Debate impossível

Não é incomum paladinos da tolerância surgirem com suas admoestações moralistas, dizendo que devemos manter um diálogo com os opositores, apesar das divergências. Aparentemente, as intenções são as melhores, que é manter uma certa civilidade nos debates públicos.

No entanto, quando se trata de debates com defensores da ideologia de esquerda, apesar da democracia obrigar-me a conceder-lhes o direito de falar, respeitá-los ou mesmo considerar seus argumentos é algo que sistema algum do mundo pode exigir de mim.

Isso porque tudo o que a esquerda tem a oferecer – seu ateísmo, seu ódio contra os valores familiares, seu descaso em relação ao nascituro, sua defesa da bandidagem, sua defesa das drogas, seu relativismo moral, sua estética medonha, sua militância anti-religiosa, seu esforço pela destruição do modo de vida ocidental e seu desejo declarado pelo fim de seus adversários políticos – não são matérias passíveis de discussões, mas atentados contra a civilização, que devem ser contidos.

Se a esquerda fosse apenas uma outra forma de enxergar a economia ou o papel do Estado, não haveria problema algum em manter os canais de comunicação e discussões abertos com ela. Porém, estes, na verdade, são os temas menos importantes para os socialistas. O que realmente está no cerne de seu objetivo é a substituição do mundo como conhecemos e vivemos por um outro completamente diferente, onde pessoas como eu não são bem vindos.

Por isso, há muito tempo deixei de considerar o debate político com as esquerdas apenas uma troca de ideias. Não fossem suas intenções declaradas, suas convicções sedimentadas e sua forma de agir, até poderia considerar essa possibilidade. No entanto, quando eu sei o que sei sobre eles, aceitar qualquer tipo de discussão civilizada com essas pessoas é como tentar combater terroristas, munidos de armas e bombas, com meros panfletos de repúdio. E eu não sou idiota a esse ponto.

O nazismo não é de (extrema) direita

O extremo de algo é aquilo que se encontra na parte mais limítrofe de sua manifestação. É aquilo que pode ser considerado o exagero de um aspecto qualquer. Por isso, são chamados de extrema-esquerda aqueles que levam à últimas consequências os aspectos próprios do esquerdismo: estatismo, pensamento revolucionário e anti-capitalismo. Porém, segundo o amigo do jornalista Guga Chacra, o acadêmico Michel Gherman, em um artigo publicado no Estadão, o nazismo é de extrema-direita exatamente por representar algo que é o contrário do que caracteriza a direita: o corporativismo. Continue lendo

Fascismo, o espelho do esquerdismo

Na boca dos militantes, a expressão já não possui qualquer relação com os fatos históricos, menos ainda com as concepções que o próprio fascismo tinha, mas tornou-se meramente um xingamento. Na cabeça do esquerdista, fascista não é quem defende uma doutrina específica, mas quem se coloca contra o progressismo, o politicamente correto e as ideias caras aos socialistas. Até porque, basta ler sobre o fascismo para saber que suas concepções, se se assemelham a um dos espectros políticos, é evidente que é com a própria esquerda. Afinal, no fascismo, entre outras características, é que o Estado é autoritário e onipresente, o mercado é regulado, o planejamento centralizado e a política uma espécie de religião.

Todas essas características são idênticas ao que os esquerdistas praticam e defendem. Pois, todo mundo sabe, que as bandeiras da Direita são o exato oposto de tudo isso: Estado mínimo, mercado livre, concorrência e ceticismo político.

Ao chamar, portanto, um direitista de fascista, o esquerdista não apenas erra, mas comete a maior das canalhices: que é apontar no outro aquilo que é o seu próprio pecado. Por essas e outras que o que ele fala não deve ser considerado por ninguém. Isso porque quando não erra mente, quando não mente, finge e quando não finge projeta no outro os seus próprios crimes.

Os 4 tipos de idiotas úteis do socialismo e o outro não tão idiota assim

Observando aquelas pessoas que costumam defender e atuar em favor do socialismo, encontro normalmente cinco tipos básicos que se destacam:

O ressentido

Este é aquele que Ludwig von Mises aponta como um anfitrião evidente da propaganda esquerdista. Ele, por não ter conseguido sucesso na concorrência do mercado, por não ter galgado um crescimento econômico e profissional que lhe pudesse deixar orgulhoso, acaba, por conta dessa frustração, aceitando a retórica socialista com mais facilidade. Como esta fala em igualdade, apesar de sabermos que o socialismo nunca conseguiu promovê-la, quem se ressente daqueles que se destacam absorve esse discurso e o propagandeia, talvez como uma forma de se vingar daqueles que conseguiram ascender socialmente.

O frustrado

Há pessoas que, por diversos motivos, não conseguem encontrar, em suas próprias existências individuais, sentido que valha a pena. Estes, como analisa Eric Hoffer, são propícios a acatar as propostas coletivistas, pois no grupo crêem encontrar a razão para a vida que em sua individualidade jamais encontrou. E estes são perigosos, porque podem ser capazes de matar e morrer pelo Partido.

