Autoritarismo do bem

January 11, 2017: Police officers surround demonstrators during an act against the increase in public transportation fares in the city of S√£o Paulo in Brazil

Ser um defensor da humanidade é uma boa maneira de parecer virtuoso. E o melhor: sem riscos. Afinal, a humanidade não é ninguém, especificamente. Ao mesmo tempo, a humanidade somos todos nós. Assim, ao defendê-la, quem o faz se coloca ao lado de todos, sem precisar se comprometer com ninguém.

Quem se coloca na posição de defensor de uma abstração chamada humanidade imediatamente vira-se contra pessoas concretas, pois são estas que supostamente podem fazer mal a ela. Assim, todo defensor ferrenho da humanidade não vê problema algum em ameaçar quem quer que seja, pois faz isso em nome da coletividade.

Quando alguém, como o biólogo Átila Iamarino, por exemplo, escreve que aqueles que se negam a ser vacinados devem ser obrigados a tal, por meio do que ele chamou de “autoritarismo necessário”, faz isso porque está acobertado pela virtuosidade da defesa do bem comum. Isso lhe permite se expressar como um tirano, mas se apresentando como um benemerente.

Obviamente, pensar no melhor para a humanidade não é um erro, por si mesmo. No entanto, quem faz isso sem levar em conta que ela não é só uma abstração, mas a soma de pessoas reais, vai acabar desprezando as próprias pessoas reais em favor da humanidade. Não por acaso, esses que dizem defendê-la costumam ser os primeiros a perseguir os indivíduos.

Por isso, sempre desconfio dos grandes virtuosos defensores da humanidade. Muitos deles, inclusive, foram exatamente aqueles que se transformaram nos maiores genocidas que este mundo já conheceu.


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