Anti-jornalismo e a traição dos jornalistas

O “furo de reportagem” é o ápice da atividade jornalística. Apresentar, para os leitores, aquilo que ninguém mais viu e ele foi o primeiro a desvendar é o cumprimento máximo da vocação do jornalista. No entanto, pelo menos na grande imprensa brasileira, esse anseio profissional extinguiu-se. Por aqui, o jornalismo tornou-se mero autenticador das forças constituídas. O que se pratica na imprensa tradicional brasileira é, de fato, o anti-jornalismo.

A característica marcante do bom jornalista é a desconfiança. O jornalista que preza por sua profissão está sempre em busca de uma realidade escondida por detrás das aparências dos fatos como eles se apresentam em um primeiro momento. É o sonho de todo jornalista descobrir e revelar algo que ninguém mais sabe. O jornalista de estirpe sempre quer ser o primeiro a desnudar as mentiras contadas pelas versões oficiais.

Em razão disso, está no sangue do bom jornalista o ceticismo inveterado. Ele não se contenta com as primeiras aparências de um fato e, menos ainda, com as primeiras versões com as quais esses fatos se apresentam. É da prática do bom jornalismo, diante do menor indício de que a realidade não é como contam, desbastar esse matagal de aparências e versões para encontrar o que está escondido por detrás delas.

Quando o jornalista, porém, faz o contrário disso e, ao invés de desconfiar das versões apresentadas e tentar descobrir o que existe escondido além delas, apressa-se para corroborá-las, sua prática constitui-se em traição do jornalismo. O que ele faz é o anti-jornalismo.

E foi exatamente isso que nós testemunhamos no primeiro turno das eleições de 2018. Logo após o encerramento da apuração dos votos, tivemos de ouvir uma porção de jornalistas e seus respectivos veículos de comunicação ignorando – quando não contestando – as centenas de indícios de que estavam ocorrendo problemas nas urnas, sempre contra o mesmo candidato, e corroborando a versão do governo de que tudo corria na mais perfeita normalidade.

Traindo aquilo que caracteriza a essência do jornalismo, esses profissionais, em nenhum momento, colocaram em dúvida os comunicados oficiais. Pelo contrário, cerrando as narinas para qualquer faro jornalístico, mesmo diante de instigantes fatos que, normalmente, faria com que qualquer repórter, com o mínimo de ambição profissional, corresse para tentar descobrir o que realmente estava acontecendo, os jornalistas da grande mídia apressaram-se para servir de fiadores dos poderes constituídos, esforçando-se por abafar qualquer tentativa de colocar em dúvida a lisura das eleições.

Que jornalista é esse que não se questiona, que não investiga, que não duvida daquilo que o governo diz? Que jornalismo é esse que se submete às forças políticas existentes e age como seu porta-voz oficial?

Isso mostra que esses profissionais, que deveriam ser os responsáveis por informar-nos da verdade e de quem deveríamos esperar o esforço por revelar-nos realidades que, muitas vezes, não estão evidenciadas em um primeiro momento, agem no sentido contrário do que seriam suas vocações e, usando suas credenciais como escudo de proteção a favor governo contra as reclamações do povo, traem-nos.

A autodefesa da grande imprensa

Para a grande mídia, as Fake News são sempre as dos outros. Isso ficou muito claro, para mim, quando eu li o livro do jornalista inglês, Matthew D’Anconna, chamado Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. O pressuposto desse livro é muito simples: o que a mídia tradicional publica é verdade; o que a contraria, falso. Para essa imprensa oficial, que se considera a única e verdadeira, tudo o que não sai de suas próprias prensas é tido por suspeito de antemão.

E, hoje em dia, seu alvo principal tem sido as mídias independentes que surgiram, principalmente, com o advento da internet, e vêem fortalecendo-se a cada dia, começando a serem vistas como um risco à sobrevivência dos jornais tradicionais.

O certo seria, então, que a grande mídia fizesse uma autocrítica, tentando entender as razões porque vem perdendo terreno para o jornalismo avulso. Porém, faz autocrítica quem pretende honestamente rever suas atitudes, e o que estamos testemunhando é uma imprensa desonesta, que tem mentido, distorcido e omitido deliberadamente.

Chega a ser revoltante ver esses jornalões, que vem lançando mão de todas os meios possíveis para enganar seus leitores, com notícias tendenciosas e opiniões enviesadas, acusar as mídias alternativas de praticarem Fake News.

Mas, de certa maneira, tudo isso é compreensível. O ataque da grande mídia às mídias independentes não passa de um ato de autodefesa.

