Ódio ao empresário

Está arraigada na cultura brasileira o ódio ao patrão. Na cabeça do homem simples, que foi envenenada com décadas de discursos anticapitalistas, aquele que lhe dá emprego, na verdade, o explora.

Um professor destilou ódio contra os ricos empresários e disse que luta para que seus alunos não se conformem em ser subalternos, pois eles podem ser patrões. Que pena que seus alunos, quando alcançarem isso, serão odiados pelo seu ex-professor.

As pessoas, quando odeiam seus patrões, costumam apenas pensar no dinheiro que estes ganham, mas ignoram completamente os problemas, os temores e os riscos que eles suportam. Na verdade, tais críticos não possuem a fibra comum ao empresário e não têm coragem para arriscar-se como ele. Odeiam o empreendedor porque não sabem ganhar dinheiro da mesma maneira.

O fato é que aqueles que mais reclamam de seus patrões, normalmente, são os mais vagabundos. Quem trabalha seriamente sabe o valor que o trabalho tem. Quem entende a nobreza do esforço e o sentido da recompensa não fala mal de quem lhe dá emprego, mas quer um dia ser como ele.

Nunca tenha inveja de alguém rico. São as fortunas que proporcionam as oportunidades, os empregos e fazem a economia girar. Acabe com os ricos e sobrará apenas a miséria para ser equanimemente distribuída.

A empresa pública e a monopolista

Pior que uma empresa pública é uma que, ainda que privada, possua um monopólio em determinada área de atuação. Isso porque enquanto a empresa pública apresenta todos os defeitos ordinários de um estabelecimento do governo: a falta de qualidade, o desestímulo de seus funcionários, a politicagem e a burocracia, pelo menos ela não aparece para a opinião pública fingindo aquilo que não é.

Por outro lado, uma empresa que possua o monopólio em uma determinada área de atuação parece estar no jogo do mercado, quando não está. Na verdade, a empresa monopolista, pela falta de concorrência, que é o maior estímulo para a melhora de qualquer prestação de serviços, acaba sendo tão ineficiente quanto qualquer empresa pública, com o agravante de que esta ainda possui canais de pressão política, o que inexiste para o monopolista, que se esconde por detrás dos contratos.

O fato é que ambos os modelos de atuação no mercado citados são ruins. Porém, a empresa pública, pelo menos, tem a qualidade de não parecer ser o que não é. Enquanto isso, aquela que possui o monopólio, apesar de apresentar todos os defeitos comuns do serviço público, finge estar no mercado, como se atuasse dentro de uma capitalismo competitivo, quando, de fato, é apenas uma privilegiada por poder fazer seus negócios sem o risco comum que atinge qualquer empresário.

5 razões por que os serviços públicos são geralmente de pior qualidade

Há muitos motivos para não se preferir os serviços públicos. E veja que não estou falando de corrupção, desvio de verbas ou politicagem. Estes são outros problemas, até mais sérios, mas que prefiro tratá-los em outro momento. Aqui quero oferecer, simplesmente, cinco razões práticas por que os serviços prestados por uma empresa pública ou ente estatal sempre tendem a ser de pior qualidade:

1 – Empresas públicas, geralmente, não sofrem concorrência

A concorrência é o que faz as empresas preocuparem-se com a prestação de bons serviços, com a entrega de produtos de qualidade. Quando uma empresa vê-se ameaçada com a eficiência de um concorrente, corre para não ficar para trás e perder seus cliente. As empresas públicas, por seu lado, não têm esse problema. Por isso, elas têm uma tendência à estagnação e, por consequência, à perda da qualidade na prestação dos seus serviços.

2 – Empresas públicas estão sujeitas a uma burocracia exagerada

Os entes públicos estão sujeitos a normas detalhadas de funcionamento. Nada pode ser feito sem que seja minuciosamente documentado. Isso existe para dar transparência em relação a suas atividades. O problema é que isso, principalmente em um mundo tão veloz como o atual, acaba prejudicando a dinâmica dos serviços. Por exemplo, uma prefeitura ficou dois anos com suas ambulâncias novas paradas só porque não foram feitos os editais para o seguro dos veículos. Em uma empresa privada, isso seria resolvido em 2 dias, no máximo.

3 – Empresas públicas não têm donos

Uma empresa privada possui donos, sejam sócios, sejam acionistas. De qualquer forma, há quem perca financeiramente se a empresa não for bem. Isso, obviamente, faz com que haja uma cobrança eficiente por bons serviços e uma busca incessante por melhora deles. Uma empresa pública, por outro lado, pode ter chefes e gerentes, mas ninguém responde pelas perdas da empresa, ninguém sofre prejuízos diretos com isso.

4 – Os funcionários de empresas públicas, em geral, não temem ser demetidos

Entenda, não quero dizer que todos os funcionários públicos são incompetentes. Pelo contrário, conheço muitos que trabalham muito bem. O problema é que estes fazem isso por iniciativa e índole próprias, não por necessidade. A estabilidade dos funcionários públicos traz tal segurança que ele não é motivado a desenvolver-se, a melhorar. Isso vai refletir em maus serviços, obviamente. Quem não tem medo de perder o emprego fica muito tentado a acomodar-se.

5 – Empresas públicas estão sujeitas a interesses políticos

Os governos mudam, as ideologias dos mandatários também. Por mais que uma empresa pública adquira alguma independência gerencial, sempre estará sujeita aos interesses políticos (vide o caso da Petrobrás). Isso faz com que projetos em andamento sejam abandonados e falte estratégia a longo prazo. Além do que, muitas vezes, a atividade da empresa pública é utilizada apenas para favorecer a imagem do atual governante, e não na busca de efeitvas melhorias do serviço.

Eu poderia listar diversos outros motivos, mas estes aqui bastam para deixar claras minhas razões.

E que não me venham dizer que eu estou generalizando, porque estou mesmo. É óbvio que pode haver exceções, mas estas servem apenas para confirmar a regra. Aliás, sobre generalizações, leia meu texto O uso da generalização é um artifício inteligente.