O orador e o compartilhamento de si mesmo

Erra quem, ao fazer uma apresentação, se dirige à plateia acreditando que ela está ali apenas absorvendo suas palavras e ideias. Quem pensa que as coisas acontecem assim, geralmente crê que as palavras e as ideias possuem uma força autônoma e que o orador não passa de um mensageiro, um portador isento de um conteúdo que sobrevive por si mesmo.

Porém, as palavras possuem uma função muito específica no discurso, que é a de fazer referência a uma realidade que existe antes e além delas. Palavras são apenas intermediárias, são símbolos que apontam para essa realidade. Porém, elas mesmas, sem a realidade para a qual apontam, não são nada.

Por isso, quem se dirige a uma audiência transmite para ela muito mais do que palavras. Ao falar com o público, o orador transmite – ou tenta transmitir – realidades. E essas realidades residem no mundo, independentemente das palavras e até mesmo das pessoas.

No entanto, essas realidades, apesar de existirem independentemente das pessoas, só podem ser reconhecidas conscientemente pelas pessoas. E nesse processo de reconhecimento, elas não absorvem as realidades mesmas, mas criam, dentro de si, versões dessas realidades.

Quem, por exemplo, se depara, pela primeira vez, com um animal que nunca tinha visto, ao deixar sua presença, leva consigo não o animal mesmo, mas uma imagem dele. Aliás, uma imagem incompleta e, invariavelmente, imperfeita. Daí, quando ele se propõe a comunicar, para outras pessoas, essa imagem do animal que ele carrega consigo, o que ele vai comunicar não é a realidade mesma, mas sua versão dela, a interpretação que ele faz daquilo conheceu.

Ao fazer isso, porém, inescapavelmente, ele acaba por dar um tom pessoal a essa realidade processada dentro dele. Ademais, como essa realidade, que está dentro dele, é uma interpretação pessoal, então ela também acaba sendo única. Assim, o que ele comunica acaba sendo a sua própria realidade.

O fato é que, quando essa realidade é transmitida, ela sai da boca do orador já não mais como uma verdade absoluta e independente, mas, sim, como uma versão da realidade feita pelo próprio orador. E sendo uma versão do orador, o que ele acaba transmitindo diz, geralmente, mais dele mesmo do que da realidade a qual ele se refere.

É por isso que eu afirmo que, no fim das contas, comunicação é mais do que compartilhar suas ideias e conhecimento. Comunicação é compartilhar a si mesmo.

A contundência do discurso do Escola sem Partido

Há quem entenda que a forma como os integrantes e simpatizantes do Escola sem Partido manifestam-se, falando com veemência contra a atuação de alguns professores, é inadequada. Eles acreditam que esse discurso incisivo prejudica a relação entre professor e aluno e pode provocar tensões inconvenientes na sala de aula. Assim, acusam os militantes do Escola sem Partido de agitadores, como se fossem um mal ao ambiente escolar.

Ocorre que nenhuma mensagem pode ser analisada como uma forma fixa, invariável, alheia às circunstâncias. Pelo contrário, suas ênfases e modulações precisam ser julgadas conforme sua adaptação às necessidades, ao público e à gravidade do assunto. E, ao levar isso em conta, constata-se que o discurso do Escola sem Partido precisa ser forte, contundente e até intimidador.

Isso é justificado pelo fato de que tem havido diversos indícios e muitas denúncias de professores que têm usado da sala de aula para impor suas convicções políticas sobre seus alunos. Agem como verdadeiros militantes e, sem escrúpulos, usam da audiência cativa para formatá-la a seu bel-prazer. Isso é muito sério e reponder a esse problema com tibieza não condiz com a gravidade do assunto.

É preciso levar em conta que, em termos de ciência dos discursos, a posição do professor é totalmente favorável a ele. Basta ver que o maior desafio de alguém que se dirige a uma plateia é estabelecer sua própria autoridade diante dela. Até porque um orador sem autoridade é como um pistoleiro com balas de festim, que faz barulho, mas não atinge ninguém. A verdade é que o público não dá ouvidos a quem ele não confia e é por essa razão que Aristóteles dizia que o principal elemento da persuasão é o ‘etos’, que caracteriza-se principalmente pela credibilidade transmitida pelo orador.

