A argumentação na busca da verdade

Certa vez, um amigo questionou-me se eu acreditava que meus argumentos estavam sempre certos. De pronto, respondi-lhe que sim. Afinal, se eu não acreditasse nisso, que motivo teria para expô-los? Eu sempre gostei de argumentar. Para mim, é como um exercício: ao mesmo tempo que cansa, fortalece. É que a argumentação exige raciocínio, e também…

Homeagem ao leitor

Tem escritor que tenta escrever do jeito que o leitor fala. Imagina que, dessa maneira, conquistará o seu respeito. Ele pensa: “Se eu me expressar de um jeito bem popular, vou gerar identificação em quem me lê e fazer com que goste de mim”. Escolhe as palavras mais simples, as construções mais banais, o fraseado…

Grandiloquência desnecessária

Escrever algo simples de maneira pomposa é horrível. É a primeira demonstração de que o escritor está tentando esconder algo por detrás da grandiloquência. Todo excesso indica algum tipo de compensação. Falar sem parar, comer muito, beber demais, parecem sempre dissimular algum tipo de ansiedade, frustração, medo ou neurose. Na escrita não é diferente. Há…

A aplicação da teoria da argumentação de Perelman na política

Chaim Perelman, conhecido por seus estudos sobre argumentação, foi um defensor do diálogo. Forjado intelectualmente nos período do pós-Guerra e testemunha do mal perpetrado pelo pensamento absolutista das ideologias, acreditava na potência humana de implementar o diálogo e chegar a soluções razoáveis. Por causa disso, muitos de seus comentadores e admiradores têm-no como um expoente…

Comunicação ideal ou ingênua

A busca de uma linguagem conciliadora, que tenha por objetivo o acordo, é o que alguns teóricos entendem como o ideal na política. Sonham com debates ordeiros e educados, onde todas as partes expõem seus pontos de vista para chegarem a uma espécie de síntese superior a qual todos se submeteriam respeitosamente. O que esse…

Uma censura cordial

As Guerras Mundiais, a Guerra Fria e a ameaça de holocausto nuclear condenaram o discurso político incisivo. Tornou-se pecado falar com firmeza e tratar o adversário como inimigo. Começou-se a exigir que todo orador buscasse o equilíbrio e a razoabilidade. Em tese, as intenções pareciam boas. Contra o que C. Wright Mills chama de realismo…

Como um cão que fareja a migalha

O escritor tende a mergulhar dentro de si para buscar as melhores ideias. Na sua mente acredita estarem os dados necessários para expor sua criatividade. Prefere isolar-se em seu próprio mundo, evitando que a dispersão do ambiente lhe atrapalhe. Nós mesmos temos essa visão do escritor. Imaginamo-lo absorto em seus pensamentos, cerrado em seus raciocínios….

Tudo importa para a oratória

A formação de um bom orador vai muito além do desenvolvimento de sua fala. Basta considerar que a fala é apenas a expressão do pensamento, portanto, é a ponta final de um processo que se inicia muito antes da verbalização. Se testemunhamos uma infinidade de oradores medíocres, isso deve-se menos a algum problema na capacidade…

Falar bem é fundamental

Saber falar em público não é uma capacidade como aquelas que se agregam ao currículo e que servem mais para ostentação do que para o uso. Não é uma habilidade que se pode adquirir por acréscimo, daquelas que podemos decidir se a teremos ou não. Há quem pense que aprender a falar em público é…

Realidade desgastada

Não há qualquer garantia de que o que o ouvinte está absorvendo seja exatamente igual àquilo que o orador está falando. Ainda que esse orador fizesse uma descrição detalhada do seu gato, por exemplo, e na audiência estivesse um exímio desenhista, nada poderia assegurar que esse desenhista conseguisse reproduzir, no papel, exatamente o felino descrito….