Longa marcha em direção ao nada

O sucesso da revolução é o pior inimigo dos revolucionários. Conquistado o poder que almejam, paralisam-se, pois sua atuação é essencialmente contrária a manter-se na administração política. A não ser que façam isso fingindo que estão ainda fora dela.

É que modus operandi fundamental do revolucionário é o levante. Seu método é baseado no fomento da revolta contra os poderes instituídos. Ele precisa de inimigos definidos e que, principalmente, estejam em posição de comando, pois só sabe atuar nos subterrâneos, pela sublevação. É por isso que, quando estão a frente de qualquer governo, permanecem agindo como se fossem oposição, falando como vítimas, parecendo que, a despeito de possuírem a máquina estatal, são pobres perseguidos e marginalizados.

Mesmo no poder não conseguem assumir que são agora o status quo, pois o único discurso que conhecem é o da destruição do que existe. Seu sucesso em conquistar os postos de autoridade lhe tornam parte do sistema e, assim, quanto mais dominam menos têm o que destruir. Então, começam a criar inimigos imaginários, demônios produzidos para permanecer sustentando sua retórica. E mesmo com toda a força em suas mãos, apresentam-se como defensores dos oprimidos contra poderes que dizem ser maiores que os deles.

O fato é que a fala revolucionária é uma constante proclamação pela conquista daquilo que não pode ser conquistado, pois quando o for termina toda a razão de sua existência. Nesse sentido, a utopia lhe cabe muito bem, pois, por ser inalcançável, jamais chega, permitindo que o discurso convocando em sua direção permaneça indefinidamente. No fim das contas, é isso que caracteriza a declaração revolucionária: uma longa marcha em direção ao nada.

O cidadão e o pelego

Foi convocada uma greve geral, para hoje, contra a proposta de reforma da Previdência. A ideia é parar o país para reclamar do que é considerado uma afronta aos direitos do trabalhador.

Na verdade, não passa de uma movimentação patrocinada por centrais sindicais, que movimentam apenas seus associados mais atuantes, com interesses bem mais partidários e eleitoreiros do que de defesa de qualquer direito invocado.

Ainda, assim, conseguem fazer uma balbúrdia, pois param setores estratégicos e impedem que os cidadãos se locomovam livremente. Não respeitam o direito das pessoas e acreditam que possuem alvará para prejudicar aqueles mesmos que dizem defender.

O fato é que quando três ou quatro pelegos, segurando uma faixa, paralisam uma rodovia, para fazer um protesto abstrato contra uma possível reforma legislativa, é uma vergonha que nenhum cidadão tome uma atitude digna e os tire de lá à força.

Formou-se, no Brasil, uma cultura de respeito demasiado a esse tipo de gente. Isso porque criou-se a idéia que eles estão ali para defender o trabalhador quando a realidade mostra que o trabalhador, quase sempre, é apenas o meio que eles encontraram para alcançar seus objetivos políticos.

A ideologia sobrevive da ideologia

A melhor maneira de destruir um movimento ideológico seria entregar-lhe aquilo que ele reivindica. Faça isso e verá que ele precisará transmutar-se para alguma outra coisa, e encontrar novos inimigos para combater.

Isso até tem alguma relação com a própria natureza humana, que costuma se entediar com aquilo que conquistou. Quem já não teve a experiência de querer muito algo e, quando conseguiu adquiri-lo, teve a sensação de enfado, como se todo o esforço já não tivesse valido a pena? E quem já não ouviu ou mesmo pensou que é mais interessante a busca do objetivo do que realmente encontrá-lo? O fato é que com os movimentos ideológicos acontece algo semelhante, porém por motivos bem mais desprezíveis.

 Apesar de todo seu discurso de luta e de busca por direitos, no fundo, a última coisa que os movimentos ideológicos querem é, de fato, alcançar aquilo que dizem buscar. Isso porque se um dia tiverem êxito nesse intento sua luta acabaria e eles dependem dela para sobreviver. Sem a luta, os movimentos ideológicos perdem o motivo para continuarem agindo e sua natureza necessita quase que exclusivamente da ação despertada por ela. O dia que o movimento feminista, por exemplo, conseguisse que todas as mulheres conquistassem tudo o que dizem que devem conquistar, não haveria mais motivo algum para haver qualquer tipo de movimento feminista. Isso ocorre também com os gays, com os sem terra, com os negros, com gordos e todo tipo de movimento reivindicatório que a imaginação humana for capaz de inventar.

Os movimentos ideológicos não querem, de verdade, alcançar suas metas, pois isso lhes arrancaria sua própria razão de existir. Eles precisam de inimigos, precisam de oprimidos, precisam de guerras. Eles também precisam de utopias para que possam apontar um caminho, para que sua massa de militantes manipulados seja dirigida, ainda que jamais a alcancem.