Pode-se ver, portanto, que o professor é um agraciado. Por causa da natureza de sua função e pela característica de sua audiência, ele já possui, de antemão, essa autoridade tão perseguida pelos oradores e exerce, sem nenhum esforço, grande influência sobre seus ouvintes. Não há figura com maior credibilidade, principalmente tratando-se de um público formado por crianças e adolescentes. Para estes, o mestre é um ser quase transcendente, imune a erros e portador de uma sabedoria sublime.

Se o professor, então, abusa dessa autoridade – que sequer é sua, pois não foi conquistada por ele, mas pertence naturalmente à função que exerce – incorre em um pecado gravíssimo. Um pedagogo que tira proveito de alunos incapazes de formar uma opinião própria para impor sobre eles sua ideologia e visão peculiar de mundo pode ser considerado, sem nenhum exagero, um violentador de consciências.

E, diante disso, considerando a modelagem dos discursos de acordo com as circunstâncias, aqueles que denunciam algo tão sério não podem fazê-lo de maneira tíbia, vacilante. Exigir que ajam assim seria como esperar que uma testemunha de um estupro, em vez de tirar o agressor a ponta-pés de cima da vítima, redija uma mera moção de censura.

Quem não concorda com esses argumentos e, com base apenas na observação da forma do discurso do Escola sem Partido, considera-o um grupo radical, com linguagem violenta e propostas agitadoras, sem levar em conta o problema apontado por ele, não está entendendo – ou finge não entender – a seriedade do assunto.

Fábricas de militantes

O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – é o sistema de manipulação de mentes mais abjeto e canalha que existe.

Com a desculpa de ser um avaliador e selecionador dos alunos para o ingresso nas universidades, na verdade ele serve como um filtro ideológico para elas.

Pior ainda, o ENEM se transformou em um verdadeiro modelador das mentes dos alunos do ensino médio.

Isso porque os conteúdos a serem oferecidos nas escolas de ensino médio precisam preparar esses alunos para que eles obtenham sucesso na prova do ENEM.

Se, portanto, essa prova possui um viés ideológico muito definido (como é o caso do ENEM), as escolas precisam, desde cedo, formatar a mentalidade de seus alunos para que eles pensem de acordo com esse viés ideológico.

Sendo assim, essas escolas, ao ajustarem seus currículos às exigências ideológicas das provas do ENEM, acabam, elas mesmas, transformando-se em verdadeiras fábricas de pequenos militantes ideológicos.

Cumpre-se, assim, o verdadeiro objetivo da existência desse exame.

A morte da ideologia

As ideologias estão morrendo.

Porque elas vivem da mentira, e não se sustentam em um mundo onde há liberdade de opinião e onde as ideias correm livremente.

Isso porque toda ideologia, para sobreviver, precisa negar a realidade e controlar as as narrativas, de maneira que suas fantasias sejam suportadas. 

Quando, porém, as ideias e as opiniões vivem soltas, como tem acontecido em nossa era digital, o controle das narrativas se torna impossível

Uma mentira é desmentida quase que imediatamente; 

Ninguém mais é o dono da versão oficial.

É por isso que as ideologias estão morrendo.

Elas sempre viveram de manipular as pessoas, contando suas mentiras e vendendo suas ilusões.

Agora, isso não funciona mais.

A democracia como eles a entendem

Causa confusão ver petistas falando em defesa da democracia quando sabemos que as atitudes do partido, há muito, já provaram que esse modelo de governo não é o seu preferido. Ainda assim, parece que há até uma certa obsessão no uso dessa palavra, principalmente se for para acusar os adversários de atentarem contra ela, como se aqueles que a proferem – no caso,  petistas – fossem seus verdadeiros guardiões.

Petistas são marxistas-leninistas e estes, historicamente, nunca foram muito afeiçoados à democracia. 

