Amigos envergonhados do rei

Não se enganem! Entre estes que dizem que não votam em nenhum dos dois candidatos na disputa eleitoral, boa parte é formada por gente que gostaria muito de votar no PT. São empresários, artistas e políticos que somente não declaram seu apoio à organização criminosa porque isso não é bom diante da opinião pública.

No entanto, eu não me iludo quanto à mentalidade desses partidários do isentismo. Sei bem quem eles são e como se acostumaram ao conluio com o poder e ao aproveitamento das benesses do Estado em favor de seus negócios e atividades. Repito: eles apenas não estão declarando seu apoio ao PT por falta de clima favorável para isso.

Por acaso, alguém duvida que mamadores de empréstimos generosos do BNDES, aproveitadores das facilidades da Lei Rouanet, beneficiários de anistias fiscais personalizadas e amigos do rei, que são protegidos pelo governo contra os riscos do livre mercado, gostariam que o sistema mudasse tão bruscamente de direção? Vocês acham que gente que ganhou tanto nos anos de direção petista está à vontade com um próximo governo que está prometendo acabar com os privilégios e estimular a concorrência?

Eles não declaram seu apoio ao PT porque não pega bem, mas, se pudessem, assim fariam, porque o problema deles não é com a política petista. Pode ser que eles se incomodem, um pouco, com a roubalheira da quadrilha, afinal, ninguém gosta de ver seu nome vinculado a bandido. No entanto, é certo que as benesses que eles sempre tiveram por meio desse partido é algo que, certamente, não gostariam perder.

A autodefesa da grande imprensa

Para a grande mídia, as Fake News são sempre as dos outros. Isso ficou muito claro, para mim, quando eu li o livro do jornalista inglês, Matthew D’Anconna, chamado Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. O pressuposto desse livro é muito simples: o que a mídia tradicional publica é verdade; o que a contraria, falso. Para essa imprensa oficial, que se considera a única e verdadeira, tudo o que não sai de suas próprias prensas é tido por suspeito de antemão.

E, hoje em dia, seu alvo principal tem sido as mídias independentes que surgiram, principalmente, com o advento da internet, e vêem fortalecendo-se a cada dia, começando a serem vistas como um risco à sobrevivência dos jornais tradicionais.

O certo seria, então, que a grande mídia fizesse uma autocrítica, tentando entender as razões porque vem perdendo terreno para o jornalismo avulso. Porém, faz autocrítica quem pretende honestamente rever suas atitudes, e o que estamos testemunhando é uma imprensa desonesta, que tem mentido, distorcido e omitido deliberadamente.

Chega a ser revoltante ver esses jornalões, que vem lançando mão de todas os meios possíveis para enganar seus leitores, com notícias tendenciosas e opiniões enviesadas, acusar as mídias alternativas de praticarem Fake News.

Mas, de certa maneira, tudo isso é compreensível. O ataque da grande mídia às mídias independentes não passa de um ato de autodefesa.

A imprensa tradicional não quer perder o seu poder. Basta ver que, até aqui, foi ela quem deteve o monopólio da narrativa. Foi ela que sempre determinou quem eram os heróis e quem eram os vilões da história. Com isso, obviamente, ela cometeu terríveis injustiças. Mais ainda, ela dirigiu a cultura do país para onde quis – e o que ela quis não está exatamente de acordo com o que as pessoas comuns querem também. E o que ela pretende é manter-se como a direcionadora do pensamento nacional. O problema, porém, é que a profusão de mídias independentes está furando esse bloqueio, apresentando narrativas alternativas, colocando em discussão o viés da grande mídia e desmentindo muito do que ela vinha contando ao público há muito tempo.

Esconder as próprias mentiras, nesse caso, passa a ser uma questão de sobrevivência. Quando ela, então, acusa as pequenas mídias de serem propagadoras de Fake News, na verdade, está desviando a atenção do leitor de suas próprias artimanhas.

