A caridade e a vocação do escritor

“Nunca confunda a vocação de escritor com falta de caridade” – palavras da minha leitora Mônica Camatti.

A possibilidade de ferir sentimentos alheios nunca pode ser uma preocupação fundamental na atividade intelectual, pois é da natureza da crítica (e o trabalho intelectual é essencialmente crítico) tocar em feridas que doem.

Por isso, o escritor que se autocensura demais, com a preocupação de não magoar os outros, está limitando seu trabalho imensamente.

O que, de fato, deve balizar sua expressão é a verdade, a relevância, a utilidade e o bom-senso.

Eventuais ressentimentos devem ser considerados como efeito inescapável dessa atividade e, apesar de não dever constituir o fim dela, nem fonte de prazer para o escritor, não pode servir como limitador de seu trabalho.

Portanto, se, quando eu escrevo algo, afeto suscetibilidades, desculpe-me, essa nunca é minha intenção e nem me alegro com o fato.

O único problema é que deixar de escrever não é, no meu caso, uma opção.

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