O incomodado

Há aqueles que até têm uma vida boa e até conseguiram conquistar alguma coisa por meio do esforço próprio. No entanto, contaminados por uma cultura que está impregnada da idéia de que quem enriquece faz isso com o inevitável prejuízo alheio, se sentem incomodados com sua própria posição social e tentam, pelo menos, por meio do discurso, expiar aquilo que consideram ser seu pecado. Nunca vi eles abrirem mão de sua riqueza, mas falam do igualitarismo e da divisão de bens com um entusiasmo que até convence quem não observa a incoerência de suas palavras.

O revoltado

Existem pessoas, principalmente no meio artístico, que sobrevivem das idéias libertinas. Que por meio da arte, normalmente de péssimo gosto, encontraram um forma de expor sua revolta e seu clamor por liberdade. Estes não encontram nada no esquerdismo que suporte seus pensamentos, senão o ódio comum à sociedade tradicional. Apenas por isto eles mesmos são acólitos do socialismo. É mais uma identificação por ter encontrado na retórica da esquerda um inimigo comum; só isso.

O receptador

Mas há um tipo que é o mais hipócrita de todos. Ele, simplesmente, defende o socialismo porque este lhe paga muito bem. São os tecnocratas do Partido, os militantes que são infiltrados na máquina pública, normalmente recebendo bons salários e, aqui no Brasil, um tipo muito próprio, que é o militante avulso. Este, por meio de dinheiro recebido claramente para fazer propaganda do Partido, finge ser independente, finge estar defendendo uma causa, mas apenas defende o seu próprio bolso. Não é por acaso que praticamente todos aqueles que vêm a público louvando o atual governo petista são assalariados do partido, remunerados por ele ou beneficiados por meio de projetos. Estes são idiotas apenas no sentido de defenderem idéias estúpidas, mas são os únicos que, realmente, tiram alguma vantagem da ideologia. Os outros, são apenas imbecis mesmo.

 

Qual o problema em ser esquerdista

Ao ler meu artigo Arrogância e Hipocrisia na Missão Integral, um leitor me pergunta se há algo errado em ser esquerdista e se Deus levaria em conta alguém ser de esquerda ou de direita.

Tal questionamento é um reflexo de um vício moderno, que é a dissociação que as pessoas fazem entre as palavras e a realidade. Uma expressão, para elas, tem vida própria, desapegada da experiência, sendo apenas um nome e nada mais. Como se ser esquerdista fosse apenas uma declaração de opção política sem qualquer repercussão na realidade, como se isso fosse apenas um rótulo, um título.

entendendo isso, fica claro que a pergunta do leitor indica que eu defendo que Deus julgaria as pessoas pelos grupos políticos a que pertencem e não pelas ideias que acreditam. Como se eu acreditasse que Deus não sonda os corações, mas seu julgamento dá-se baseado na exterioridade da ideia política que o homem professa.

Tal insinuação é quase uma injúria! Apenas alguém muito ignorante pensa assim. É óbvio que Deus não julga ninguém pelo grupo que professa pertencer, nem mesmo pelas ideias que diz ter, mas, sim, pelo que essa pessoa faz e acredita de verdade. Porém, se ser de esquerda significa estar de acordo com a ideias históricas da esquerda, como a defesa do aborto, do feminismo e do casamento gay, aceitar os pressupostos ateístas que estão na base do esquerdismo, e ainda louvar a ação histórica das esquerdas mundiais, que foi a causa da escravidão, morte e perseguição de milhões de pessoas, inclusive cristãos, então ser esquerdista é uma forma bem evidente de abrir caminho para o Inferno.

Se, por outro lado, a pessoa é contrária a essas bandeiras, então ela não é de esquerda.

O esquerdismo dos novos anti-petistas

Entre os novos cidadãos anti-petistas, há uma grande leva de esquerdistas, que até ontem confiavam seus votos nos candidatos do PT e hoje, apesar da indignação e revolta em relação aos desmandos e desvios do partido, continuam repetindo os mesmos chavões progressistas e não conseguem entender as razões dos conservadores e liberais. Evoluíram um pouco, é verdade, mas precisam estudar muito para perceber que o problema não é um partido específico, mas toda uma ideologia. 

A sinistra vantagem dos socialistas

Os homens de esquerda estão longe de ser santos. E os de direita também. Todos têm suas vaidades. A diferença é que a vaidade do esquerdista apenas tem sentido dentro do projeto de poder de sua ideologia, que está associada ao partido. Um homem de esquerda, fora do projeto de poder ideológico, não é nada. Portanto, mesmo suas vaidades dependem do partido para sobreviverem. Por isso, quando alguma vaidade pessoal ameaça atrapalhar os planos maiores do partido, sufocá-la é muito fácil. Basta afastar o sujeito do grupo. Como uma folha sem caule, ele morre. Dessa forma, as vaidades são absorvidas pela ideologia. Elas existem, mas acabam sempre se manifestando nos limites do interesse do partido.

