O choro pelo monopólio perdido

Você sabe por que hoje tem-se a impressão de estar havendo uma polarização, uma briga entre lados opostos? Porque vivemos tanto tempo presos sob um monopólio de de informações e opiniões que, quando começam a aparecer ideias contrárias aquelas que pareciam ser únicas, a impressão que se tem é de que vivemos um momento de intensificação das contrariedades, quando, na verdade, vivemos apenas a normalidade da diversidade.

No entanto, exatamente aqueles que mais reclamam por diversidade não sabem viver sob ela. Mimados por mais de três décadas de uniformidade na linguagem, estão assustados com a constatação de que há ideias fortes e contundentes do outro lado. Pior, ideias que vão ao encontro do pensamento e anseio das pessoas comuns.

Não é por acaso que os velhos escravizadores das notícias tentam passar a imagem de estar havendo uma radicalização, uma afronta ao debate civilizado que nunca existiu. Como eles não sabem viver sob o contraditório, tentam tornar sua existência um ataque à liberdade de expressão.

O fato é que quando havia apenas vozes, em uníssono, falando sempre as mesmas coisas, defendendo a mesma visão de mundo, elegendo seus heróis e criando seus vilões, tudo de acordo com a ideologia que lhes dava sustentação, estava tudo bem. Quando havia uma concentração de ideias, que fazia com que apenas uma visão de mundo fosse exposta, ninguém falava nada. Bastou, porém, pensamentos diferentes e contrários aqueles que sempre foram ditos começarem a aparecer e o esperneio passou a ser geral.

A verdade é que esses que reclamam não querem democracia coisa nenhuma. O que eles querem é o retorno do antigo monopólio. O que eles querem é impedir que ideias diferentes das suas circulem livremente e atinjam, como têm atingido, cada vez mais pessoas. Até porque eles sabem que a força de verdade, que não está do lado deles, é irresistível para a maioria das pessoas.

O nazismo não é de (extrema) direita

O extremo de algo é aquilo que se encontra na parte mais limítrofe de sua manifestação. É aquilo que pode ser considerado o exagero de um aspecto qualquer. Por isso, são chamados de extrema-esquerda aqueles que levam à últimas consequências os aspectos próprios do esquerdismo: estatismo, pensamento revolucionário e anti-capitalismo.

Porém, segundo o amigo do jornalista Guga Chacra, o acadêmico Michel Gherman, em um artigo publicado no Estadão, o nazismo é de extrema-direita exatamente por representar algo que é o contrário do que caracteriza a direita: o corporativismo. Diferente do que dá a entender o professor, o corporativismo sempre foi uma característica dos governos mais alinhados ao progressismo, principalmente nos Estados Unidos, onde ele existiu com mais força. Foram os governos de Wilson e Roosevelt que mais o favoreceram. Isso porque o corporativismo representa uma simbiose entre grandes empresas e o governo, mantendo este no controle da economia e ditando as regras do mercado. Além disso, o corporativismo afeta aquilo que é o centro do pensamento de direita: a livre concorrência. Se aceitarmos que o favorecimento do corporativismo é algo da direita, o que sobra para a esquerda: apenas o comunismo radical, com sua total abolição da propriedade privada? Ora, nem os esquerdistas querem isso.

O que caracteriza, de fato, a direita é exatamente o favorecimento do livre-mercado, do Estado pequeno e do pensamento político conservador. Para ser extrema-direita, portanto, seria necessário que essas características fossem elevadas ao máximo. Um direitista extremo precisaria ser radicalmente contra a regulação econômica, contra o Estado e fortemente conservador. Alguém de extrema-direita seria quase um libertário, por assim dizer, com exceção do aspecto do conservadorismo. Chamar o nazismo de extrema-direita, portanto, não tem nenhum sentido.