Então, por que insistem em referir-se a ela como se fosse seu baluarte? É que democracia, na concepção marxista, está longe de ser a ideia, que a maioria das pessoas possuem, de um governo de todos. Para os marxistas, existe apenas a democracia do partido. Na época da revolução bolchevique, isso incluía todos aqueles que participassem ativa e favoravelmente da revolução, de líderes partidários a proletários – se bem que gradual e rapidamente estes últimos foram perdendo voz dentro do movimento, até ele se transformar em uma verdadeira ditadura, com Stalin. Hoje, o conceito permanece o mesmo, ainda que os personagens tenham sido adaptados. Agora, não são os proletários, mas os grupos de apoio, como os coletivos de minorias e as ongs afiliadas, a participarem dessa democracia partidária.

Logo, para o petista, democracia significa nada mais do que o direito dos membros ligados ao partido e aos grupos de apoiadores participarem das deliberações em relação às ações e direcionamentos políticos a serem tomados. A democracia como eles entendem é apenas interna – e, ainda assim, geralmente teórica e aparente. Dessa maneira, quem não colabora com o partido, quem não concorda com sua política e mesmo quem é indiferente a ele está fora dessa concepção democrática. Democracia, para petistas, significa meramente o modelo de ditadura coletiva a ser implantada.

Com isso, fica mais fácil entender as palavras de Jacques Wagner, coordenador da campanha do Partido dos Trabalhadores, que afirmou que o problema, para eles, era ter que “jogar o jogo com as regras deles” – referindo-se obviamente aos sistema democrático-eleitoral brasileiro. Também esclarece muito sobre a afirmação do candidato petista derrotado na corrida presidencial, Fernando Haddad, quando ele diz, em seu discurso, sobre uma “DEMOCRACIA COMO NÓS A ENTENDEMOS”. Nesta, você, que não concorda com ele, nem com as ideias esquerdistas, está fora, sem direito a dar qualquer palpite nos rumos do país.

Por isso, todos nós, que não concordamos com eles, somos, para eles, uma ameaça à democracia. Porém, ressalte-se: à democracia como eles a entendem.

Anti-jornalismo e a traição dos jornalistas

O “furo de reportagem” é o ápice da atividade jornalística. Apresentar, para os leitores, aquilo que ninguém mais viu e ele foi o primeiro a desvendar é o cumprimento máximo da vocação do jornalista. No entanto, pelo menos na grande imprensa brasileira, esse anseio profissional extinguiu-se. Por aqui, o jornalismo tornou-se mero autenticador das forças constituídas. O que se pratica na imprensa tradicional brasileira é, de fato, o anti-jornalismo.

A característica marcante do bom jornalista é a desconfiança. O jornalista que preza por sua profissão está sempre em busca de uma realidade escondida por detrás das aparências dos fatos como eles se apresentam em um primeiro momento. É o sonho de todo jornalista descobrir e revelar algo que ninguém mais sabe. O jornalista de estirpe sempre quer ser o primeiro a desnudar as mentiras contadas pelas versões oficiais.

Em razão disso, está no sangue do bom jornalista o ceticismo inveterado. Ele não se contenta com as primeiras aparências de um fato e, menos ainda, com as primeiras versões com as quais esses fatos se apresentam. É da prática do bom jornalismo, diante do menor indício de que a realidade não é como contam, desbastar esse matagal de aparências e versões para encontrar o que está escondido por detrás delas.

Quando o jornalista, porém, faz o contrário disso e, ao invés de desconfiar das versões apresentadas e tentar descobrir o que existe escondido além delas, apressa-se para corroborá-las, sua prática constitui-se em traição do jornalismo. O que ele faz é o anti-jornalismo.

E foi exatamente isso que nós testemunhamos no primeiro turno das eleições de 2018. Logo após o encerramento da apuração dos votos, tivemos de ouvir uma porção de jornalistas e seus respectivos veículos de comunicação ignorando – quando não contestando – as centenas de indícios de que estavam ocorrendo problemas nas urnas, sempre contra o mesmo candidato, e corroborando a versão do governo de que tudo corria na mais perfeita normalidade.