Isso porque, essa grande imprensa, aproveitando-se da credibilidade que adquiriram em sua existência secular, tem abusado dos recortes dos fatos, da omissão de dados, das conclusões sem fundamento, do enviesamento da notícia, quando não da prática da mentira pura e simples para destruir seus inimigos escolhidos. Seu reconhecimento como, ainda,  fonte idônea de informações, tem servido como escudo nessa guerra suja que promove.

Quando esses jornais acusam as mídias independentes de falsificadores de notícias, o que eles estão tentando fazer, na verdade, é esconder suas próprias mentiras. Quem acompanha, de forma isenta, a atuação desses grandes jornais nos últimos anos e, mais especialmente, nas eleições americanas e, agora, em nossas eleições aqui no Brasil, vê claramente o quanto eles têm agido de maneira bem pouco fiel à verdade dos fatos. As pessoas estão percebendo isso e, para tentar livrar-se das acusações, o melhor a fazer acaba sendo usar a tática já bem conhecida de acusar os outros daquilo que ela mesmo faz.

No fundo, o que a grande mídia quer é eliminar a concorrência nestes novos tempos quando se sente ameaçada pelas novas formas de comunicação – a qual, digamos, ela ainda não conseguiu se adaptar. É que as mídias independentes estão tornando-se, gradativamente, as fontes preferenciais dos leitores. Não estando presas às determinações editoriais de redações tomadas por militantes ideológicos, nem submetidas aos interesses de proprietários historicamente comprometidos com o poder estabelecido, elas sentem-se livres para apresentar as notícias de uma maneira muito mais dinâmica e imparcial. E os leitores percebem isso e começam a escolhê-las como as suas fontes preferenciais de informações.

Obviamente, tudo isso tem deixado os jornalões desesperados e tentar destruir aqueles que os ameaçam é o que lhes resta. E espalhar que são os outros que estão disseminando Fake News é a maneira mais óbvia que eles escolheram para tentar sobreviver e ocultar seus próprios pecados.

Ideologia de ocasião

Há quem ainda se surpreenda com a repentina mudança de discurso de Fernando Haddad, que anda incluindo, em suas promessas, bandeiras que historicamente nunca foram próprias de seu partido. Há quem ache estranho essa repentina mudança de tom, que se apresenta em dissonância com o próprio plano de governo do PT e com as próprias palavras do candidato até alguns dias atrás.‬

‪Mas, realmente, não há com o que se surpreender. Na verdade, as pessoas precisam aprender, de uma vez por todas, que comunismo não é uma ideologia, no sentido de ser uma doutrina rígida, à qual seu adeptos se apegam de maneira inflexível, ainda que isso lhes acarrete algum prejuízo. Não! Comunismo não é isso. Comunismo é, de fato, e tão somente, um projeto de poder. ‬

‪E qual é o papel, então, da ideologia nesse projeto de poder? A ideologia existe única e exclusivamente para permitir que os comunistas acessem, permaneçam e fortaleçam-se no poder. Toda a ideologia comunista existe para perpetuar um grupo no controle da sociedade.‬

Por isso, nada impede o comunista de mudar seu discurso se isso for lhe ajudar a obter o poder. Foi assim, em 1921, quando Lenin percebeu que a aplicação da ideologia estava levando a economia russa à ruína. O líder bolchevique, naquela ocasião, não teve problema algum em suspender o marxismo no país para permitir que o capitalismo voltasse a ser praticado livremente. Assim, ele evitou que os comunistas perdessem o poder – pois isso era o mais importante – ainda que às custas de qualquer ortodoxia teórica.‬

‪Saiba, portanto, que o PT, sendo um partido declaradamente comunista, é capaz de vender a própria alma para estar no poder. Não me surpreenderia que seus membros e seu candidato passassem a defender ideias contrárias àquelas que eles mesmos sempre defenderam, como o armamento da população, a redução de impostos, o endurecimento da repressão contra o crime, apenas para angariar os votos que lhes permita voltar ao poder.‬

‪Por isso, não ouçam promessas de petistas – elas não valem absolutamente nada.

