Ideologia de ocasião

Há quem ainda se surpreenda com a repentina mudança de discurso de Fernando Haddad, que anda incluindo, em suas promessas, bandeiras que historicamente nunca foram próprias de seu partido. Há quem ache estranho essa repentina mudança de tom, que se apresenta em dissonância com o próprio plano de governo do PT e com as próprias palavras do candidato até alguns dias atrás.‬

‪Mas, realmente, não há com o que se surpreender. Na verdade, as pessoas precisam aprender, de uma vez por todas, que comunismo não é uma ideologia, no sentido de ser uma doutrina rígida, à qual seu adeptos se apegam de maneira inflexível, ainda que isso lhes acarrete algum prejuízo. Não! Comunismo não é isso. Comunismo é, de fato, e tão somente, um projeto de poder. ‬

‪E qual é o papel, então, da ideologia nesse projeto de poder? A ideologia existe única e exclusivamente para permitir que os comunistas acessem, permaneçam e fortaleçam-se no poder. Toda a ideologia comunista existe para perpetuar um grupo no controle da sociedade.‬

Por isso, nada impede o comunista de mudar seu discurso se isso for lhe ajudar a obter o poder. Foi assim, em 1921, quando Lenin percebeu que a aplicação da ideologia estava levando a economia russa à ruína. O líder bolchevique, naquela ocasião, não teve problema algum em suspender o marxismo no país para permitir que o capitalismo voltasse a ser praticado livremente. Assim, ele evitou que os comunistas perdessem o poder – pois isso era o mais importante – ainda que às custas de qualquer ortodoxia teórica.‬

‪Saiba, portanto, que o PT, sendo um partido declaradamente comunista, é capaz de vender a própria alma para estar no poder. Não me surpreenderia que seus membros e seu candidato passassem a defender ideias contrárias àquelas que eles mesmos sempre defenderam, como o armamento da população, a redução de impostos, o endurecimento da repressão contra o crime, apenas para angariar os votos que lhes permita voltar ao poder.‬

‪Por isso, não ouçam promessas de petistas – elas não valem absolutamente nada.

Putas do poder

Jornalista que corre para corroborar a versão governamental deixa de cumprir o principal de sua atividade para tornar-se mera putinha do poder.

Não deve-se esquecer que o princípio da democracia é a desconfiança quase absoluta em relação ao governo. Porém, no Brasil, desconfiar do governo torna o cidadão suspeito.

Eu aprendi que o verdadeiro jornalismo é a busca da verdade, instrumentalizada pelas informações que geralmente escondem-se por detrás dos dados mais visíveis. O bom jornalista sempre foi caracterizado por descortinar a aparência, tornando possível o vislumbre do que realmente são os fatos.

No entanto, o jornalismo brasileiro tornou-se escravo de um espectro político, escravo de partidos, escravo de uma ideologia. Jornalistas tornaram-se putas da esquerda.

A pressa com que, nestas eleições, os jornalistas e os veículos da grande imprensa correram para corroborar a versão do governo de que tudo estava correndo na mais perfeita ordem – apesar das milhares de denúncias feitas pelos cidadãos – mostram que o jornalismo brasileiro deixou de ser jornalismo há muito tempo.

O que a grande imprensa fez é o anti-jornalismo. Ao não considerar a possibilidade de estar ocorrendo algum problema com os votos, ignorando as reclamações de antemão, ela mostrou a todo o país que seu papel é estar a serviço do establishment. Podem se apresentar como jornalistas, mas são meros panfleteiros do poder estabelecido.

Por isso, a luta do povo não é apenas contra o governo. Mas contra toda a máquina do status quo que envolve também a quase totalidade da grande mídia brasileira.

Comunicação conservadora e o povo

O conservadorismo está aprendendo a falar com o povo e isso está fazendo uma diferença sensível na política atual.

O conservador, que é historicamente mais preocupado com as razões do seu próprio discurso, está começando a entender que o homem comum – aquele que realmente representa a opinião pública e define qualquer eleição – é sintético. A maneira dele pensar é resumida. Ele não se detém aos detalhes do processo de compreensão do que quer que seja. O homem comum simplesmente, sabe. Não sabe bem porque sabe, mas sabe.

