Amar para compreender

Estudar outras culturas, religiões e movimentos ideológicos não é uma tarefa simples. Há diversas dificuldades que se apresentam para compreendê-los profundamente. Por serem manifestações humanas, carregam em si mesmas contradições, instabilidades e conflitos que se apresentam sempre onde os homens estão.

E não sendo como as ciências exatas, que aceitam o observador frio e distante, as humanas exigem dele um envolvimento que vai muito além do olhar indiferente e sem empatia. Se quiser entendê-las, o estudioso precisa mergulhar, não apenas nos fatos e doutrinas, mas no imaginário e sentimentos daqueles que fizeram e fazem parte dos grupos investigados.

Em suma, de alguma maneira é preciso amá-los!

Se o amor é deixar-se absolver pelo outro, não tenho nenhuma dúvida que quem quiser compreender, da maneira mais profunda possível, a mentalidade de pessoas que pertencem a coletividades as quais ele mesmo não pertence, precisa permitir-se pensar como elas, sentir como elas, imaginar como elas. Precisa, enfim, amá-las!

Mas como é possível fazer isso quando se deparam com ideias tão diferentes e tão contrárias aquilo mesmo que acreditam?

O único jeito é buscar o que há de universal nessas culturas, pois mesmo os movimentos mais encarniçadamente ideológicos possuem, em seu cerne, algo que lhes dá, no mínimo, um sentido com o qual concordamos e está de acordo com nossa visão do mundo. Ainda que seja apenas uma farsa, ali está o motivo que mantém muitos na mentira e engana tantos. Seja a promessa de justiça social do marxismo ou o ensinamento de obediência irrestrita a Deus dos islâmicos, existem ali preceitos com os quais podemos nos identificar e neles está a chave que nos abrirá as portas para a compreensão mais profunda da mentalidade de seus membros.

Esse é um exercício difícil! Apenas pessoas bem resolvidas e seguras de si mesmas conseguem aplicá-lo. Os outros preferem fechar-se em seus castelos de certezas levianas, com suas metralhadoras apontadas contra todos que ousam se aproximar de suas fortalezas, atirando contra elas sem sequer levantar a cabeça. Fazem isso por uma boa causa, que é não contaminar-se. No entanto, tal atitude não lhes protege de um outro mal: a ignorância.

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