A impopularidade do liberalismo econômico

O discurso do liberalismo econômico não possui nenhuma chance de tornar-se popular. E como ser popular se o que ele propõe vai contra os anseios imediatos e necessidades prementes das pessoas?

Até porque, de fato, o liberalismo não promete nada de concreto, a não ser o uso livre da faculdade que cada um possui de buscar seus objetivos, com o mínimo de intervenção governamental. E como alguém pode afeiçoar-se a um discurso desse tipo?

É muito mais fácil, e até mesmo intuitivo, sentir-se atraído por promessas de ganhos imediatos, de direitos adquiridos e de proteção estatal. Faz parte até de um certo instinto de sobrevivência buscar a tutela de quem lhe parece mais forte e capaz de lhe dar guarida.

Entender que o que é dado com facilidade hoje cobra seu preço amanhã requer já uma certa capacidade de compreensão que não está imediatamente disponível a qualquer um. Saber que sacrifícios são necessários para conquistas posteriores é uma verdade que naturalmente as pessoas tentam evitar e quem a apresenta costuma ser mal visto.

Mais ainda, entre a oferta do sustento imediato e a mera possibilidade de um ganho futuro, quase todo mundo acaba decidindo por aquela, sem pestanejar.

O fato é que para entender e apoiar a ideia liberal é preciso um grau um tanto mais avançado de cultura, um pensamento desenvolvido ao ponto de vislumbrar a realidade em uma perspectiva mais ampla, que não considera apenas o presente, mas principalmente as implicações das escolhas de agora no futuro.

É por isso que o liberalismo sempre vai ser defendido por um grupo pequeno de pessoas e terá sempre essa aparência elitista. É por isso também que priorizar o discurso liberal para vencer eleições, principalmente em um país com deficiências culturais graves, é jogar para perder.

Economicamente, é bem provável que um liberalismo amplo e radical seja a solução para o Brasil, porém, politicamente, se ele não vier acompanhado de propostas que sejam mais populares e o sustentem, como a defesa da família e o direito ao porte de armas, estará condenado a ser apenas uma boa ideia, porém sem apelo.

Lamento, apenas, que muitos liberais não percebam isso.

A natureza espiritual maligna do marxismo

O marxismo é, de diversas maneiras, uma usurpação e uma paródia mal feita tanto da religião cristã, como da própria civilização ocidental. O que ele fez foi tomar tudo o que nosso mundo criou e desenvolveu e reter com ele, como se ele, o marxismo, fosse o possuidor legítimo de suas qualidades.

Foi dessa maneira que ele se apropriou da linguagem cristã, de sua moral e também de seu caráter salvífico, tentando substituir o cristianismo como solução viável para as necessidades e expectativas do ser humano. E tomou para si ainda o que a própria Europa ofereceu ao mundo, arrogando-se de herdeiro de suas conquistas. Tanto que, nas palavras de Lenin, “o marxismo é o sucessor natural da filosofia alemã, da economia política inglesa e do socialismo francês”.

Formou-se assim, respectivamente, o espírito, a alma e o corpo dessa entidade maligna que surgiu para enganar o mundo com sua promessa de redenção.

Quem acha que o marxismo é apenas uma ideia, engana-se redondamente. É bem mais que isso. Ele é uma manifestação espiritual, um produto dos tempos, um filhote de um cristianismo cansado e desiludido.

Por isso, atacá-lo apenas politicamente é tão inócuo como querer derrotar um demônio a vassouradas.

O espírito marxista precisa ser encarado em várias frentes, como ideia e como força política, mas também como poder invisível e sutil, o qual se vence com palavras e força, mas também com inteligência, jejum e oração.

Utopia liberal

A utopia não se manifesta apenas naquelas ideologias que imaginam um mundo futuro perfeito, mas inalcançável. Ela também é bem evidente no pensamento daqueles grupos que acreditam que as soluções de qualquer situação social ou política, mesmo para hoje, vêm da adoção, pura e simples, de uma ideia.

E não é isto que boa parte dos liberais fazem quando se trata das privatizações e da liberação do mercado?

Não que eles estejam errados quanto ao viés de liberalização e desestatização da economia. Pelo contrário, me parece que esse é mesmo o caminho a ser perseguido. Porém, quando eles acreditam, como muitos parecem acreditar, que a mera liberalização de tudo é suficiente para fazer as coisas funcionarem, me soa tratar-se da boa e velha utopia.

Basta observar com que arrogância e desprezo tratam qualquer um que meramente insinue que deve haver algum direcionamento legal na economia ou algum cuidado na privatização de empresas estatais para perceber o quanto esses liberais têm suas ideias como realmente a solução infalível para todos os males (o que vai de encontro com um sério princípio conservador e não difere em nada de qualquer proposta ideológica).