E apesar do que isso pode parecer, essa forma de pensar do homem comum não significa necessariamente que suas opiniões sejam equivocadas. Pelo contrário, mesmo sem saber as razões de seu conhecimento, muitas vezes o que o homem comum pensa reflete a verdade.

Quando, portanto, há a batalha de discursos, típica dos embates políticos, o homem comum tende a assumir com mais naturalidade as narrativas mais verdadeiras. Se, porém, durante tanto tempo, ele foi enganado por discursos mentirosos, é porque quem falava de maneira que ele compreendesse era mentiroso e quem, de fato, detinha a verdade, não sabia se comunicar com ele.

Porém, isso vem mudando. O discurso político conservador vem aprendendo que quem quer falar com o povo não deve se preocupar demais com a exposição dos detalhes. Quem faz isso, dificilmente é compreendido. O conservador está começando a entender que uma comunicação eficaz com a gente comum se apresenta por meio do símbolo reduzido a uma imagem, uma expressão ou uma frase.

Os esquerdistas vinham dominando a retórica política porque se tornaram mestres nesse tipo de comunicação. Tanto que, como nós temos testemunhado nestas eleições, eles não têm nenhum problema de imputar aos seus adversários meros adjetivos, por meio de expressões como homofóbico, racista, nazista, misógino, ou fazer uso de simples slogans, como ele não, ele nunca entre outros do mesmo tipo.

Os conservadores, por outro lado, sempre tiveram um certo pudor quanto ao uso desse tipo de linguagem, porque sempre acreditaram que ela não é um tipo de comunicação exatamente honesta.

O problema é que esse tipo de linguagem é o único compreendido pelas pessoas simples e, portanto, quem quiser falar, de maneira a ser compreendido por elas, precisa aderir a essa forma de se expressar.

Por isso, se o conservador quiser realmente tocar o coração do povo e iniciá-lo na verdade dos fatos não pode, na guerra política dos discursos, ter excesso de cuidados com o uso de expressões sintéticas como comunista, ladrão, kit gay, abortista etc. Se essas são expressões, quando observadas analítica e detalhadamente, imprecisas, ao menos são expressões que, diferentes daquelas usadas pelos esquerdistas, possuem o mérito de oferecer o indício necessário para conduzir o interlocutor no caminho da verdade, geralmente um tanto mais complexa, que se esconde por detrás delas.

Diante de tudo isso, o que deve diferenciar a maneira como os conservadores falam com o povo não deve ser a forma dessa comunicação. Não se pode deixar que apenas os esquerdistas usem slogans e frases de efeito. Permitir isso, é dar a eles, como sempre se deu, o monopólio do discurso político eficiente.

A grande diferença entre o discurso do conservador em relação ao do esquerdista deve ser apenas uma: suas sínteses devem refletir verdades. Sendo assim, elas, por sua própria natureza veraz, serão facilmente assimiláveis e absorvíveis pelo homem comum. Enquanto isso, as sínteses esquerdistas, sendo meras artificialidades, agora possuindo um contraponto verdadeiro, vão deixar de ter efeito. Até porque, normalmente, o que os esquerdistas costumam dizer  pode ser impugnado por uma rápida pesquisa no Google.

Grotesco inócuo

Os revoltados já não causam mais espanto. Podem sair às ruas com seus peitos ao vento, com seus cabelos coloridos, suas roupas rasgadas e vociferando palavras raivosas de ordem que, ainda assim, já não assustam mais ninguém.

Quando nos deparamos com esses manifestantes mijando nas calçadas, quebrando vidraças e simulando atos sexuais com objetos religiosos, por mais que ainda tenhamos desprezo por tais cenas, elas não conseguem mais nos chocar.

O que aconteceu é que, depois de tantos anos dessas pessoas despejando sobre nós suas esquisitices, suas provocações bizarras, seus apelos ao grotesco e seu uso do imundo para provocar nojo, acabamos todos dessensibilizados. Mesmo para o pai de família, para o trabalhador, para a dona-de-casa e até para o crente nada mais parece estranho, nada mais é absurdo.