O fato é que afirmar que o nazismo era de extrema-direita é, como sempre foi, apenas um truque retórico, usado para esconder seu caráter revolucionário e semelhante ao esquerdismo de todas as épocas.

 

Representação política conservadora – uma resposta a Carlos Andreazza

Quando o editor da Record, Carlos Andreazza, exige que, para ser um representante político do conservadorismo, a pessoa tenha uma concepção do belo, alguma espiritualidade e também cultura, ele simplesmente exclui qualquer possibilidade de haver conservadores na política, além de afastar definitivamente o conservadorismo do homem simples, da gente comum, do povão.

Não que ele esteja errado quanto ao conceito, mas se o político conservador precisa possuir essas características, então ele restringiu o conservadorismo a um movimento intelectual, elitista, para poucos. Inócuo, enfim.

O pior é que essa régua de medida, se aplicada a qualquer outro tipo de pensamento, acaba com qualquer pretensão de representação política, seja na ideologia que for. Onde há esses homens cultos, que possuem plena consciência dos valores que defendem, com suas devidas nuances intelectuais? No liberalismo, no socialismo, na social-democracia, no comunismo? Sinceramente, seja qual for o lado para onde olho, o que vejo é um monte de trogloditas engravatados, que podem até, algumas vezes, transmitir aquele ar de distinção e cultura, mas que não passa de aparência. A política brasileira é formada, em todas suas matizes, de gente simples, intelectualmente falando. Quando, portanto, Andreazza exige que o representante conservador seja um erudito, alguém plenamente consciente das teorias que defende, simplesmente, está criando um obstáculo intransponível para que o conservadorismo possua alguma representação no cenário político nacional.

Até porque ele esquece que ser conservador é o estado natural do homem, ainda que este não tenha consciência disso, ainda que não tenha concepção alguma formada sobre essa realidade. O homem comum é conservador por natureza, mesmo em sua incultura, em seu mau gosto e até em sua falta de espiritualidade. Por isso, é absolutamente normal, principalmente no ambiente brasileiro, que seus representantes políticos não sejam muito diferentes desse homem comum. Até porque é assim em todos os outros espectros ideológicos que se apresentam na política brasileira.

Esperar que os representantes políticos conservadores possuam todas aquelas elevadas características é simplesmente inviabilizar o conservadorismo como alternativa política. Não distinguir a intelectualidade conservadora de seus políticos é o erro que impediu que, até aqui, houvesse uma representação política ampla do conservadorismo, apesar da maioria do povo ser conservadora.

E é exatamente nisso que a esquerda sempre esteve a frente: soube separar seus intelectuais dos políticos e da massa e, ao mesmo tempo, uni-los em torno de objetivos comuns.

O que falta para a direita brasileira é um pouco de noção de realidade.

 

Jesus não era comunista

Jamais deve-se esquecer que o discurso comunista é uma usurpação. O que ele diz não é sincero. É apenas uma cópia, diabólica, daquilo que o cristianismo já ensinava, porém, no caso do comunismo, sem qualquer aplicação no mundo real. É pura abstração. É apenas propaganda para enganar os trouxas.

O pior é que muita gente, diante da similaridade dos discursos, acaba por confundi-los, atribuindo o que é de um ao outro, fazendo, assim, uma tremenda confusão. Ao ouvir os comunistas falarem de auxílio aos pobres, criticarem os ricos, denunciarem a opressão, apontarem a injustiça e pregarem o distributivismo, retroagem aos tempos de Cristo e, ao se depararem com palavras semelhantes nos próprios Evangelhos, chegam a genial conclusão que, então, Jesus era comunista. Tomam o original e nomeiam-no com o título de sua cópia. É como se chamassem um verdadeiro Iphone de smartphone de camelô, só porque na banca do seu Zé ele tem umas imitações do aparelho da Apple que prometem cumprir as mesmas funções do original, apesar de sabermos que não passam de réplicas mal feitas e baratas.

