, individualistas e indiferentes. No entanto, estes mesmos, pelo fato de respeitarem o interesse individual e entenderem que, por isso, não podem impor suas ideias sobre ninguém, acabam respeitando o senso comum, as leis e aprendendo que devem abrir mão de certas convicções em favor da paz social e do bem comum.

Por outro lado, aqueles que dizem ter ideais, e que defendem ardentemente alguma ideologia, são tidos por altruístas, como se fossem mais preocupados com os marginalizados e os desvalidos. No entanto, são exatamente estes que, para impor suas ideias de um mundo melhor, acabam por ignorar o senso comum, rebelando-se contras tradições e as leis, negando-se a abrir mão de quaisquer de suas convicções, determinando que o bem é aquilo que propõem e a paz é aquilo que oferecem.

Vê-se, portanto, que o que se diz sobre um tipo pode ser o exato oposto do que praticam de fato. Assim, melhor é começar a prestar menos atenção nos discursos e observar o que essas pessoas fazem de verdade.

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Influência feminina

É impressionante a constante histórica da existência, por detrás de grandes gênios, empreendedores e santos, de mulheres que serviram, não apenas de estímulo, mas de inspiração, quando não como verdadeiras conselheiras. Santa Mônica, Mrs. Adams, Ana Pimentel, Princesa Isabel, Mrs Ford, Mrs Edison, Ms Churchill, Mrs Schaeffer são alguns poucos exemplos entre muitos.

Inclusive, sugiro que alguém faça um levantamento das mulheres que influenciaram diretamente as grandes conversões ao cristianismo. Seria de arrepiar!

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