A imprensa tradicional não quer perder o seu poder. Basta ver que, até aqui, foi ela quem deteve o monopólio da narrativa. Foi ela que sempre determinou quem eram os heróis e quem eram os vilões da história. Com isso, obviamente, ela cometeu terríveis injustiças. Mais ainda, ela dirigiu a cultura do país para onde quis – e o que ela quis não está exatamente de acordo com o que as pessoas comuns querem também. E o que ela pretende é manter-se como a direcionadora do pensamento nacional. O problema, porém, é que a profusão de mídias independentes está furando esse bloqueio, apresentando narrativas alternativas, colocando em discussão o viés da grande mídia e desmentindo muito do que ela vinha contando ao público há muito tempo.

Esconder as próprias mentiras, nesse caso, passa a ser uma questão de sobrevivência. Quando ela, então, acusa as pequenas mídias de serem propagadoras de Fake News, na verdade, está desviando a atenção do leitor de suas próprias artimanhas.

Isso porque, essa grande imprensa, aproveitando-se da credibilidade que adquiriram em sua existência secular, tem abusado dos recortes dos fatos, da omissão de dados, das conclusões sem fundamento, do enviesamento da notícia, quando não da prática da mentira pura e simples para destruir seus inimigos escolhidos. Seu reconhecimento como, ainda,  fonte idônea de informações, tem servido como escudo nessa guerra suja que promove.

Quando esses jornais acusam as mídias independentes de falsificadores de notícias, o que eles estão tentando fazer, na verdade, é esconder suas próprias mentiras. Quem acompanha, de forma isenta, a atuação desses grandes jornais nos últimos anos e, mais especialmente, nas eleições americanas e, agora, em nossas eleições aqui no Brasil, vê claramente o quanto eles têm agido de maneira bem pouco fiel à verdade dos fatos. As pessoas estão percebendo isso e, para tentar livrar-se das acusações, o melhor a fazer acaba sendo usar a tática já bem conhecida de acusar os outros daquilo que ela mesmo faz.

No fundo, o que a grande mídia quer é eliminar a concorrência nestes novos tempos quando se sente ameaçada pelas novas formas de comunicação – a qual, digamos, ela ainda não conseguiu se adaptar. É que as mídias independentes estão tornando-se, gradativamente, as fontes preferenciais dos leitores. Não estando presas às determinações editoriais de redações tomadas por militantes ideológicos, nem submetidas aos interesses de proprietários historicamente comprometidos com o poder estabelecido, elas sentem-se livres para apresentar as notícias de uma maneira muito mais dinâmica e imparcial. E os leitores percebem isso e começam a escolhê-las como as suas fontes preferenciais de informações.

Obviamente, tudo isso tem deixado os jornalões desesperados e tentar destruir aqueles que os ameaçam é o que lhes resta. E espalhar que são os outros que estão disseminando Fake News é a maneira mais óbvia que eles escolheram para tentar sobreviver e ocultar seus próprios pecados.

Putas do poder

Jornalista que corre para corroborar a versão governamental deixa de cumprir o principal de sua atividade para tornar-se mera putinha do poder.

Não deve-se esquecer que o princípio da democracia é a desconfiança quase absoluta em relação ao governo. Porém, no Brasil, desconfiar do governo torna o cidadão suspeito.

Eu aprendi que o verdadeiro jornalismo é a busca da verdade, instrumentalizada pelas informações que geralmente escondem-se por detrás dos dados mais visíveis. O bom jornalista sempre foi caracterizado por descortinar a aparência, tornando possível o vislumbre do que realmente são os fatos.

No entanto, o jornalismo brasileiro tornou-se escravo de um espectro político, escravo de partidos, escravo de uma ideologia. Jornalistas tornaram-se putas da esquerda.

A pressa com que, nestas eleições, os jornalistas e os veículos da grande imprensa correram para corroborar a versão do governo de que tudo estava correndo na mais perfeita ordem – apesar das milhares de denúncias feitas pelos cidadãos – mostram que o jornalismo brasileiro deixou de ser jornalismo há muito tempo.

O que a grande imprensa fez é o anti-jornalismo. Ao não considerar a possibilidade de estar ocorrendo algum problema com os votos, ignorando as reclamações de antemão, ela mostrou a todo o país que seu papel é estar a serviço do establishment. Podem se apresentar como jornalistas, mas são meros panfleteiros do poder estabelecido.

Por isso, a luta do povo não é apenas contra o governo. Mas contra toda a máquina do status quo que envolve também a quase totalidade da grande mídia brasileira.

A extinção dos antigos formadores de opinião

Cada vez menos os emitidores de opiniões presentes na grande mídia têm influência sobre o restante da sociedade.