Isso porque tudo aquilo que antes servia para causar escândalo simplesmente tornou-se lugar-comum. Esses rebeldes fizeram tanto para apresentar ao mundo uma versão grotesca da vida, que o grotesco tornou-se cotidiano. Dessa forma, o máximo que eles conseguem provocar hoje nas pessoas é desprezo – e aquela sensação de que tratam-se de meros coitados, clamando desesperadamente por atenção.

Além disso, eles não se deram conta de uma outra realidade: a de que a própria vida cotidiana passou a ser tão terrível que tentar torná-la ainda mais feia é simplesmente impossível. Pessoas que vivem na loucura do mundo moderno tendem a não se espantar com mais nada. O dia-a-dia anda tão estranho que, para as pessoas, um amontoado de gente esquisita fazendo obscenidades à vista de todos não passa de um fato inusitado, porém sem maior importância.

Na verdade, o mundo anda tão insano que já começa a haver um desejo de retorno às coisas mais simples, como o belo, o bem, e à verdade. Estamos tão saturados das vilezas que já nos chama mais atenção homens rezando, mães abandonando seus empregos para ficar com seus filhos e jovens pensando em se casar do que militantes fazendo arruaça no meio da rua.

O fato é que os rebeldes perderam sua narrativa e seu instrumento – que estavam totalmente baseados no escândalo. E agora que seus métodos tornaram-se inócuos, tudo o que lhes restou foi uma ideologia oca, escondida por detrás de uma aparência grotesca.

Feminismo para tempos de guerra

Este texto é para você, mulher, que está apoiando a campanha denominada de #Elenão, mas não é partidária do PT, não quer que o Brasil se torne um país socialista e acredita que esse movimento surgiu espontaneamente como reação a Jair Bolsonaro.

Sinto lhe dizer que você está agindo como uma idiota.

Não lhe parece estranho que a agenda feminista esteja ditando a pauta das eleições deste ano? De repente, em um país com tantos problemas urgentíssimos, principalmente em relação à violência causada pela criminalidade, só se fala de direitos das mulheres, de machismo, de equiparação de gêneros, homofobia e tudo o que envolve essas bandeiras feministas?

Pois vou lhe informar algo: nada disso surgiu por acaso e se você aderiu a essa gritaria nestas eleições saiba que você não passa de uma marionete nas mãos do PT.

Isso porque desde o impeachment da senhora Dilma Rousseff, tentou-se emplacar a narrativa de que o que havia ocorrido era um golpe patrocinado, principalmente, pelo machismo reinante na sociedade. Sendo a senhora Rousseff a primeira mulher presidente do país, insistiu-se que tirá-la do poder foi um ato contra todas as mulheres, e que seria, na verdade, um reflexo do que acontece em toda a sociedade.

Porém, os próprios promotores dessa narrativa, o Partido dos Trabalhadores, em sua administração interna, não agia coerentemente com ela, deixando, em seus postos e políticas, as mulheres em segundo plano, não trabalhando de maneira atuante tornando-as realmente beneficiárias da que era proposto e, também, mantendo-as apenas como coadjuvantes na direção do partido.

Não foi por acaso, portanto, que, em um processo de autocrítica partidária, em julho de 2017, a senadora Gleisi Hoffmann, apesar de todo o problema que já a cercava, como as ações criminais contra ela e todos os indícios de corrupção, foi eleita como a primeira presidente nacional mulher do Partido dos Trabalhadores. Era o pior momento pessoal para a senadora, mas o momento mais conveniente para a estratégia partidária.

Seguindo, então, essa onda de revisão dos próprios passos e preparando-se para traçar os caminhos para o ano que se seguiria, quando haveria eleições, é que, em outubro de 2017, o Partido dos Trabalhadores lançou, seu XII Encontro Nacional de Mulheres, onde apresentou seu Caderno de Teses, com o tema obviamente ligado às bandeiras feministas.

Foi ali que o plano de atuação do partido ficou traçado e isso significava dizer que, nas eleições de 2018, seriam as mulheres as protagonistas. Seriam elas que tomariam a frente das campanhas, das narrativas e da própria militância nas ruas. Como foi colocado no documento, “as eleições de 2018 serão uma oportunidade ímpar para o diálogo com a sociedade (…)”.