Putas do poder

Jornalista que corre para corroborar a versão governamental deixa de cumprir o principal de sua atividade para tornar-se mera putinha do poder.

Não deve-se esquecer que o princípio da democracia é a desconfiança quase absoluta em relação ao governo. Porém, no Brasil, desconfiar do governo torna o cidadão suspeito.

Eu aprendi que o verdadeiro jornalismo é a busca da verdade, instrumentalizada pelas informações que geralmente escondem-se por detrás dos dados mais visíveis. O bom jornalista sempre foi caracterizado por descortinar a aparência, tornando possível o vislumbre do que realmente são os fatos.

No entanto, o jornalismo brasileiro tornou-se escravo de um espectro político, escravo de partidos, escravo de uma ideologia. Jornalistas tornaram-se putas da esquerda.

A pressa com que, nestas eleições, os jornalistas e os veículos da grande imprensa correram para corroborar a versão do governo de que tudo estava correndo na mais perfeita ordem – apesar das milhares de denúncias feitas pelos cidadãos – mostram que o jornalismo brasileiro deixou de ser jornalismo há muito tempo.

O que a grande imprensa fez é o anti-jornalismo. Ao não considerar a possibilidade de estar ocorrendo algum problema com os votos, ignorando as reclamações de antemão, ela mostrou a todo o país que seu papel é estar a serviço do establishment. Podem se apresentar como jornalistas, mas são meros panfleteiros do poder estabelecido.

Por isso, a luta do povo não é apenas contra o governo. Mas contra toda a máquina do status quo que envolve também a quase totalidade da grande mídia brasileira.

Comunicação conservadora e o povo

O conservadorismo está aprendendo a falar com o povo e isso está fazendo uma diferença sensível na política atual.

O conservador, que é historicamente mais preocupado com as razões do seu próprio discurso, está começando a entender que o homem comum – aquele que realmente representa a opinião pública e define qualquer eleição – é sintético. A maneira dele pensar é resumida. Ele não se detém aos detalhes do processo de compreensão do que quer que seja. O homem comum simplesmente, sabe. Não sabe bem porque sabe, mas sabe.

E apesar do que isso pode parecer, essa forma de pensar do homem comum não significa necessariamente que suas opiniões sejam equivocadas. Pelo contrário, mesmo sem saber as razões de seu conhecimento, muitas vezes o que o homem comum pensa reflete a verdade.

Quando, portanto, há a batalha de discursos, típica dos embates políticos, o homem comum tende a assumir com mais naturalidade as narrativas mais verdadeiras. Se, porém, durante tanto tempo, ele foi enganado por discursos mentirosos, é porque quem falava de maneira que ele compreendesse era mentiroso e quem, de fato, detinha a verdade, não sabia se comunicar com ele.

Porém, isso vem mudando. O discurso político conservador vem aprendendo que quem quer falar com o povo não deve se preocupar demais com a exposição dos detalhes. Quem faz isso, dificilmente é compreendido. O conservador está começando a entender que uma comunicação eficaz com a gente comum se apresenta por meio do símbolo reduzido a uma imagem, uma expressão ou uma frase.

Os esquerdistas vinham dominando a retórica política porque se tornaram mestres nesse tipo de comunicação. Tanto que, como nós temos testemunhado nestas eleições, eles não têm nenhum problema de imputar aos seus adversários meros adjetivos, por meio de expressões como homofóbico, racista, nazista, misógino, ou fazer uso de simples slogans, como ele não, ele nunca entre outros do mesmo tipo.

Os conservadores, por outro lado, sempre tiveram um certo pudor quanto ao uso desse tipo de linguagem, porque sempre acreditaram que ela não é um tipo de comunicação exatamente honesta.

O problema é que esse tipo de linguagem é o único compreendido pelas pessoas simples e, portanto, quem quiser falar, de maneira a ser compreendido por elas, precisa aderir a essa forma de se expressar.

