Comprar é um ato humanitário

Comprar é um ato humanitário. Por isso, eu sou um entusiasta do consumo. E tudo isso, por um motivo muito simples: eu tenho noção de como as coisas funcionam.

Quando eu vejo um bem de consumo, eu não tenho aquela visão rasteira de quem apenas enxerga a matéria visível final. Um carro de luxo, por exemplo, se apresenta para mim mais do que em sua aparência fenomênica. Antes de tudo, eu olho para além do carro e vejo toda uma cadeia produtiva que está por detrás dele e que envolve uma logística complexa e absurda. Uma logística que absorve uma multidão de seres humanos que são remunerados exatamente por estarem ali naquele sistema de produção.

Você tem noção do que envolve a fabricação de um automóvel? Desde sua  idealização, seu projeto, a matéria-prima necessária para sua construção, a fabricação dos acessórios, que não são poucos, a montagem, o armazenamento, a distribuição, o transporte, a venda e até a manutenção, tudo isso coloca em funcionamento uma máquina que envolve milhares e milhares de pessoas.

Então, um carro de luxo, pelo menos para mim, é mais do que um objeto de desejo.  Aliás, eu sequer me interesso por ele enquanto objeto de uso.

Quando eu olho um Porsche, o que eu vejo é uma sequência de atos que movimenta milhares de pessoas. Uma Ferrari, para mim, representa um monte de gente podendo levar comida para a casa, podendo morar adequadamente, podendo fazer uma festa de aniversário para o filho.

É por isso que essa hipocrisia de quem critica o consumo não se sustenta.

Esses bens, seja de luxo ou não, são o que permitem a existência do mercado. O mercado é o que permite haver empregos. São os empregos que permitem que as pessoas vivam dignamente. E o que alimenta o mercado é o consumo.

Isso mesmo! Para manter isso tudo funcionando, as pessoas precisam comprar.

Então, caro leitor, quando você compra alguma coisa, o que você está fazendo é um ato de humanidade. Porque comprar é permitir que esse mercado continue existindo. E o mercado continuando a existir significa que as pessoas podem continuar tendo seus empregos. E elas tendo seus empregos, seus filhos vão estar bem alimentados e ninguém vai passar necessidade.

Por isso, quer ser bonzinho? Quer colaborar para diminuir a fome no mundo? Então, consuma mesmo, compre mesmo, use seu dinheiro para sustentar essa roda virtuosa. E deixe esse papo de comunista para lá, pois a única coisa que comunista faz bem é distribuir a miséria.

Quem pensa como comunista pode até ter boas intenções, mas não está ajudando em nada quem realmente precisa colocar comida na mesa.

Livre-mercado global

O livre-mercado pode ser abordado sob dois aspectos: nacional e global. No primeiro, tudo é muito claro. As empresas estão sob as mesmas regras, com a ressalva de alguns detalhes tributários regionais, e encontram, diante de si, os mesmos obstáculos e incentivos, a mesma liberdade e os mesmos entraves.

Quando, porém, fala-se em mercado global, as categorias certamente não são as mesmas. Considerando o princípio da soberania dos países, as empresas envolvidas nas negociações internacionais, apesar de obedecerem a algumas regras comuns, também estão sujeitas aos sistemas de seus respectivos países, que são obviamente diferentes, variando em seu nível de liberdade econômica.

Fica evidente, com isso, que não existe um livre-mercado, de fato, em nível mundial. O que há é um sistema de negócios que tenta colocar todos os participantes em um mesmo patamar, mas que, invariavelmente, encontra os mais diversos entraves e tratamentos diferenciados nas legislações nacionais.

Nesse contexto, é óbvio que uma empresa localizada em um país onde a liberdade econômica é menor, onde há mais tributos e as regulamentações são mais opressivos ficam em desvantagem, nesse jogo comercial global, em relação àquelas que se encontram em países onde o governo interfere menos em seus negócios

Portanto, chamar de livre-mercado esse jogo onde uns possuem mais vantagens competitivas do que outros, é possível apenas como analogia, não como verdade concreta.

Ódio ao empresário

Está arraigada na cultura brasileira o ódio ao patrão. Na cabeça do homem simples, que foi envenenada com décadas de discursos anticapitalistas, aquele que lhe dá emprego, na verdade, o explora.

Um professor destilou ódio contra os ricos empresários e disse que luta para que seus alunos não se conformem em ser subalternos, pois eles podem ser patrões. Que pena que seus alunos, quando alcançarem isso, serão odiados pelo seu ex-professor.

As pessoas, quando odeiam seus patrões, costumam apenas pensar no dinheiro que estes ganham, mas ignoram completamente os problemas, os temores e os riscos que eles suportam. Na verdade, tais críticos não possuem a fibra comum ao empresário e não têm coragem para arriscar-se como ele. Odeiam o empreendedor porque não sabem ganhar dinheiro da mesma maneira.

O fato é que aqueles que mais reclamam de seus patrões, normalmente, são os mais vagabundos. Quem trabalha seriamente sabe o valor que o trabalho tem. Quem entende a nobreza do esforço e o sentido da recompensa não fala mal de quem lhe dá emprego, mas quer um dia ser como ele.