Esse diálogo nada mais era do que o levantamento de bandeiras feministas e a condução da sociedade para abraçar essas bandeiras. Para isso, a escolha da comunista Manuela D’ávila como concorrente à vice-presidente pela coligação partidária foi o fechamento perfeito para começar a se colocar em prática aquilo que havia sido determinado alguns meses antes. Afinal, “o PT, com seu ideário revolucionário (…) não pode mais ficar na defensiva (…) e [as] mulheres [foram e são] fundamentais(…)”.

Isso quer dizer que toda essa movimentação que se diz e favor dos direitos das mulheres nada mais é do que um cumprimento daquilo que já fora planejado, pelo menos, desde o ano passado, e que está sendo colocado em prática neste período eleitoral.

Por isso, é óbvio que não se trata de uma mera reação a um candidato específico, mas é o desenrolar de um plano muito bem construído para manipular a sociedade.

Eu afirmo que o objetivo é manipular a sociedade porque os direitos das mulheres se encontram ali apenas como 

instrumento para cooptar moças e senhoras desavisadas para ajudarem inconscientemente o partido a alcançar seus objetivos, fazendo com que “[elas se mantenham] em movimento contra esse golpe (…) o golpe imposto ao povo brasileiro e à companheira presidenta Dilma Rousseff”.

O partido tenta esconder, mas essas manifestações servem, principalmente, para “fortalecer a construção partidária, com perspectiva feminista e compromisso com bandeiras (…) [como] da legalização do ABORTO (…)”.

No entanto, é preciso entender que a atuação feminina nessa campanha não se dá para que seus direitos sejam preservados. Esses direitos são apenas a fachada para o objetivo principal. E o objetivo principal é a transformação do Brasil em um país socialista. Afinal, como diz o próprio caderno, “não há socialismo sem feminismo”.

E antes de você me acusar de estar tendo alucinações, atente-se para o fato de que o próprio partido, nesse Caderno de Teses, diz que defende “um feminismo anticapitalista”. Isso porque “as mulheres do PT entendem que a emancipação humana passa pela condição fundamental de extinção do atual modelo socioeconômico. Plena justiça social só será possível com a SUPERAÇÃO DO SISTEMA CAPITALISTA”.

Se todo esse pessoal está saindo às ruas, com palavras de ordem, a favor de todas essas bandeiras feministas, é porque seus organizadores entendem que “uma sociedade livre do machismo, do racismo, da LGBTfobia e de outras formas de opressão depende da criação de uma nova sociedade, e que esta seja COMUNISTA, cujo nascimento está atrelado à transição socialista”.

Por isso, entenda que se você participa dessas manifestações é porque concorda com a implantação do comunismo no Brasil. Se não concorda, saiba que estão lhe usando.

Talvez, para você, nada disso seja muito sério e participar dessas manifestações represente um tipo ingênuo de mostrar sua opinião. Tenha consciência, porém,  que para as petistas que organizam esses eventos tudo isso é crucial. Não é sem razão que, em seu documento, elas estão convocando “todas as mulheres do PT para somarem-se à construção de um Feminismo para TEMPOS DE GUERRA”.

Eleição das impressões

Em geral, pessoas comuns não são profundas. Poucas são aquelas que, de fato, refletem para além da mera superficialidade. Isso fica muito claro quando observa-se os debates políticos que se proliferam nessas épocas de eleições. Nestes dias, por toda parte, lê-se e ouve-se conclusões que são grandes edifícios construídos sobre palitos de dentes.

Isso não seria nenhuma excrescência se fosse um fenômeno restrito às pessoas comuns. No entanto, quando nos deparamos com as opiniões de boa parte dos analistas políticos, cientistas, jornalistas, pensadores e, inclusive, dos próprios políticos, constatamos que a opinião superficial deixou de ser a voz das massas, mas passou a ser o coro em uníssono de praticamente todo mundo, inclusive daqueles que dizem fazer parte da elite pensante.