Por isso, se o conservador quiser realmente tocar o coração do povo e iniciá-lo na verdade dos fatos não pode, na guerra política dos discursos, ter excesso de cuidados com o uso de expressões sintéticas como comunista, ladrão, kit gay, abortista etc. Se essas são expressões, quando observadas analítica e detalhadamente, imprecisas, ao menos são expressões que, diferentes daquelas usadas pelos esquerdistas, possuem o mérito de oferecer o indício necessário para conduzir o interlocutor no caminho da verdade, geralmente um tanto mais complexa, que se esconde por detrás delas.

Diante de tudo isso, o que deve diferenciar a maneira como os conservadores falam com o povo não deve ser a forma dessa comunicação. Não se pode deixar que apenas os esquerdistas usem slogans e frases de efeito. Permitir isso, é dar a eles, como sempre se deu, o monopólio do discurso político eficiente.

A grande diferença entre o discurso do conservador em relação ao do esquerdista deve ser apenas uma: suas sínteses devem refletir verdades. Sendo assim, elas, por sua própria natureza veraz, serão facilmente assimiláveis e absorvíveis pelo homem comum. Enquanto isso, as sínteses esquerdistas, sendo meras artificialidades, agora possuindo um contraponto verdadeiro, vão deixar de ter efeito. Até porque, normalmente, o que os esquerdistas costumam dizer  pode ser impugnado por uma rápida pesquisa no Google.

Grotesco inócuo

Os revoltados já não causam mais espanto. Podem sair às ruas com seus peitos ao vento, com seus cabelos coloridos, suas roupas rasgadas e vociferando palavras raivosas de ordem que, ainda assim, já não assustam mais ninguém.

Quando nos deparamos com esses manifestantes mijando nas calçadas, quebrando vidraças e simulando atos sexuais com objetos religiosos, por mais que ainda tenhamos desprezo por tais cenas, elas não conseguem mais nos chocar.

O que aconteceu é que, depois de tantos anos dessas pessoas despejando sobre nós suas esquisitices, suas provocações bizarras, seus apelos ao grotesco e seu uso do imundo para provocar nojo, acabamos todos dessensibilizados. Mesmo para o pai de família, para o trabalhador, para a dona-de-casa e até para o crente nada mais parece estranho, nada mais é absurdo.

Isso porque tudo aquilo que antes servia para causar escândalo simplesmente tornou-se lugar-comum. Esses rebeldes fizeram tanto para apresentar ao mundo uma versão grotesca da vida, que o grotesco tornou-se cotidiano. Dessa forma, o máximo que eles conseguem provocar hoje nas pessoas é desprezo – e aquela sensação de que tratam-se de meros coitados, clamando desesperadamente por atenção.

Além disso, eles não se deram conta de uma outra realidade: a de que a própria vida cotidiana passou a ser tão terrível que tentar torná-la ainda mais feia é simplesmente impossível. Pessoas que vivem na loucura do mundo moderno tendem a não se espantar com mais nada. O dia-a-dia anda tão estranho que, para as pessoas, um amontoado de gente esquisita fazendo obscenidades à vista de todos não passa de um fato inusitado, porém sem maior importância.

Na verdade, o mundo anda tão insano que já começa a haver um desejo de retorno às coisas mais simples, como o belo, o bem, e à verdade. Estamos tão saturados das vilezas que já nos chama mais atenção homens rezando, mães abandonando seus empregos para ficar com seus filhos e jovens pensando em se casar do que militantes fazendo arruaça no meio da rua.

O fato é que os rebeldes perderam sua narrativa e seu instrumento – que estavam totalmente baseados no escândalo. E agora que seus métodos tornaram-se inócuos, tudo o que lhes restou foi uma ideologia oca, escondida por detrás de uma aparência grotesca.

Feminismo para tempos de guerra

Este texto é para você, mulher, que está apoiando a campanha denominada de #Elenão, mas não é partidária do PT, não quer que o Brasil se torne um país socialista e acredita que esse movimento surgiu espontaneamente como reação a Jair Bolsonaro.