Esses liberais condenariam até Hayek, que escreveu que “essa ênfase na natureza espontânea da ordem ampliada ou macro-ordem pode ser enganosa se passar a impressão que, nela, a organização deliberada nunca é importante”. Leia-se ordem ampliada como a sociedade de mercado e organização deliberada como leis que direcionem esse mercado.

Acredito que os liberais estão certíssimos ao lutarem por menos Estado e menos regulamentos. Porém, também acredito que pecam quando fazem isso crendo que a solução que propõem é óbvia e natural, dando seus resultados como se estivéssemos lidando com um problema matemático e não com a complexidade típica das relações sociais e humanas.

Ônus dos revolucionários

O fato é que não cabe a quem defende a ordem social existente, ou seja, os conservadores, o ônus de provar que ela é boa. Cabe, sim, àqueles que desejam substituí-la mostrar, com argumentos racionais e elementos palpáveis, e não com quimeras, as razões por que ela não serve. Algo que esses revolucionários jamais conseguiram fazer.

O sofrimento do eleitor brasileiro

Basta o eleitor brasileiro se identificar com um político, com todas suas virtudes e falhas, para começar a ser tratado como estúpido, como gado, como fanático. Basta o coitado do eleitor brasileiro encontrar alguém na política que fala e pensa mais ou menos como ele pra ser visto como idiota. Basta o eleitor brasileiro alimentar alguma esperança que seu representante será alguém que possui as mesmas incoerências que ele, mas também a mesma sinceridade em tentar fazer algo de bom, e logo é tido como ingênuo. Continuar lendo

O choro pelo monopólio perdido

Você sabe por que hoje tem-se a impressão de estar havendo uma polarização, uma briga entre lados opostos? Porque vivemos tanto tempo presos sob um monopólio de de informações e opiniões que, quando começam a aparecer ideias contrárias aquelas que pareciam ser únicas, a impressão que se tem é de que vivemos um momento de intensificação das contrariedades, quando, na verdade, vivemos apenas a normalidade da diversidade. Continuar lendo

O nazismo não é de (extrema) direita

O extremo de algo é aquilo que se encontra na parte mais limítrofe de sua manifestação. É aquilo que pode ser considerado o exagero de um aspecto qualquer. Por isso, são chamados de extrema-esquerda aqueles que levam à últimas consequências os aspectos próprios do esquerdismo: estatismo, pensamento revolucionário e anti-capitalismo. Porém, segundo o amigo do jornalista Guga Chacra, o acadêmico Michel Gherman, em um artigo publicado no Estadão, o nazismo é de extrema-direita exatamente por representar algo que é o contrário do que caracteriza a direita: o corporativismo. Continuar lendo

Representação política conservadora – uma resposta a Carlos Andreazza

Quando o editor da Record, Carlos Andreazza, exige que, para ser um representante político do conservadorismo, a pessoa tenha uma concepção do belo, alguma espiritualidade e também cultura, ele simplesmente exclui qualquer possibilidade de haver conservadores na política, além de afastar definitivamente o conservadorismo do homem simples, da gente comum, do povão.

Não que ele esteja errado quanto ao conceito, mas se o político conservador precisa possuir essas características, então ele restringiu o conservadorismo a um movimento intelectual, elitista, para poucos. Inócuo, enfim.

O pior é que essa régua de medida, se aplicada a qualquer outro tipo de pensamento, acaba com qualquer pretensão de representação política, seja na ideologia que for. Onde há esses homens cultos, que possuem plena consciência dos valores que defendem, com suas devidas nuances intelectuais? No liberalismo, no socialismo, na social-democracia, no comunismo? Sinceramente, seja qual for o lado para onde olho, o que vejo é um monte de trogloditas engravatados, que podem até, algumas vezes, transmitir aquele ar de distinção e cultura, mas que não passa de aparência. A política brasileira é formada, em todas suas matizes, de gente simples, intelectualmente falando. Quando, portanto, Andreazza exige que o representante conservador seja um erudito, alguém plenamente consciente das teorias que defende, simplesmente, está criando um obstáculo intransponível para que o conservadorismo possua alguma representação no cenário político nacional.

Até porque ele esquece que ser conservador é o estado natural do homem, ainda que este não tenha consciência disso, ainda que não tenha concepção alguma formada sobre essa realidade. O homem comum é conservador por natureza, mesmo em sua incultura, em seu mau gosto e até em sua falta de espiritualidade. Por isso, é absolutamente normal, principalmente no ambiente brasileiro, que seus representantes políticos não sejam muito diferentes desse homem comum. Até porque é assim em todos os outros espectros ideológicos que se apresentam na política brasileira.