O fato é que estamos viciados em impressões e essa é a origem da superficialidade reinante. Esse vício é a fonte de nossa pobreza cognitiva e, por isso, combato-o na primeira aula de meus cursos sobre leitura e pensamento. Isso porque tenho plena consciência que, enquanto não se supera essa mania por julgar tudo superficialmente, nenhum pensamento que se construa tem algum valor.

O que se constata nessas eleições é exatamente isso: todos os ataques, todas as críticas, todas as opiniões são fruto não de qualquer proposta concreta ou reação a essas propostas, mas simplesmente das sensações provocadas pelo superficialismo reinante. O excesso de adjetivos é a prova disso – homofóbico, racista, sexista, fascista não são, nem de longe, descrições da realidade, mas apenas xingamentos reflexos de sentimentos despertados. E quando isso acontece, tudo é possível, como chamar de nazista um defensor de Israel ou de fascista quem quer permitir o armamento da população.

Vício por arrecadação

Todo político brasileiro tem um vício, compartilhado com os analistas e administradores públicos: o vício por arrecadação. Essa gente pensa que um bom plano é aquele que consegue tornar os cofres do governo cada vez mais gordos. No fim das contas, seu sucesso é medido pelo quanto ele consegue lançar-se sobre o bolso do contribuinte. Mesmo liberais, quando falam em cortar impostos, pensam em fazer isso de maneira eficiente, de forma que, ainda assim, o Estado arrecade mais.

O mais incrível é que qualquer proposta tributária que insinue a diminuição da arrecadação é logo tida por coisa de gente ingênua, quando não estúpida. Foi assim que se referiram a Paulo Guedes, quando ele propôs uma diminuição nas alíquotas do imposto de renda. Essas críticas mostram como a mente do administrador público brasileiro, e do analista político também, está cativa a um formato de governo burocrático e faminto.

Eu já vinha pensando em escrever sobre isso, porém, antes de colocar esses pensamentos no papel, veio o candidato à presidência, Jair Bolsonaro, e, em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, falou algo que, para a mente refém da ideia do governo arrecadador, soa como uma heresia. Ele disse: “Quero uma coisa: que a União arrecade menos”.

Imagine quanto os tributaristas e gestores públicos devem ter ficado escandalizados com essa prova de ignorância do presidenciável. Como alguém que pretende ser presidente da República propõe algo que faça o governo ter menos dinheiro?

Porém, é exatamente nisto que reside a peculiaridade na proposta do presidenciável. Ela parte do princípio de que o indivíduo vem antes do Estado e da consciência de que a necessidade arrecadatória estatal não tem fim. Ela parte da compreensão de que quanto mais dinheiro entra para os cofres públicos, mais gastos surgem, mais dívidas públicas são feitas e mais necessidade por tributos é gerada.

O agente público, viciado em arrecadação, no entanto, não consegue ver lógica nesse pensamento, porque só sabe enxergar o lado do Estado. Pior, ele está tão refém do formato de governo que vem sendo praticado há décadas, que não consegue pensar formas de fazer com que esse mesmo Estado diminua drasticamente seus gastos, tendo cada vez menos necessidade de arrecadação.

Verdade seja dita: é preciso reverter esse ciclo infinito de aumento de impostos. Mas, para isso, é preciso, antes, mudar a mentalidade do próprio agente público, que vê na capacidade de aumentar a arrecadação um mérito. De repente, essa visão pioneira e corajosa apresentada pelo candidato Bolsonaro seja o início de uma nova mentalidade neste país, segundo a qual, mais importante do que encher os cofres públicos, seja enxugar as contas de maneira que a necessidade de arrecadação se torne cada vez menor.

Debate impossível

Não é incomum paladinos da tolerância surgirem com suas admoestações moralistas, dizendo que devemos manter um diálogo com os opositores, apesar das divergências. Aparentemente, as intenções são as melhores, que é manter uma certa civilidade nos debates públicos.

No entanto, quando se trata de debates com defensores da ideologia de esquerda, apesar da democracia obrigar-me a conceder-lhes o direito de falar, respeitá-los ou mesmo considerar seus argumentos é algo que sistema algum do mundo pode exigir de mim.