Sinto lhe dizer que você está agindo como uma idiota.

Não lhe parece estranho que a agenda feminista esteja ditando a pauta das eleições deste ano? De repente, em um país com tantos problemas urgentíssimos, principalmente em relação à violência causada pela criminalidade, só se fala de direitos das mulheres, de machismo, de equiparação de gêneros, homofobia e tudo o que envolve essas bandeiras feministas?

Pois vou lhe informar algo: nada disso surgiu por acaso e se você aderiu a essa gritaria nestas eleições saiba que você não passa de uma marionete nas mãos do PT.

Isso porque desde o impeachment da senhora Dilma Rousseff, tentou-se emplacar a narrativa de que o que havia ocorrido era um golpe patrocinado, principalmente, pelo machismo reinante na sociedade. Sendo a senhora Rousseff a primeira mulher presidente do país, insistiu-se que tirá-la do poder foi um ato contra todas as mulheres, e que seria, na verdade, um reflexo do que acontece em toda a sociedade.

Porém, os próprios promotores dessa narrativa, o Partido dos Trabalhadores, em sua administração interna, não agia coerentemente com ela, deixando, em seus postos e políticas, as mulheres em segundo plano, não trabalhando de maneira atuante tornando-as realmente beneficiárias da que era proposto e, também, mantendo-as apenas como coadjuvantes na direção do partido.

Não foi por acaso, portanto, que, em um processo de autocrítica partidária, em julho de 2017, a senadora Gleisi Hoffmann, apesar de todo o problema que já a cercava, como as ações criminais contra ela e todos os indícios de corrupção, foi eleita como a primeira presidente nacional mulher do Partido dos Trabalhadores. Era o pior momento pessoal para a senadora, mas o momento mais conveniente para a estratégia partidária.

Seguindo, então, essa onda de revisão dos próprios passos e preparando-se para traçar os caminhos para o ano que se seguiria, quando haveria eleições, é que, em outubro de 2017, o Partido dos Trabalhadores lançou, seu XII Encontro Nacional de Mulheres, onde apresentou seu Caderno de Teses, com o tema obviamente ligado às bandeiras feministas.

Foi ali que o plano de atuação do partido ficou traçado e isso significava dizer que, nas eleições de 2018, seriam as mulheres as protagonistas. Seriam elas que tomariam a frente das campanhas, das narrativas e da própria militância nas ruas. Como foi colocado no documento, “as eleições de 2018 serão uma oportunidade ímpar para o diálogo com a sociedade (…)”.

Esse diálogo nada mais era do que o levantamento de bandeiras feministas e a condução da sociedade para abraçar essas bandeiras. Para isso, a escolha da comunista Manuela D’ávila como concorrente à vice-presidente pela coligação partidária foi o fechamento perfeito para começar a se colocar em prática aquilo que havia sido determinado alguns meses antes. Afinal, “o PT, com seu ideário revolucionário (…) não pode mais ficar na defensiva (…) e [as] mulheres [foram e são] fundamentais(…)”.

Isso quer dizer que toda essa movimentação que se diz e favor dos direitos das mulheres nada mais é do que um cumprimento daquilo que já fora planejado, pelo menos, desde o ano passado, e que está sendo colocado em prática neste período eleitoral.

Por isso, é óbvio que não se trata de uma mera reação a um candidato específico, mas é o desenrolar de um plano muito bem construído para manipular a sociedade.

Eu afirmo que o objetivo é manipular a sociedade porque os direitos das mulheres se encontram ali apenas como 

instrumento para cooptar moças e senhoras desavisadas para ajudarem inconscientemente o partido a alcançar seus objetivos, fazendo com que “[elas se mantenham] em movimento contra esse golpe (…) o golpe imposto ao povo brasileiro e à companheira presidenta Dilma Rousseff”.

O partido tenta esconder, mas essas manifestações servem, principalmente, para “fortalecer a construção partidária, com perspectiva feminista e compromisso com bandeiras (…) [como] da legalização do ABORTO (…)”.