Traindo aquilo que caracteriza a essência do jornalismo, esses profissionais, em nenhum momento, colocaram em dúvida os comunicados oficiais. Pelo contrário, cerrando as narinas para qualquer faro jornalístico, mesmo diante de instigantes fatos que, normalmente, faria com que qualquer repórter, com o mínimo de ambição profissional, corresse para tentar descobrir o que realmente estava acontecendo, os jornalistas da grande mídia apressaram-se para servir de fiadores dos poderes constituídos, esforçando-se por abafar qualquer tentativa de colocar em dúvida a lisura das eleições.

Que jornalista é esse que não se questiona, que não investiga, que não duvida daquilo que o governo diz? Que jornalismo é esse que se submete às forças políticas existentes e age como seu porta-voz oficial?

Isso mostra que esses profissionais, que deveriam ser os responsáveis por informar-nos da verdade e de quem deveríamos esperar o esforço por revelar-nos realidades que, muitas vezes, não estão evidenciadas em um primeiro momento, agem no sentido contrário do que seriam suas vocações e, usando suas credenciais como escudo de proteção a favor governo contra as reclamações do povo, traem-nos.

Sobre a necessidade dos debates eleitorais

Não há pior maneira de entender o pensamento de alguém senão por meio de um debate. Quem já assistiu algum destes sabe muito bem que, geralmente, não passam de algumas horas enfadonhas de tentativas, quase sempre infrutíferas, de marcar presença, seja com uma frase de efeito, um pensamento memorável, uma piadinha bem colocada ou uma intervenção pontual marcante. O que os debates conseguem oferecer são, no máximo, alguns poucos momentos a ser recordados e muitos outros completamente dispensáveis.

O fato é que debates, quase sempre, são inúteis. Se o objetivo, como costuma se alegar, é conhecer melhor as propostas dos candidatos e entender mais profundamente seus planos de governo, o debate é o pior modelo possível a ser escolhido.

Isso porque em debates o que prevalece é o jogo retórico. As partes disputantes têm como objetivo primeiro a vitória, por consequência, a imposição da derrota do adversário. E quando alguém busca a vitória, não é a exposição detalhada de si mesmo(de seus pensamentos e planos) que aparecerá, mas atalhos retóricos que sirvam para desmoralizar ou desqualificar o oponente.

O que se forma em um ambiente de debate é a disputa, uma guerra retórica. E nesse clima não há espaço para o detalhamento de nada. São apenas acusações, perguntas com o intuito de confundir, frases de efeito e muita, muita enrolação, com números, estatísticas e dados que não dizem nada – mas servem muito bem para esconder os assuntos de fundo.

Além disso, o formato proposto nos debates atuais não permite qualquer tipo de aprofundamento. O tempo é exíguo e não há espaço para a apresentação de nada além de ideias gerais.

Por isso, insistir que os debates são essenciais para o processo democrático é pura balela. Pelo contrário, comparado com as formas de comunicação existentes hoje em dia, esses debates são completamente dispensáveis. São apenas resquícios de um tempo antigo, quando a tv era a única forma de comunicação em massa.

Com a internet, na verdade, não há mais nenhuma necessidade que candidatos se enfrentem no modelo de debates como foram feitos nos últimos trinta anos. Hoje, esses candidatos têm a oportunidade de falar diretamente com o público – sem filtros e sem pegadinhas. Além disso, podem explorar os assuntos a ser expostos sem qualquer restrição de tempo.

Essas formas novas de comunicação são, no fim das contas, o sonho democrático. Aquilo que era feito na ágora, com a elite pensante grega, que passou a ser replicado nas câmaras de representantes desde a Roma Antiga até os nossos dias, agora, de alguma maneira, pode envolver todo mundo. Se esse é o ideal da democracia, ou seja, um governo com a participação de todos, então a internet é o instrumento que permite isso.

Quem diz, portanto, que os debates de tv são essenciais para a democracia ainda não entendeu – ou finge não entender – que os tempos mudaram. Agora, nós, o povo, não precisamos mais de intermediários para ter acesso aos nossos representantes. Não é preciso mais editores, âncoras e mediadores para levar até eles nossas perguntas. Também não precisamos mais de empresas de mídia para nos mostrarem esses políticos. 