Isso porque tudo o que a esquerda tem a oferecer – seu ateísmo, seu ódio contra os valores familiares, seu descaso em relação ao nascituro, sua defesa da bandidagem, sua defesa das drogas, seu relativismo moral, sua estética medonha, sua militância anti-religiosa, seu esforço pela destruição do modo de vida ocidental e seu desejo declarado pelo fim de seus adversários políticos – não são matérias passíveis de discussões, mas atentados contra a civilização, que devem ser contidos.

Se a esquerda fosse apenas uma outra forma de enxergar a economia ou o papel do Estado, não haveria problema algum em manter os canais de comunicação e discussões abertos com ela. Porém, estes, na verdade, são os temas menos importantes para os socialistas. O que realmente está no cerne de seu objetivo é a substituição do mundo como conhecemos e vivemos por um outro completamente diferente, onde pessoas como eu não são bem vindos.

Por isso, há muito tempo deixei de considerar o debate político com as esquerdas apenas uma troca de ideias. Não fossem suas intenções declaradas, suas convicções sedimentadas e sua forma de agir, até poderia considerar essa possibilidade. No entanto, quando eu sei o que sei sobre eles, aceitar qualquer tipo de discussão civilizada com essas pessoas é como tentar combater terroristas, munidos de armas e bombas, com meros panfletos de repúdio. E eu não sou idiota a esse ponto.

Marxismo é religião

Causa surpresa a forma como militantes de esquerda defendem sua ideologia. Quem já discutiu com eles sabe o quanto é difícil convencê-los de qualquer coisa que contrarie suas doutrinas. Para eles, quase nunca importam as razões e os fatos, mas vale mesmo a fé no que defendem. Isso acontece porque a ideologia esquerdista não é apenas uma proposta política, mas principalmente uma mensagem religiosa.

Vocês já viram, várias vezes, eu escrever que o marxismo – que é a base doutrinária de toda a esquerda – trata-se de uma doutrina religiosa. Mostrei, em meu artigo ‘Uma ideologia religiosa“, baseado no livro “Marxismo e religião”, de Heraldo Barbuy, o quanto o marxismo possui todas as características de uma seita, com seus profetas, seu livro sagrado, sua escatologia e sua doutrina.

Apesar disso, por essa afirmação sobre a natureza religiosa do marxismo não ser imediatamente perceptível, pois exige enxergar algo para além do discurso puro e simples que os marxistas apresentam, muitas pessoas tratam-na como um exagero ou um mero lance retórico.

Eu entendo essa reação. As pessoas aprendem que marxismo é política, que trata-se, principalmente, de economia. Afirmar que ele é uma religião parece apenas uma acusação de seus inimigos para desmerecê-lo, e nada mais.

Porém, uma coisa é certa: se o marxismo for realmente um tipo de religião, milhões de pessoas foram e estão sendo arrastadas para ele sem ter a mínima noção dessa sua natureza. Tornam-se, assim, presas fáceis de sua abordagem altamente proselitista.

Por isso é importante esclarecer: afinal, marxismo é religião? Ora, existem várias maneiras de se provar isso. O artigo e livro citados acima foi uma delas. Porém, nada melhor do que ler escritos de quem foi um dos maiores líderes da revolução comunista. Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido como Lenin, foi o gênio por trás da revolução bolchevique de 1917, na Rússia. Foi também um de seus mentores e guias – provavelmente, o maior deles. Além disso, era um homem que, comparado com outros líderes comunistas de seu tempo, era bastante ponderado e tido até por conservador pelas alas mais radicais do Partido.

Lenin escreveu vários artigos para os periódicos e manifestos da época e neles expôs muito de como ele entendia o marxismo. Fazia assim até como forma de educar os militantes sobre a natureza e objetivos dessa doutrina. Portanto, para constatar o quanto o marxismo tem forte conotação religiosa, basta ver o que ele expôs em um único artigo, chamado “Três fontes e três partes integrantes do marxismo”, escrito por ocasião do aniversário de 30 anos da morte de Karl Marx.