Nunca tenha inveja de alguém rico. São as fortunas que proporcionam as oportunidades, os empregos e fazem a economia girar. Acabe com os ricos e sobrará apenas a miséria para ser equanimemente distribuída.

A empresa pública e a monopolista

Pior que uma empresa pública é uma que, ainda que privada, possua um monopólio em determinada área de atuação. Isso porque enquanto a empresa pública apresenta todos os defeitos ordinários de um estabelecimento do governo: a falta de qualidade, o desestímulo de seus funcionários, a politicagem e a burocracia, pelo menos ela não aparece para a opinião pública fingindo aquilo que não é.

Por outro lado, uma empresa que possua o monopólio em uma determinada área de atuação parece estar no jogo do mercado, quando não está. Na verdade, a empresa monopolista, pela falta de concorrência, que é o maior estímulo para a melhora de qualquer prestação de serviços, acaba sendo tão ineficiente quanto qualquer empresa pública, com o agravante de que esta ainda possui canais de pressão política, o que inexiste para o monopolista, que se esconde por detrás dos contratos.

O fato é que ambos os modelos de atuação no mercado citados são ruins. Porém, a empresa pública, pelo menos, tem a qualidade de não parecer ser o que não é. Enquanto isso, aquela que possui o monopólio, apesar de apresentar todos os defeitos comuns do serviço público, finge estar no mercado, como se atuasse dentro de uma capitalismo competitivo, quando, de fato, é apenas uma privilegiada por poder fazer seus negócios sem o risco comum que atinge qualquer empresário.

5 razões por que os serviços públicos são geralmente de pior qualidade

Há muitos motivos para não se preferir os serviços públicos. E veja que não estou falando de corrupção, desvio de verbas ou politicagem. Estes são outros problemas, até mais sérios, mas que prefiro tratá-los em outro momento. Aqui quero oferecer, simplesmente, cinco razões práticas por que os serviços prestados por uma empresa pública ou ente estatal sempre tendem a ser de pior qualidade:

1 – Empresas públicas, geralmente, não sofrem concorrência

A concorrência é o que faz as empresas preocuparem-se com a prestação de bons serviços, com a entrega de produtos de qualidade. Quando uma empresa vê-se ameaçada com a eficiência de um concorrente, corre para não ficar para trás e perder seus cliente. As empresas públicas, por seu lado, não têm esse problema. Por isso, elas têm uma tendência à estagnação e, por consequência, à perda da qualidade na prestação dos seus serviços.

2 – Empresas públicas estão sujeitas a uma burocracia exagerada

Os entes públicos estão sujeitos a normas detalhadas de funcionamento. Nada pode ser feito sem que seja minuciosamente documentado. Isso existe para dar transparência em relação a suas atividades. O problema é que isso, principalmente em um mundo tão veloz como o atual, acaba prejudicando a dinâmica dos serviços. Por exemplo, uma prefeitura ficou dois anos com suas ambulâncias novas paradas só porque não foram feitos os editais para o seguro dos veículos. Em uma empresa privada, isso seria resolvido em 2 dias, no máximo.

3 – Empresas públicas não têm donos

Uma empresa privada possui donos, sejam sócios, sejam acionistas. De qualquer forma, há quem perca financeiramente se a empresa não for bem. Isso, obviamente, faz com que haja uma cobrança eficiente por bons serviços e uma busca incessante por melhora deles. Uma empresa pública, por outro lado, pode ter chefes e gerentes, mas ninguém responde pelas perdas da empresa, ninguém sofre prejuízos diretos com isso.

4 – Os funcionários de empresas públicas, em geral, não temem ser demetidos

Entenda, não quero dizer que todos os funcionários públicos são incompetentes. Pelo contrário, conheço muitos que trabalham muito bem. O problema é que estes fazem isso por iniciativa e índole próprias, não por necessidade. A estabilidade dos funcionários públicos traz tal segurança que ele não é motivado a desenvolver-se, a melhorar. Isso vai refletir em maus serviços, obviamente. Quem não tem medo de perder o emprego fica muito tentado a acomodar-se.

5 – Empresas públicas estão sujeitas a interesses políticos

Os governos mudam, as ideologias dos mandatários também. Por mais que uma empresa pública adquira alguma independência gerencial, sempre estará sujeita aos interesses políticos (vide o caso da Petrobrás). Isso faz com que projetos em andamento sejam abandonados e falte estratégia a longo prazo. Além do que, muitas vezes, a atividade da empresa pública é utilizada apenas para favorecer a imagem do atual governante, e não na busca de efeitvas melhorias do serviço.

Eu poderia listar diversos outros motivos, mas estes aqui bastam para deixar claras minhas razões.

E que não me venham dizer que eu estou generalizando, porque estou mesmo. É óbvio que pode haver exceções, mas estas servem apenas para confirmar a regra. Aliás, sobre generalizações, leia meu texto O uso da generalização é um artifício inteligente.