As duas mentiras

Existem dois tipos de mentiras. Uma delas é meramente humana e ocorre toda vez que alguém tenta esconder algo, principalmente um erro ou uma atitude condenável. A pessoa que lança mão deste tipo de mentira tem como objetivo proteger-se do julgamento alheio, da condenação, da cobrança, da perseguição ou mesmo quer evitar algum tipo de desconforto.

Obviamente, a mentira, em geral, é condenável. No entanto, ninguém pode negar que ela é recurso humano, usada para livrar a pessoa daquilo que ela entende incômodo ou indesejável. A mentira meramente humana existe para satisfazer o próprio ventre, e é fruto da luxúria, da vaidade, do desejo e da paixão.

Há, porém, um outro tipo de mentira que é muito mais perigosa e tem origem em algo bem além do mero interesse humano. É a mentira demoníaca. Por esta, não apenas a pessoa busca proteger-se, de alguma maneira, mas usa-a para alterar a própria realidade do mundo onde ela e todas as pessoas ao seu redor vivem.

Enquanto na mentira meramente humana, a pessoa mente com consciência, sabendo que aquilo que diz é falso e é apenas uma tentativa de ludibriar o outro, na mentira demoníaca não apenas há a fraude, pura e simples, como o engano existencial, que é aquele que tenta não apenas esconder, mas alterar a própria realidade dos fatos.

O engano existencial é tão amplo que o próprio proferidor dessa mentira acaba acreditando nela. Neste, a mentira atua não apenas para proteger o indivíduo das consequências de um erro ou para dar-lhe condição de usufruir dele, mas para justificar a própria existência, tornando todos seus atos e interesses aceitáveis.

O primeiro pecado de Adão, conforme o Gênesis, foi a típica mentira demoníaca. Por sugestão do próprio demônio, o primeiro homem acreditou na mentira de que comer o fruto da árvore proibida não seria uma agressão a Deus, como lha havia sido ensinado. Assim, mentiu para justificar seu interesse de igualar-se ao Criador.

Seu segundo pecado, porém, foi meramente humano, que ocorreu quando ao ser indagado das razões de seu ato, tentou justificá-lo de todas as formas. Ali, pensou apenas em proteger-se das consequências de seu ato.

O pecado humano é típico dos fraudadores, dos corruptos, até dos ladrões. Ocasionalmente, todas as pessoas praticam-no. Suas consequências podem variar, mas costumam ser bastante localizadas e temporárias.

A mentira demoníaca, porém, é ampla, permanente e perigosa.

Por isso, o grande perigo que encontramos nos movimentos ideológicos, principalmente naqueles que se movimentam em direção à tentativa de construção de uma nova sociedade (utopia), é que estão fundamentados sobre uma grande mentira demoníaca. Sua visão de mundo é tão distorcida, tão fora da realidade, que, pode-se dizer, seus militantes parecem começar a viver em um mundo paralelo, com princípios, idéias e objetivos completamente diferentes das pessoas normais.

Sendo assim, tudo o que dizem, o que pensam, o que promovem não têm nada a ver com a realidade experimentada pelas pessoas comuns, mas são apenas reflexo dessa esquizofrenia grupal que lhes acomete.

Quando vemos um militante ideológico de esquerda falando, temos a impressão que trata-se de um mentiroso, simplesmente. Mas é mais que isso. Ele é um possuído. Na verdade, ele está tomado pela mentira demoníaca, que lhe aliena da realidade, fazendo-o viver em um mundo à parte, onde suas convicções ideológicas, por mais criminosas que sejam para o restante das pessoas, são justificadas.

Portanto, não há porque escandalizar-se com as mentiras contumazes ditas pelos esquerdistas. Sinceramente, nem eles mais percebem que estão mentindo. Não porque sejam bonzinhos e apenas engados, mas é porque a mentira demoníaca já tomou o seres deles tão plenamente, que, em uma inversão infernal, o que para os outros é mentira, para eles é verdade, o que para o mundo é ruim, para eles é bom, o que para o restante das pessoas é desprezível, para eles é o que dá sentido para suas vidas.

 

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