Nesse artigo, Lenin começa lamentando-se que “a doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa, que vê no marxismo algo assim como uma seita nefasta“. Parece evidente, portanto, que os próprios contemporâneos da revolução já tinham percepção que aquele movimento continha algo além de político. E eles tinham razão.

Basta ver a afirmação que o próprio Lenin vai fazer logo em seguida, ao dizer que “o gênio de Marx reside, precisamente, em haver dado solução aos problemas levantados antes pelo pensamento avançado da humanidade“, para perceber o quanto ele mesmo via em Marx uma espécie de mensageiro religioso. Ora, nenhuma mera doutrina política se pretende solucionadora dos problemas da humanidade. Apenas uma proposta religiosa faz isso. Aliás, a isto se resume a religião: oferecer ao mundo uma solução. Quando Lenin afirma que o marxismo faz isso, está colocando-o não apenas no mesmo nível de outras religiões, mas afirmando que o marxismo é a religião mesma, ou seja, aquela única verdadeira que resolve os problemas do mundo.

Não é por acaso que, na sequência do texto, ele vai afirmar que “a doutrina de Marx é todo-poderosa“. Que expressão poderia ter conotação mais abrangente, chegando a igualar-se ao que se diz do próprio Deus? Todo-poderosa significa algo que possui o poder total, a força plena, que é universal, invencível e inerrante. Não é uma expressão aleatória, nem serve como força de expressão. É uma descrição que demonstra muito bem como os próprios marxistas enxergam seu ídolo.

Lenin, ainda, vai escrever que a doutrina marxista é “completa e harmônica, dando aos homens uma concepção do mundo íntegra“. É fato que nenhuma doutrina meramente política seria capaz disso. Apenas uma revelação religiosa poderia ser tão abrangente a ponto de ser considerada completa, tão perfeita a ponto de ser tida por harmônica e tão profunda a ponto de dar aos homens uma concepção integral do mundo.

Está claro, portanto, que os marxistas, conforme pode ser constatado nos escritos do líder se sua própria revolução, vêem sua doutrina como algo religioso, além das meras disputas políticas comuns. Além disso, há o fato, que poucas pessoas sabem, de os próprios seguidores de Karl Marx e Friedrich Engels, desde a última década do século XIX, chamarem-se a si mesmos de discípulos. Isto demonstra, claramente, que eles mesmos viam-se como seguidores de profetas que portavam uma mensagem redentora, uma doutrina de salvação, não como meros militantes políticos.

Não resta dúvida que não apenas o marxismo é uma ideologia religiosa, como seus próprios seguidores sempre enxergaram-no dessa maneira. Por isso, de nada adianta tentar contraditar marxistas com base em razões políticas e econômicas. Marxismo é religião e seguidores de uma religião não são convencidos por argumentos racionais.

Razões Armamentistas – Lição 01 – Armas, um instrumento de igualdade

Quando se pensa em alguém que defende o armamento, logo vem à cabeça aquele tipo apaixonado por armas, colecionador, que conhece todos os tipos e marcas de revólveres e espingardas. Porém, este não é o meu caso. Eu não tenho intimidade alguma com armas, jamais tive uma arma, não possuo qualquer afeição especial por armas e, ainda assim, sou um defensor do armamento do cidadão comum.

Na verdade, para defender o armamento, não é necessário ser um apaixonado por armas. Isso porque defender o armamento não é uma questão de gosto, nem dever ser impulsionado pela paixão, mas sim pela lógica e pela análise da realidade e do Direito.

Foi assim que cheguei à conclusão que o armamento geral e quase irrestrito é o melhor para uma sociedade civilizada. Digo isso, inclusive, porque além do meu desinteresse pessoal pelas armas, eu ainda defendia uma ideia sobre o desarmamento que me parecia bastante racional, mas que eu percebi estar equivocada. Eu dizia que era a favor do desarmamento desde que fosse possível desarmar a todos. Assim, eu era um armamentista, porém, apenas por entender que era a única opção possível diante da impossibilidade estatal de desarmar a todos, principalmente os criminosos. Claro que, quando eu dizia isso, sabia que estava lançando mão de um recurso retórico, ciente da impossibilidade real daquilo que eu dizia acreditar. Isso me tornava, pode-se dizer, menos um armamentista por convicção do que um armamentista por resignação.

