A necessidade do propósito A consideração de um propósito para a vida com algo essencial do ser humano

A inexistência de propósito não representa apenas a ausência de algo que poderia existir por acréscimo na vida da pessoa. Na verdade, é a falta da própria essência que jamais deveria tê-la deixado.

No entanto, ao se deparar com a proposta da inserção do propósito na vida, como apresentada por Viktor Frankl, por exemplo, há quem tenha a impressão de que tudo não passa de um método terapêutico utilizado para ajudar as pessoas a saírem de seus estados mentais enfermos. A busca por um propósito na vida seria assim algo a ser inserido no cotidiano de quem apresenta alguma carência. O propósito seria uma alternativa, uma mera possibilidade para quem está insatisfeito com a existência. Continuar lendo

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Desconfiança mútua A dificuldade dos brasileiros de empreenderem projetos coletivos

Desenvolvemos, aqui no Brasil, uma desconfiança mútua que, muitas vezes, nos impede de usufruir o melhor de nós mesmos. Não sei se com razão, suspeitamos dos outros, pressupondo que suas intenções são malévolas e que alguma vantagem desejam obter sobre nós. Essa realidade talvez seja fruto de uma cultura que há muito tempo privilegia a malandragem e que apresenta como uma das virtudes brasileiras o jeitinho tão aclamado, fazendo com que esta percepção de que a fraude e o engano têm vasta aplicação por estas terras nos faça sempre prontos a esperar que alguém esteja tentando nos passar para trás. Continuar lendo

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Sinceridade de um cão

“Sinceridade é algo muito bom. Porém, sinceridade, sem a devida reflexão, é apenas impulso. E do impulso se pode dizer que é espontâneo, não sincero. Sinceridade pressupõe a vontade consciente de ser verdadeiro. Portanto, quando alguém diz que é sincero, apenas porque costuma falar tudo “na cara” de todo mundo, sem pensar, sem ponderar, não está sendo muito diferente de meu cachorro, que late para estranhos, sempre com muita sinceridade”.

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Juiz de alma Quando o poder estatal representa uma verdadeira ameaça à liberdade de opinião

Quando uma juíza se põe a diagnosticar psicologicamente a parte de um processo, condenando-o, por suas opiniões, apenas com fundamentos subjetivos, chegamos ao ápice da judicialização da sociedade, quando a livre expressão e até o livre pensamento começam a ser tolhidos.

Foi o que aconteceu no caso do apresentador Zeca Camargo, condenado a pagar sessenta mil reais à família e empresários do falecido cantor Cristiano Araújo, simplesmente porque, segundo a percepção pessoal da magistrada, teria emitido opiniões extemporâneas e insensíveis. Continuar lendo

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Culpa e preconceito Como o politicamente correto gera culpa em pessoas que não têm nada de preconceituosas

O politicamente correto é uma força coercitiva que sufoca, não apenas aqueles que arriscam-se em palavras mais audaciosas, mas a todos que temem ser enquadrados como intolerantes na sociedade. Mesmo alguém que não tenha o costume de expor opiniões heterodoxas sofre com a necessidade de parecer correto e de não cair em algum tipo de manifestação que possa ser tida por preconceituosa. Continuar lendo

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O sofrimento do eleitor brasileiro Como a elite política e intelectual se incomoda com as manifestações e preferências do povo

Basta o eleitor brasileiro se identificar com um político, com todas suas virtudes e falhas, para começar a ser tratado como estúpido, como gado, como fanático. Basta o coitado do eleitor brasileiro encontrar alguém na política que fala e pensa mais ou menos como ele pra ser visto como idiota. Basta o eleitor brasileiro alimentar alguma esperança que seu representante será alguém que possui as mesmas incoerências que ele, mas também a mesma sinceridade em tentar fazer algo de bom, e logo é tido como ingênuo. Continuar lendo

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Abrigo no ruído A fuga de si mesmo nos barulhos do mundo exterior

Foi nos momentos mais difíceis da minha vida que entendi a razão das pessoas buscarem o ruído. Quando dormir era difícil e sobressaltado levantava de madrugada, percebi o quanto o silêncio pode ser aterrador. Percebi ainda que o barulho do cotidiano pode servir como a fuga perfeita para quem não está conseguindo lidar bem com a realidade que amedronta. Nele, as vozes dos fantasmas de cada um se perdem em meio ao vozerio confuso que cerca todo mundo. Assim, ali, onde há barulho, é o lugar perfeito para sentir-se seguro e, ao mesmo tempo, despreocupado. Continuar lendo

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O erro piedoso dos teólogos do absoluto Uma crítica à concepção teológica que entende que quanto mais um atributo divino for pensado absolutamente mais verdadeiro ele é

Há um tipo de erro de pensamento teológico que se dá por excesso de piedade. Ele ocorre quando, ao se conceber os atributos divinos, tender ao entendimento de que, quanto mais absoluta for essa concepção, mas correta ela será. E é assim que muitos teólogos pensam a soberania de Deus. Raciocinam que imaginar maior autonomia do ser divino significa ser mais piedoso e, pelo contrário, quanto mais se pensa em qualquer tipo de limitação da parte de Deus, mais esse pensamento é blasfemo. Continuar lendo

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Ateísmo, cristianismo e o galo de Sócrates O erro do historiador Marco Antonio Villa em relação à contribuição cristã na preservação da cultura grega

Marco Antonio Villa exalta o pensamento grego. Nisto, ele está acompanhado dos maiores eruditos cristãos de todos os tempos. De Justino a Tomás, de Erasmo a qualquer teólogo moderno, todos eles contribuíram para que Sócrates, Platão e Aristóteles fossem admirados, estudados e reconhecidos por seus contemporâneos e por toda a posteridade. Por que, então, o historiador, em vez de tratar o cristianismo como uma mera superstição, não o agradece, pelo menos, por ser o responsável pela cultura helênica ter chegado até nossos tempos?

Não me parece que a raiva destilada por ele, em relação à cultura judaico-cristã, no programa Pânico tenha sido causado por ignorância histórica. O que observei ali foi um enviesamento causado por seu próprio ateísmo, ou melhor, por seu ressentimento em relação à religião e aos religiosos.

Nesse quesito, pelo menos, conheci ateus mais honestos que reconheciam a contribuição cristã para a preservação e desenvolvimento daquilo que fora iniciado lá na Grécia.

Avisem o Villa que, se não fossem os padres, estaria ele ainda sacrificando galos a Esculápio.

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