Agora, que eles venham até nós. Que eles aprendam a falar conosco diretamente. E que nós os julguemos segundo a verdade que eles nos transmitam. Se todos os lados precisam aprender a usar esses novos instrumentos de maneira plena é outra questão.

O fato é que vivemos um novo tempo para a  comunicação política e quem não se adaptar a ele, certamente, morrerá.

Amigos envergonhados do rei

Não se enganem! Entre estes que dizem que não votam em nenhum dos dois candidatos na disputa eleitoral, boa parte é formada por gente que gostaria muito de votar no PT. São empresários, artistas e políticos que somente não declaram seu apoio à organização criminosa porque isso não é bom diante da opinião pública.

No entanto, eu não me iludo quanto à mentalidade desses partidários do isentismo. Sei bem quem eles são e como se acostumaram ao conluio com o poder e ao aproveitamento das benesses do Estado em favor de seus negócios e atividades. Repito: eles apenas não estão declarando seu apoio ao PT por falta de clima favorável para isso.

Por acaso, alguém duvida que mamadores de empréstimos generosos do BNDES, aproveitadores das facilidades da Lei Rouanet, beneficiários de anistias fiscais personalizadas e amigos do rei, que são protegidos pelo governo contra os riscos do livre mercado, gostariam que o sistema mudasse tão bruscamente de direção? Vocês acham que gente que ganhou tanto nos anos de direção petista está à vontade com um próximo governo que está prometendo acabar com os privilégios e estimular a concorrência?

Eles não declaram seu apoio ao PT porque não pega bem, mas, se pudessem, assim fariam, porque o problema deles não é com a política petista. Pode ser que eles se incomodem, um pouco, com a roubalheira da quadrilha, afinal, ninguém gosta de ver seu nome vinculado a bandido. No entanto, é certo que as benesses que eles sempre tiveram por meio desse partido é algo que, certamente, não gostariam perder.

A autodefesa da grande imprensa

Para a grande mídia, as Fake News são sempre as dos outros. Isso ficou muito claro, para mim, quando eu li o livro do jornalista inglês, Matthew D’Anconna, chamado Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. O pressuposto desse livro é muito simples: o que a mídia tradicional publica é verdade; o que a contraria, falso. Para essa imprensa oficial, que se considera a única e verdadeira, tudo o que não sai de suas próprias prensas é tido por suspeito de antemão.

E, hoje em dia, seu alvo principal tem sido as mídias independentes que surgiram, principalmente, com o advento da internet, e vêem fortalecendo-se a cada dia, começando a serem vistas como um risco à sobrevivência dos jornais tradicionais.

O certo seria, então, que a grande mídia fizesse uma autocrítica, tentando entender as razões porque vem perdendo terreno para o jornalismo avulso. Porém, faz autocrítica quem pretende honestamente rever suas atitudes, e o que estamos testemunhando é uma imprensa desonesta, que tem mentido, distorcido e omitido deliberadamente.

Chega a ser revoltante ver esses jornalões, que vem lançando mão de todas os meios possíveis para enganar seus leitores, com notícias tendenciosas e opiniões enviesadas, acusar as mídias alternativas de praticarem Fake News.

Mas, de certa maneira, tudo isso é compreensível. O ataque da grande mídia às mídias independentes não passa de um ato de autodefesa.

A imprensa tradicional não quer perder o seu poder. Basta ver que, até aqui, foi ela quem deteve o monopólio da narrativa. Foi ela que sempre determinou quem eram os heróis e quem eram os vilões da história. Com isso, obviamente, ela cometeu terríveis injustiças. Mais ainda, ela dirigiu a cultura do país para onde quis – e o que ela quis não está exatamente de acordo com o que as pessoas comuns querem também. E o que ela pretende é manter-se como a direcionadora do pensamento nacional. O problema, porém, é que a profusão de mídias independentes está furando esse bloqueio, apresentando narrativas alternativas, colocando em discussão o viés da grande mídia e desmentindo muito do que ela vinha contando ao público há muito tempo.

Esconder as próprias mentiras, nesse caso, passa a ser uma questão de sobrevivência. Quando ela, então, acusa as pequenas mídias de serem propagadoras de Fake News, na verdade, está desviando a atenção do leitor de suas próprias artimanhas.