No entanto, com o tempo eu fui percebendo que mesmo esta minha posição possuía um equívoco fundamental, que encontrava-se na raiz da concepção que eu possuía em relação à natureza da arma. O fato é que eu apenas conseguia enxergar a arma como um instrumento de agressão – seja de ataque, seja de defesa. Assim, eu concluía que, se outras pessoas possuem acesso a esse instrumento de agressão, para poder defender-me, eu deveria também possuir esse direito.

Porém, ainda que essa fosse uma conclusão bastante lógica, escapava-me uma característica essencial das armas que mudava completamente a forma de enxergá-las: o fato delas serem não apenas instrumentos de ataque ou defesa, mas, antes de tudo, de paridade física. Deixando de olhar apenas para sua função material direta, pude perceber sua função social mais ampla: de possibilitar a existência de uma sociedade mais igualitária.

O que eu quero dizer é que, considerando que, em relação à força física, as pessoas são diferentes, havendo sempre os mais fortes e os mais fracos, a arma acaba cumprindo o papel de equalizador dessas forças, oferecendo a possibilidade aos mais fracos de colocarem-se diante dos mais fortes não mais como vítimas indefesas, mas como semelhantes.

Na verdade, a invenção da arma caracteriza algo típico de uma sociedade civilizada, a saber, a vitória do homem sobre a natureza. Isso porque a natureza, deixada em si mesma, permite que coexistam forças muito desiguais. Em estado natural, sempre haverá homens mais fortes e outros mais fracos e, quase sempre, homens mais fortes que mulheres. A arma, portanto, supera essa imposição natural e permite que homens mais fracos e mulheres possam, minimamente, igualar suas forças em relação aqueles indivíduos naturalmente mais fortes. São as armas que elevam os mais fracos fisicamente a condição de iguais. Até por isso eu entendo que as mulheres deveriam ser as primeiras a defender o armamento. Elas são as maiores beneficiadas por ele. Com uma arma, uma mulher tem bastante diminuídas as possibilidades de sofrer qualquer tipo de abuso. As armas são, portanto, o verdadeiro instrumento de igualdade.

Por isso, as armas acabam sendo um instrumento indispensável a uma sociedade civilizada, principalmente para uma democracia. Se a democracia é o sistema político que busca dar a todas as pessoas os mesmos direitos e as mesmas oportunidades, oferecendo a chance a todos de participar dela de uma maneira razoavelmente igualitária, as armas acabam sendo um instrumento indubitável de sua manutenção. Tanto que a maior democracia do mundo, a dos Estados Unidos da América, foi estabelecida sobre o direito inalienável de seus cidadãos de portarem armas. E este direito, materializado na segunda emenda da Constituição Americana, está arraigada na mentalidade daquele povo. Não é à toa que mesmo com os incessantes ataques ideológicos, ela continua firme e forte, dando sustento à democracia do país que ela sustenta. Na história dos Estados Unidos, as armas cumpriram a função de manter o equilíbrio entre as diversas forças que se impunham dentro de seu território. Forças e idéias tão diferentes, mas que precisavam coexistir e construir juntas uma nação. Nesse contexto, foram as armas que forneceram o fundamento necessário para que isso acontecesse.

Por tudo isso, minha posição atual é que as armas são um instrumento indispensável à democracia. Por sua natureza, elas são indispensáveis em  qualquer nação civilizada. Na verdade, a arma é uma criação humana, da mesma maneira que a civilização é uma criação humana e a arma foi exatamente criada de forma a tornar a civilização possível. São os grupos selvagens que estão sujeitos as forças da natureza, onde os mais fortes sobrepõem-se sobre os mais fracos. As armas, portanto, superam isso, tornando, em alguma medida, todos iguais.

Ao ponderar todas essas considerações, eu passei a admirar as armas, não como objetos materiais, mas como idéia. Também, não tenho receio algum de afirmar que o direito ao uso de armas, por todos os integrantes de uma sociedade, é algo que deve ser perseguido e defendido por quem trabalha em favor de uma sociedade mais justa e mais igualitária.