As vaidades direitistas, de maneira diferente, são muito mais difíceis de serem sufocadas. Elas subsistem individualmente. Elas se manifestam no orgulho do projeto individual, da livre iniciativa, do amor próprio. Assim, o homem de direita não depende dos projetos partidários para se vangloriar pelos seus próprios feitos. Ele se basta e sobrevive mesmo só. Por isso, entre os direitistas as divergências são muito mais difíceis de serem contidas. Não há, claramente, uma ideologia que os norteie. Não há algo que indubitavelmente seja comum a todos; algo que os una. Entre eles, qualquer diferença pode ser decisiva para determinar um afastamento.

Por causa disso, a esquerda sempre foi mais coesa em suas lutas e mais eficiente em sufocar vaidades. Como há um projeto maior que envolve todos os grupos e ao qual todos se submetem, as lideranças esquerdistas costumam não temer a extirpação de dissidências internas que eles considerem incômodas para a sequência dos planos de poder. E isso, longe de enfraquecer o movimento, torna-o ainda mais coeso. Ocorre dessa maneira porque o esquerdismo costuma ser um projeto de dominação, com natureza totalitária. A demonstração de força, desde o princípio, ainda que contra dissidências internas, torna-se uma manifestação do poder da liderança que faz com que a militância sinta-se ainda mais confiante.

A direita, por seu lado, não têm projeto de poder comum, mas apenas projetos individuais, no máximo grupais. Por isso, sequer pode-se falar em dissidências. Podem existir projetos paralelos, às vezes até semelhantes, às vezes até contra inimigos comuns, mas cada qual com seus próprios planos e objetivos muito particulares. Nem se cogita sufocamento de oposições internas, pois cada grupo representa uma visão, um projeto, uma finalidade. Por estar ausente a natureza totalitária típica do esquerdismo, a direita está fadada a sempre ser bem mais fragmentada.

Na esquerda, há apenas uma moral: aquela que se refere ao projeto de poder de sua ideologia. Os pecados individuais apenas são considerados quando afetam, de alguma maneira, esse projeto. Houve tempos que os esquerdistas tinham uma moral rígida, que até se assemelhava a uma moral cristã. Mas essa moralidade existia enquanto se acreditava que tais atitudes atrapalhavam o perfeito desenvolvimento da militância. A pedra de toque do comportamento esquerdista sempre foi a ideologia. Por isso, nas esquerdas é possível conviver tranquilamente com corruptos, enganadores, falsários, fraudadores e assassinos. Claro, desde que tais crimes não sejam cometidos contra o partido ou contra a ideologia diretamente. Se forem a favor ou para facilitar o projeto de poder, os criminosos costumam ser inclusive honrados pela militância.

Do lado dos direitistas não há uma regra de conduta única, nem um modelo uniforme de comportamento. Há direitistas conservadores, como direitistas liberais, como há cristãos e também ateus, por exemplo. Isso, aparentemente, seria uma vantagem para a direita, já que não haveria a necessidade de impor formas de conduta específicas, o que teorica entedaria mais liberdade de ação. Porém, o que acontece é exatamente o contrário. Por não haver um modelo de conduta, há diversos modelos. Dessa forma, multiplicam-se as regras e exigências morais e comportamentais. O que parecia liberdade torna-se um constante foco de conflitos e exigências. E pior, sem possibilidade de composição, já que o que é inegociável para um grupo, pode não ser para outro e o que é um erro para um grupo, pode ser até a bandeira de outro. Cada grupo exige que o outro se alinhe completamente em sua visão de mundo e sua ética própria. Como isso é impossível, cada qual acaba trabalhando isoladamente por seu lado.

Qual seria, então, o segredo da direita americana, que, de alguma maneira, consegue ainda manter uma igualdade de forças com os esquerdistas?

Para entender isso, devemos lembrar que os Estados Unidos da América foram formados sob uma bandeira cristã. Aquele país cria em um sonho imperial de ser, conforme a doutrina do Destino Manifesto, realmente um povo eleito por Deus pra cumprir a vontade divina. Assim, os princípios cristãos, alicerces de toda a política americana, impregnaram-se na sociedade e na cultura. Por isso, quando começou a manifestar-se algum progressismo na América e mesmo depois, com um esquerdismo mais declarado, estes não puderam trabalhar fora dos limites de uma ética cristã, ainda que apenas exterior. Não que os políticos americanos sejam exemplares ou modelos de homens religiosos, mas há, na cultura americana, ainda fortes resquícios de uma ética cristã que obriga a todos, inclusive os políticos de esquerda. Dessa forma, aquilo que faz a esquerda mundial ter como vantagem, que é apenas responder pelos seus atos segundo uma ética própria, nos Estados Unidos isso não acontece. Esquerdistas e conservadores americanos estão, de alguma maneira, limitados pelas mesmas regras. Até quando isso vai durar, é impossível saber, mas é certo que tem servido para equilibrar o jogo político naquele país.