No entanto, é preciso entender que a atuação feminina nessa campanha não se dá para que seus direitos sejam preservados. Esses direitos são apenas a fachada para o objetivo principal. E o objetivo principal é a transformação do Brasil em um país socialista. Afinal, como diz o próprio caderno, “não há socialismo sem feminismo”.

E antes de você me acusar de estar tendo alucinações, atente-se para o fato de que o próprio partido, nesse Caderno de Teses, diz que defende “um feminismo anticapitalista”. Isso porque “as mulheres do PT entendem que a emancipação humana passa pela condição fundamental de extinção do atual modelo socioeconômico. Plena justiça social só será possível com a SUPERAÇÃO DO SISTEMA CAPITALISTA”.

Se todo esse pessoal está saindo às ruas, com palavras de ordem, a favor de todas essas bandeiras feministas, é porque seus organizadores entendem que “uma sociedade livre do machismo, do racismo, da LGBTfobia e de outras formas de opressão depende da criação de uma nova sociedade, e que esta seja COMUNISTA, cujo nascimento está atrelado à transição socialista”.

Por isso, entenda que se você participa dessas manifestações é porque concorda com a implantação do comunismo no Brasil. Se não concorda, saiba que estão lhe usando.

Talvez, para você, nada disso seja muito sério e participar dessas manifestações represente um tipo ingênuo de mostrar sua opinião. Tenha consciência, porém,  que para as petistas que organizam esses eventos tudo isso é crucial. Não é sem razão que, em seu documento, elas estão convocando “todas as mulheres do PT para somarem-se à construção de um Feminismo para TEMPOS DE GUERRA”.

Eleição das impressões

Em geral, pessoas comuns não são profundas. Poucas são aquelas que, de fato, refletem para além da mera superficialidade. Isso fica muito claro quando observa-se os debates políticos que se proliferam nessas épocas de eleições. Nestes dias, por toda parte, lê-se e ouve-se conclusões que são grandes edifícios construídos sobre palitos de dentes.

Isso não seria nenhuma excrescência se fosse um fenômeno restrito às pessoas comuns. No entanto, quando nos deparamos com as opiniões de boa parte dos analistas políticos, cientistas, jornalistas, pensadores e, inclusive, dos próprios políticos, constatamos que a opinião superficial deixou de ser a voz das massas, mas passou a ser o coro em uníssono de praticamente todo mundo, inclusive daqueles que dizem fazer parte da elite pensante.

O fato é que estamos viciados em impressões e essa é a origem da superficialidade reinante. Esse vício é a fonte de nossa pobreza cognitiva e, por isso, combato-o na primeira aula de meus cursos sobre leitura e pensamento. Isso porque tenho plena consciência que, enquanto não se supera essa mania por julgar tudo superficialmente, nenhum pensamento que se construa tem algum valor.

O que se constata nessas eleições é exatamente isso: todos os ataques, todas as críticas, todas as opiniões são fruto não de qualquer proposta concreta ou reação a essas propostas, mas simplesmente das sensações provocadas pelo superficialismo reinante. O excesso de adjetivos é a prova disso – homofóbico, racista, sexista, fascista não são, nem de longe, descrições da realidade, mas apenas xingamentos reflexos de sentimentos despertados. E quando isso acontece, tudo é possível, como chamar de nazista um defensor de Israel ou de fascista quem quer permitir o armamento da população.

Vício por arrecadação

Todo político brasileiro tem um vício, compartilhado com os analistas e administradores públicos: o vício por arrecadação. Essa gente pensa que um bom plano é aquele que consegue tornar os cofres do governo cada vez mais gordos. No fim das contas, seu sucesso é medido pelo quanto ele consegue lançar-se sobre o bolso do contribuinte. Mesmo liberais, quando falam em cortar impostos, pensam em fazer isso de maneira eficiente, de forma que, ainda assim, o Estado arrecade mais.