Ouvi-los falando sobre os mais diversos assuntos, sobre os quais, na maioria das vezes, não entendem nada, é quase como que assistir suas peças de ficção: é uma mera experiência de observação, que não levamos em conta para além das portas do teatro.

De alguma maneira, na internet as pessoas encontraram aqueles que possuem uma visão de vida semelhante a delas e puderam com isso se libertar do palavrório falso e irritante daqueles que, até aqui, tinham o monopólio do discurso.

Hoje, esses pretensos intelectuais formadores de opinião estão se transformando em uma espécie exótica, que pode até servir para divertir as pessoas, mas, cada vez menos, o que dizem pode ser levado em conta seriamente.

E o mais interessante disso tudo é que, como animais que percebem o perigo que ronda a sua espécie ficam, a cada dia, mais ariscos, mais propensos a se afastar do perigo que representa a civilização verdadeira, fechando-se em seus bandos, alimentado-se e protegendo-se mutuamente, lutando desesperadamente contra sua própria extinção.

Deixemos, portanto, que vivam de suas próprias migalhas, mas não joguemos comida aos animais, nem permitamos que usem do dinheiro que arrecadam de nós para sustentá-los.

Jornalistas problematizadores

Não é mais segredo para ninguém que o jornalismo está infestado de militantes ideológicos. Talvez seja a área onde houve maior infiltração de socialistas de todo tipo. No entanto, para que seus objetivos ideológicos sejam alcançados, essa condição não pode ser escancarada, porque a credibilidade é o grande trunfo do jornalismo.

E apesar da mídia estar colocando os pés pela mãos, deixando cada vez mais evidente todo o seu viés político, ainda tenta, de alguma maneira, não deixar transparecer toda sua parcialidade e más intenções. Para isso, os jornalistas descobriram um jeito de tentar espalhar os seus delírios, sem mostrar que são eles que os estão promovendo.

O método é este: identificam um fato cotidiano qualquer, ainda que irrelevante, e o “problematizam”, afirmando que algumas pessoas estão inconformadas com tal atitude. Seja o cabelo alisado da atriz negra ou o sovaco depilado da Mulher-Maravilha, tudo vira motivo para levantar um problema que não existe e uma discussão que ninguém se importa.

Fazendo isso, porém, esses jornalistas conseguem, ao mesmo tempo, levantar bandeiras que eram ignoradas por conta de sua irrelevância e angariar mais adeptos idiotas que se identifiquem com suas demandas inúteis.

E o melhor de tudo, para eles, é que não são eles que aparecem como os problematizadores da vez, mas, sim, algum grupo obscuro de pessoas, que ninguém viu, que ninguém sabe onde está e que ninguém jamais ouviu falar.

Portanto, preste atenção em tudo isso da próxima vez que uma matéria jornalística afirmar qual será a próxima tendência ou querer dizer que alguma atitude é contestada. Tenha certeza que tudo não passa de um truque muito bem articulado.

Os velhos formadores de opinião já não influenciam mais

Tenho lido que a maior emissora de tv do país tem perdido, cada vez mais, sua audiência. E não é só isso, são números conhecidos aqueles que se referem à queda brusca que a mídia impressa tem sentido na venda de seus jornais. Parece que os velhos líderes de audiência estão perdendo seu posto.

É notório que as pessoas que dirigem essas mídias não refletem exatamente a cabeça do cidadão comum. Eles são vanguardistas, são sempre mais libertinos, sempre mais avançados. Só que, até aqui, eles estavam acostumados a ser a referência pensante, os determinadores da moda, de como as pessoas deveriam se comportar e como agir.

O problema, para eles, é que com o advento da internet, as pessoas descobriram que essas “cabeças pensantes” não eram as únicas e que haviam outras que refletiam muito melhor aquilo que elas mesmo pensavam. Os velhos “formadores de opinião”, tão acostumados a serem os únicos, sofrem agora com a concorrência de gente que aparece do nada e começa a fazer a cabeça da galera.

Na verdade, a velha guarda está sendo desmascarada. As pessoas já perceberam que o que eles dizem não corresponde a uma verdade absoluta e que, enquanto eles apresentam uma ideia, existem centenas e outras pessoas dizendo o contrário.

Então, como esses antigos influenciadores não sabem pensar de outra maneira, pois já estão completamente corrompidos com sua própria estupidez, só lhes resta espernear contra a rebeldia do povo, que não aceita mais se submeter aos devaneios alucinógenos de intelectuais caquéticos e cada vez menos se interessa por consumir suas bostas enlatadas.