A ideologia vive do espírito de oposição e se alimenta da crítica. O motivo dela sobreviver não tem nada a ver com tentar atingir um resultado qualquer, mas ter sempre algo contra o que se voltar, ter do que reclamar, haver um demônio para enfrentar. Tanto que, se não os encontra, cria-os. É assim que funciona!. Basta ver como os partidos de esquerda, mesmo quando alcançam o poder, tendo toda a máquina estatal em suas mãos, continuam alimentando a retórica do preconceito e do vitimismo. É que eles sabem que, se lhes escapar esse discurso, não lhes sobre mais nada e perdem sua razão de existir.

Não é à toa que os movimentos ideológicos impõem metas inalcançáveis para serem perseguidas. Esta é a única maneira de garantir sua longevidade. Se o que buscam jamais for colocado em prática em sua plenitude, isso lhes garante que poderão permanecer vivos, mantendo seu discurso crítico e de oposição, mesmo quando sua posição política atual seja o de poder.

Aceitar como legítimo, portanto, qualquer discurso ideológico é permitir ser enganado por algo que existe apenas para manipular as pessoas. Na verdade, repetir um desses discursos é apenas alimentar esse ciclo de enganação de quem que finge lutar por algo que, de fato, nunca pretende alcançar.

Quem fala a verdade merece castigo

Para provocar um inimigo, basta mostrar o quanto ele é estúpido. Na verdade, ninguém gosta de ouvir verdades, quando estas desmascaram suas mentiras. A velha sentença: a verdade dói, é real principalmente contra aqueles que insistem em lutar contra ela.

O Parlamento Europeu sentiu isso quando determinou a perda da imunidade parlamentar sobre a presidente do Partido da Frente Nacional francês, Marine Le Pen, pelo motivo dela ter mostrado, em seu Twitter, imagens reais, e já divulgadas anteriormente pelos próprios terroristas, de execuções praticadas por eles.

O pecado de Le Pen foi ter apresentado ao mundo a realidade. Em uma sociedade politicamente correta e totalmente comprometida ideologicamente, desvendar a verdade será sempre uma afronta.

É que as ideologias não coadunam com a realidade, então elas precisam se impor. Como todas são, invariavelmente, obras de lunáticos, que pensam que podem mudar o mundo segundo suas doidas convicções, os fatos como se manifestam acabam sendo obstáculos que precisam ser transpostos.

Esses ideólogos querem ter o direito inalienável de construir uma sociedade segundo seus próprios devaneios e a realidade normalmente não se encaixa neles. A realidade, na verdade, mostra o quanto estão equivocados e até o quanto são maus.

Quando Le Pen mostra fotos reais, de execuções reais, praticadas por gente real, configurando uma ameaça real para o mundo sonhado por essa gente, ela precisa ser punida, pois o velho pensamento, que afirma que quem conta a verdade não merece castigo, é opressor demais para quem está acostumado com tanto desvario.

Esses senhores que tentam impor sua visão de mundo sobre todos odeiam a verdade porque ela é como um espelho que faz refletir a imbecilidade deles e desvenda todas as incoerências de seus discursos fantasistas.

Por isso, não ouse falar a verdade para quem a odeia. Principalmente, se for alguém que possa impor-lhe algum tipo de sanção.

Quem controla quem

Quando Marcelo Odebretch afirma, em sua delação, que ele era “o otário do governo, o bobo da corte“, não está dizendo nada mais do que a verdade.

Por mais que esses empresários sejam megalomaníacos e acreditem que têm o mundo em suas mãos, eles possuem objetivos muito simplórios, comparados com as raposas políticas. O que eles querem é ganhar mais dinheiro, é dominar o mercado, é receber vantagens econômicas por meio de sua relação com o poder.

No entanto, são os políticos que articulam-se com estratégia e inteligência, na busca de uma dominação muito mais ampla e profunda, manipulando principalmente aqueles que se apresentam famintos por obter vantagens financeiras.

Por isso, os grandes empresários, em sua ânsia por ganhar cada vez mais e dominar o mercado, são presas fáceis dos políticos corruptos. Se tornam, dessa maneira, marionetes nas mãos daqueles que realmente possuem o poder do Estado.

É verdade que não há ingênuos nessa relação, mas enquanto os empresários acreditam que controlam o mercado, os políticos sabem exatamente quem controla os empresários.

O espanto com as contradições revolucionárias

Consigo identificar em que estágio a pessoa está em relação à compreensão da mentalidade revolucionária por sua reação diante do modus operandi dos esquerdistas. Quando ela ainda se espanta com as incongruências e contradições deles, isto é sinal que ainda não entendeu como a luta política funciona para essa gente.

Para alguém com uma ideologia, os fatos realmente não importam. O que importa, de verdade, é a luta. Sequer o objetivo tem muito valor. O que tem importância mesmo é manter o movimento vivo, manter o sentimento de estar fazendo algo. O que vale, de fato, é a ação.

Todas as palavras e idéias lançadas têm o único objetivo de fomentar a luta e sustentar o espírito do grupo. Não há um compromisso de fidelidade com a realidade, nem a necessidade de que tudo possua coerência. Pelo contrário, na cabeça revolucionária, a lógica é uma limitadora das possibilidades do movimento. Prender-se à coerência é impedir muitas alternativas de ação.