Isso porque, essa grande imprensa, aproveitando-se da credibilidade que adquiriram em sua existência secular, tem abusado dos recortes dos fatos, da omissão de dados, das conclusões sem fundamento, do enviesamento da notícia, quando não da prática da mentira pura e simples para destruir seus inimigos escolhidos. Seu reconhecimento como, ainda,  fonte idônea de informações, tem servido como escudo nessa guerra suja que promove.

Quando esses jornais acusam as mídias independentes de falsificadores de notícias, o que eles estão tentando fazer, na verdade, é esconder suas próprias mentiras. Quem acompanha, de forma isenta, a atuação desses grandes jornais nos últimos anos e, mais especialmente, nas eleições americanas e, agora, em nossas eleições aqui no Brasil, vê claramente o quanto eles têm agido de maneira bem pouco fiel à verdade dos fatos. As pessoas estão percebendo isso e, para tentar livrar-se das acusações, o melhor a fazer acaba sendo usar a tática já bem conhecida de acusar os outros daquilo que ela mesmo faz.

No fundo, o que a grande mídia quer é eliminar a concorrência nestes novos tempos quando se sente ameaçada pelas novas formas de comunicação – a qual, digamos, ela ainda não conseguiu se adaptar. É que as mídias independentes estão tornando-se, gradativamente, as fontes preferenciais dos leitores. Não estando presas às determinações editoriais de redações tomadas por militantes ideológicos, nem submetidas aos interesses de proprietários historicamente comprometidos com o poder estabelecido, elas sentem-se livres para apresentar as notícias de uma maneira muito mais dinâmica e imparcial. E os leitores percebem isso e começam a escolhê-las como as suas fontes preferenciais de informações.

Obviamente, tudo isso tem deixado os jornalões desesperados e tentar destruir aqueles que os ameaçam é o que lhes resta. E espalhar que são os outros que estão disseminando Fake News é a maneira mais óbvia que eles escolheram para tentar sobreviver e ocultar seus próprios pecados.

Ideologia de ocasião

Há quem ainda se surpreenda com a repentina mudança de discurso de Fernando Haddad, que anda incluindo, em suas promessas, bandeiras que historicamente nunca foram próprias de seu partido. Há quem ache estranho essa repentina mudança de tom, que se apresenta em dissonância com o próprio plano de governo do PT e com as próprias palavras do candidato até alguns dias atrás.‬

‪Mas, realmente, não há com o que se surpreender. Na verdade, as pessoas precisam aprender, de uma vez por todas, que comunismo não é uma ideologia, no sentido de ser uma doutrina rígida, à qual seu adeptos se apegam de maneira inflexível, ainda que isso lhes acarrete algum prejuízo. Não! Comunismo não é isso. Comunismo é, de fato, e tão somente, um projeto de poder. ‬

‪E qual é o papel, então, da ideologia nesse projeto de poder? A ideologia existe única e exclusivamente para permitir que os comunistas acessem, permaneçam e fortaleçam-se no poder. Toda a ideologia comunista existe para perpetuar um grupo no controle da sociedade.‬

Por isso, nada impede o comunista de mudar seu discurso se isso for lhe ajudar a obter o poder. Foi assim, em 1921, quando Lenin percebeu que a aplicação da ideologia estava levando a economia russa à ruína. O líder bolchevique, naquela ocasião, não teve problema algum em suspender o marxismo no país para permitir que o capitalismo voltasse a ser praticado livremente. Assim, ele evitou que os comunistas perdessem o poder – pois isso era o mais importante – ainda que às custas de qualquer ortodoxia teórica.‬

‪Saiba, portanto, que o PT, sendo um partido declaradamente comunista, é capaz de vender a própria alma para estar no poder. Não me surpreenderia que seus membros e seu candidato passassem a defender ideias contrárias àquelas que eles mesmos sempre defenderam, como o armamento da população, a redução de impostos, o endurecimento da repressão contra o crime, apenas para angariar os votos que lhes permita voltar ao poder.‬

‪Por isso, não ouçam promessas de petistas – elas não valem absolutamente nada.