O mais incrível é que qualquer proposta tributária que insinue a diminuição da arrecadação é logo tida por coisa de gente ingênua, quando não estúpida. Foi assim que se referiram a Paulo Guedes, quando ele propôs uma diminuição nas alíquotas do imposto de renda. Essas críticas mostram como a mente do administrador público brasileiro, e do analista político também, está cativa a um formato de governo burocrático e faminto.

Eu já vinha pensando em escrever sobre isso, porém, antes de colocar esses pensamentos no papel, veio o candidato à presidência, Jair Bolsonaro, e, em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, falou algo que, para a mente refém da ideia do governo arrecadador, soa como uma heresia. Ele disse: “Quero uma coisa: que a União arrecade menos”.

Imagine quanto os tributaristas e gestores públicos devem ter ficado escandalizados com essa prova de ignorância do presidenciável. Como alguém que pretende ser presidente da República propõe algo que faça o governo ter menos dinheiro?

Porém, é exatamente nisto que reside a peculiaridade na proposta do presidenciável. Ela parte do princípio de que o indivíduo vem antes do Estado e da consciência de que a necessidade arrecadatória estatal não tem fim. Ela parte da compreensão de que quanto mais dinheiro entra para os cofres públicos, mais gastos surgem, mais dívidas públicas são feitas e mais necessidade por tributos é gerada.

O agente público, viciado em arrecadação, no entanto, não consegue ver lógica nesse pensamento, porque só sabe enxergar o lado do Estado. Pior, ele está tão refém do formato de governo que vem sendo praticado há décadas, que não consegue pensar formas de fazer com que esse mesmo Estado diminua drasticamente seus gastos, tendo cada vez menos necessidade de arrecadação.

Verdade seja dita: é preciso reverter esse ciclo infinito de aumento de impostos. Mas, para isso, é preciso, antes, mudar a mentalidade do próprio agente público, que vê na capacidade de aumentar a arrecadação um mérito. De repente, essa visão pioneira e corajosa apresentada pelo candidato Bolsonaro seja o início de uma nova mentalidade neste país, segundo a qual, mais importante do que encher os cofres públicos, seja enxugar as contas de maneira que a necessidade de arrecadação se torne cada vez menor.

Debate impossível

Não é incomum paladinos da tolerância surgirem com suas admoestações moralistas, dizendo que devemos manter um diálogo com os opositores, apesar das divergências. Aparentemente, as intenções são as melhores, que é manter uma certa civilidade nos debates públicos.

No entanto, quando se trata de debates com defensores da ideologia de esquerda, apesar da democracia obrigar-me a conceder-lhes o direito de falar, respeitá-los ou mesmo considerar seus argumentos é algo que sistema algum do mundo pode exigir de mim.

Isso porque tudo o que a esquerda tem a oferecer – seu ateísmo, seu ódio contra os valores familiares, seu descaso em relação ao nascituro, sua defesa da bandidagem, sua defesa das drogas, seu relativismo moral, sua estética medonha, sua militância anti-religiosa, seu esforço pela destruição do modo de vida ocidental e seu desejo declarado pelo fim de seus adversários políticos – não são matérias passíveis de discussões, mas atentados contra a civilização, que devem ser contidos.

Se a esquerda fosse apenas uma outra forma de enxergar a economia ou o papel do Estado, não haveria problema algum em manter os canais de comunicação e discussões abertos com ela. Porém, estes, na verdade, são os temas menos importantes para os socialistas. O que realmente está no cerne de seu objetivo é a substituição do mundo como conhecemos e vivemos por um outro completamente diferente, onde pessoas como eu não são bem vindos.

Por isso, há muito tempo deixei de considerar o debate político com as esquerdas apenas uma troca de ideias. Não fossem suas intenções declaradas, suas convicções sedimentadas e sua forma de agir, até poderia considerar essa possibilidade. No entanto, quando eu sei o que sei sobre eles, aceitar qualquer tipo de discussão civilizada com essas pessoas é como tentar combater terroristas, munidos de armas e bombas, com meros panfletos de repúdio. E eu não sou idiota a esse ponto.