Jesus não era comunista. Foi o comunismo que pegou as palavras de Cristo e, tomando-as como se fossem suas, esfarelou-as em uma paródia da verdadeira caridade cristã.

Quando alguém lhe disser que a Bíblia prega o comunismo, apenas responda: “eu acredito no original e não deposito minha fé em falsificações inferiores”.

O conservadorismo do progresso

Há conservadores que acreditam que progresso é sinônimo de revolução e, assim, defendem um tradicionalismo retrógrado, querendo apenas restaurar as velhas fórmulas, ignorando a necessidade de alguma evolução social e da melhoria em qualquer área da vida.

Isso ocorre porque confundem conservadorismo com um tipo de ideologia das velhas formas, cantando louvores ao passado como se lá tudo estivesse resolvido e definido, como se tudo naqueles tempos fosse perfeito e nada precisasse ser melhorado.

Ocorre que, conservadorismo não é sinônimo de imobilismo, nem retrocesso, nem mesmo de mera repetição do que já existiu.

O fato é que o conservador não meramente repete o passado mas, sim, aprende com ele, para, no que for necessário, poder melhorar o presente. Na verdade, ele respeita os antigos e os usa para seu auxílio, mas não é escravo deles. O passado para o conservador é seu auxiliar, não seu senhor.

Ademais, não se pode ignorar que em qualquer ser humano há a necessidade de construir, de criar, de inovar. Se ele apenas ficar preso ao passado, se sua vida for apenas uma enfadonha repetição do que já ocorreu, estará retaliando a si mesmo, vivendo abaixo de suas necessidades e possibilidades.

Além de tudo isso, é preciso ressaltar que se conservadorismo significa consideração pelo passado e trabalho sobre o que já foi construído, então não há nada mais conservador do que o próprio conceito de progresso. É que para que haja progresso é necessário respeitar o que já foi construído, pois não existe progresso do nada, mas apenas daquilo que, de alguma maneira, já se estabeleceu. A tecnologia dos computadores só evoluei porque cada novo engenheiro que cria uma máquina mais avançada faz isso respeitando todo o histórico de evoluções que lhe permitem não ter de começar tudo desde o início. Um smatphone é bom porque antes dele existiram os computadores e os telefones celulares, sobre os quais ele foi idealizado. Os cientistas da tecnologia sabem, como ninguém, o que significa subir nos ombros dos gigantes.

Portanto, quando um conservador nega o progresso, fazendo cara de nojo para qualquer ideia de evolução e melhoria, não está sendo conservador, que é alguém que se apoia sobre os antigos. Na verdade, é apenas um retrógrado, que se esconde à sombra deles.

 

Instabilidade da política

Para detectar um pensamento ideológico basta observar se seu portador entende que suas concepções políticas são a solução indiscutível para os problemas sociais e que nenhuma outra ideia que se contraponha a elas seja aceitável. Alguém que pensa dessa maneira, seja comunista, liberal ou conservador, extrapolou a área razoável de alcance daquilo que defende e entrou na zona da ideologia, que é fanática, por definição.

O fato é que, em matéria de concepções políticas, não há verdades, mas possibilidades, expectativas e propostas. Há ainda as circunstâncias e os tempos. De fato, algumas ideias já se mostraram melhores que outras, mas nem isso as torna absolutas.

Tratar política como ciência, portanto, é elevá-la a um patamar no qual ela jamais poderá estar. Até porque não há nada de estável na política, que é o pressuposto elementar de qualquer ciência.

O câncer chamado Islã

Há mais de mil anos, os islâmicos tentaram subjugar a Europa como um vírus devastador, que penetra no corpo pelas extremidades até conseguir alcançar a corrente sanguínea e espalhar-se.

Naquela época, porém, a virtude e coragem dos homens ocidentais serviu como anticorpos no combate a essa doença. Assim, os muçulmanos não conseguiram atingir além das bordas do Velho do Mundo.