Esperar que os representantes políticos conservadores possuam todas aquelas elevadas características é simplesmente inviabilizar o conservadorismo como alternativa política. Não distinguir a intelectualidade conservadora de seus políticos é o erro que impediu que, até aqui, houvesse uma representação política ampla do conservadorismo, apesar da maioria do povo ser conservadora.

E é exatamente nisso que a esquerda sempre esteve a frente: soube separar seus intelectuais dos políticos e da massa e, ao mesmo tempo, uni-los em torno de objetivos comuns.

O que falta para a direita brasileira é um pouco de noção de realidade.

 

Jesus não era comunista

Jamais deve-se esquecer que o discurso comunista é uma usurpação. O que ele diz não é sincero. É apenas uma cópia, diabólica, daquilo que o cristianismo já ensinava, porém, no caso do comunismo, sem qualquer aplicação no mundo real. É pura abstração. É apenas propaganda para enganar os trouxas.

O pior é que muita gente, diante da similaridade dos discursos, acaba por confundi-los, atribuindo o que é de um ao outro, fazendo, assim, uma tremenda confusão. Ao ouvir os comunistas falarem de auxílio aos pobres, criticarem os ricos, denunciarem a opressão, apontarem a injustiça e pregarem o distributivismo, retroagem aos tempos de Cristo e, ao se depararem com palavras semelhantes nos próprios Evangelhos, chegam a genial conclusão que, então, Jesus era comunista. Tomam o original e nomeiam-no com o título de sua cópia. É como se chamassem um verdadeiro Iphone de smartphone de camelô, só porque na banca do seu Zé ele tem umas imitações do aparelho da Apple que prometem cumprir as mesmas funções do original, apesar de sabermos que não passam de réplicas mal feitas e baratas.

Jesus não era comunista. Foi o comunismo que pegou as palavras de Cristo e, tomando-as como se fossem suas, esfarelou-as em uma paródia da verdadeira caridade cristã.

Quando alguém lhe disser que a Bíblia prega o comunismo, apenas responda: “eu acredito no original e não deposito minha fé em falsificações inferiores”.

O conservadorismo do progresso

Há conservadores que acreditam que progresso é sinônimo de revolução e, assim, defendem um tradicionalismo retrógrado, querendo apenas restaurar as velhas fórmulas, ignorando a necessidade de alguma evolução social e da melhoria em qualquer área da vida.

Isso ocorre porque confundem conservadorismo com um tipo de ideologia das velhas formas, cantando louvores ao passado como se lá tudo estivesse resolvido e definido, como se tudo naqueles tempos fosse perfeito e nada precisasse ser melhorado.

Ocorre que, conservadorismo não é sinônimo de imobilismo, nem retrocesso, nem mesmo de mera repetição do que já existiu.

O fato é que o conservador não meramente repete o passado mas, sim, aprende com ele, para, no que for necessário, poder melhorar o presente. Na verdade, ele respeita os antigos e os usa para seu auxílio, mas não é escravo deles. O passado para o conservador é seu auxiliar, não seu senhor.

Ademais, não se pode ignorar que em qualquer ser humano há a necessidade de construir, de criar, de inovar. Se ele apenas ficar preso ao passado, se sua vida for apenas uma enfadonha repetição do que já ocorreu, estará retaliando a si mesmo, vivendo abaixo de suas necessidades e possibilidades.

Além de tudo isso, é preciso ressaltar que se conservadorismo significa consideração pelo passado e trabalho sobre o que já foi construído, então não há nada mais conservador do que o próprio conceito de progresso. É que para que haja progresso é necessário respeitar o que já foi construído, pois não existe progresso do nada, mas apenas daquilo que, de alguma maneira, já se estabeleceu. A tecnologia dos computadores só evoluei porque cada novo engenheiro que cria uma máquina mais avançada faz isso respeitando todo o histórico de evoluções que lhe permitem não ter de começar tudo desde o início. Um smatphone é bom porque antes dele existiram os computadores e os telefones celulares, sobre os quais ele foi idealizado. Os cientistas da tecnologia sabem, como ninguém, o que significa subir nos ombros dos gigantes.

Portanto, quando um conservador nega o progresso, fazendo cara de nojo para qualquer ideia de evolução e melhoria, não está sendo conservador, que é alguém que se apoia sobre os antigos. Na verdade, é apenas um retrógrado, que se esconde à sombra deles.