Hoje, no entanto, o Islã apresenta-se mais como um câncer, que nasce e cresce dentro dos órgãos vitais até tomá-los completamente, inutilizando-os e prejudicando todo o resto.

Londres e Paris são esses órgãos vitais que estão sendo tomados desde dentro por esse cancro devastador que as está descaracterizando de tal maneira que, a continuar assim, essas cidades logo se tornarão apenas uma pálida lembrança da pujança e vigor que possuíram um dia.

A pergunta é: qual remédio deverá ser aplicado para, pelo menos, deter o crescimento desse mal?

 

Islã pacífico e violento

Há islâmicos pacíficos. Ser pacífico no Islã é uma opção, como ser violento também o é. Nisto está o seu caráter. No cristianismo, não há a possibilidade da escolha do terrorismo. A violência é por ele condenada de antemão. Para o muçulmano, porém, ambas vias lhe são lícitas e é por isso que os pacíficos não podem condenar os violentos.

Longa marcha em direção ao nada

O sucesso da revolução é o pior inimigo dos revolucionários. Conquistado o poder que almejam, paralisam-se, pois sua atuação é essencialmente contrária a manter-se na administração política. A não ser que façam isso fingindo que estão ainda fora dela.

É que modus operandi fundamental do revolucionário é o levante. Seu método é baseado no fomento da revolta contra os poderes instituídos. Ele precisa de inimigos definidos e que, principalmente, estejam em posição de comando, pois só sabe atuar nos subterrâneos, pela sublevação. É por isso que, quando estão a frente de qualquer governo, permanecem agindo como se fossem oposição, falando como vítimas, parecendo que, a despeito de possuírem a máquina estatal, são pobres perseguidos e marginalizados.

Mesmo no poder não conseguem assumir que são agora o status quo, pois o único discurso que conhecem é o da destruição do que existe. Seu sucesso em conquistar os postos de autoridade lhe tornam parte do sistema e, assim, quanto mais dominam menos têm o que destruir. Então, começam a criar inimigos imaginários, demônios produzidos para permanecer sustentando sua retórica. E mesmo com toda a força em suas mãos, apresentam-se como defensores dos oprimidos contra poderes que dizem ser maiores que os deles.

O fato é que a fala revolucionária é uma constante proclamação pela conquista daquilo que não pode ser conquistado, pois quando o for termina toda a razão de sua existência. Nesse sentido, a utopia lhe cabe muito bem, pois, por ser inalcançável, jamais chega, permitindo que o discurso convocando em sua direção permaneça indefinidamente. No fim das contas, é isso que caracteriza a declaração revolucionária: uma longa marcha em direção ao nada.

O cidadão e o pelego

Foi convocada uma greve geral, para hoje, contra a proposta de reforma da Previdência. A ideia é parar o país para reclamar do que é considerado uma afronta aos direitos do trabalhador.

Na verdade, não passa de uma movimentação patrocinada por centrais sindicais, que movimentam apenas seus associados mais atuantes, com interesses bem mais partidários e eleitoreiros do que de defesa de qualquer direito invocado.

Ainda, assim, conseguem fazer uma balbúrdia, pois param setores estratégicos e impedem que os cidadãos se locomovam livremente. Não respeitam o direito das pessoas e acreditam que possuem alvará para prejudicar aqueles mesmos que dizem defender.

O fato é que quando três ou quatro pelegos, segurando uma faixa, paralisam uma rodovia, para fazer um protesto abstrato contra uma possível reforma legislativa, é uma vergonha que nenhum cidadão tome uma atitude digna e os tire de lá à força.

Formou-se, no Brasil, uma cultura de respeito demasiado a esse tipo de gente. Isso porque criou-se a idéia que eles estão ali para defender o trabalhador quando a realidade mostra que o trabalhador, quase sempre, é apenas o meio que eles encontraram para alcançar seus objetivos políticos.