Quem ainda não entendeu essa forma de atuação dos esquerdistas se assusta com a quantidade de contradições encontradas em seu discurso e não se conforma como algo tão incoerente pode manter-se atuante e com tanta força.

Quem, porém, já passou da fase do espanto e compreendeu que esse ilogismo faz parte mesmo do método revolucionário, não se surpreende com as loucuras dos socialistas. Pelo contrário, ao tomar consciência que as coisas são assim mesmo, já não se preocupa em convencê-los, mas em desmascará-los.

É possível gerenciar um país como uma empresa?

A aparente proposta apresentada pelo novo presidente americano, de conduzir o país à semelhança de uma empresa nas negociações comerciais, por incrível que possa parecer, é uma novidade. Tão novo, que mesmo os liberais, conhecidos por sua afeição pela liberdade de mercado, não têm encontrado as categorias onde possam encaixar essa modalidade de condução do país.

Em seu artigo no Institulo Liberal, replicado no blog do Rodrigo Constantino, João Luiz Mauad coloca em dúvida se essa forma de gerir a coisa pública realmente funcionaria. E suas objeções surgem do fato de que, em síntese “nem tudo o que é rentável tem valor social e vice-versa”.

Ocorre que, apesar das razões relevantes levantadas no texto, não há referências históricas para sabermos se essa forma de gerenciamento dos negócios públicos realmente funcionaria. O que conhecemos até aqui foi, na melhor das hipóteses, governos que tentaram se afastar do mercado, deixando-o livre para auto-regular-se.

No entanto, hoje em dia fazer isso é simplesmente impossível, por causa de algo chamado mercado global. Atualmente, há uma infinidade de pactos, regulações e acordos bilaterais e multilaterais entre governos que servem para definir as regras do comércio entre as empresas das nações envolvidas. Assim, não é possível mais para um governo simplesmente decidir se afastar do jogo do mercado, porque este jogo, no âmbito internacional, depende completamente de sua posição.

E não houve na história dos acordos comerciais internacionais país algum que entrou neles com a perspectiva semelhante de uma empresa comercial. Há os protecionistas, que, na verdade, não negociam, mas impõem, quando podem, suas exigências e os liberais, que entram nas rodas de negociações com a mentalidade da coisa pública, do bem comum, só que em escala mundial.

Um governo que simplesmente entre para ganhar, de maneira que consiga extrair os melhores benefícios dos acordos sem, com isso, perder mercado, nem desagradar consumidores internos e externos, nunca se viu.

Até aqui quem negociou tudo isso foram políticos, homens públicos, que pensam antes mesmo das vantagens comerciais, na imagem que o negócio transmitirá para cidadãos e eleitores. Olhando para o passado, não se vê governante que tenha entrado no jogo comercial global explicitamente para ganhar. E isso assusta! Porque os analistas estão acostumados com os homens públicos, que jamais ousariam fazer isso, sob o risco de ter suas imagens públicas arranhadas.

De qualquer forma, uma coisa é certa: o modo como as rodadas de negociações comerciais são feitas pelo mundo têm privilegiado principalmente os países mais pobres, e mais ainda aqueles que se aproveitam para ganhar, explorando seus próprio povo.

As nações mais ricas têm perdido nessa competição. Suas exigências burocráticas internas não lhes permite concorrer nesse mercado em igualdade de condições, acabando sufocados por suas própria estrutura. O resultado disso é a fuga de grandes empresas e, por consequência, de riqueza, para aqueles países que oferecem mais vantagens econômicas para elas.

Diferente de Mauad, porém, não sei se gerenciar o país como uma empresa é algo impossível. Teoricamente, não vejo empecilhos para isso. Na prática, como não tenho referências históricas com as quais possa comparar, me resta esperar para ver o resultado.

O que eu sei é que a visão do bem comum, apesar de todas as promessas de construção do paraíso terrestre, se tornou mais uma maldição do que um bem para o Ocidente.

Por que, então, não tentar de outra maneira?

O America First, de Donald Trump

O “America First”, de Donald Trump, em termos econômicos, nada mais é do que a possibilidade de oferecer ao país uma posição de negociação semelhante a qualquer empresa comercial.

Explico: toda empresa que entra em uma mesa de negociações busca seus próprios interesses. O objetivo é conseguir, para si, as melhores condições, que lhe deem os maiores ganhos e que lhe possibilitem os menores custos.

Nisso, obviamente, é necessário ceder em alguns pontos, já que do outro lado encontra-se outra empresa com os mesmos objetivos e buscando as mesmas vantagens.

Ainda assim, nesses acertos comerciais, invariavelmente, todas as partes saem satisfeitas. Acreditam que cederam até onde era possível e ganharam o que lhes era permitido, conforme as circunstâncias.

Em geopolítica, porém, evita-se aplicar essa mesma maneira de negociação. Como forma de teoricamente equilibrar o jogo, permitindo que países mais pobres possam participar das negociações em condições de igualdade, criou-se a ideia de que as negociações devem ter como objetivo não os próprios interesses das nações, mas a busca de um equilíbrio que, de alguma maneira, promova a justiça entre os povos.

O resultado dessa visão acabou sendo o desfavorecimento das nações mais ricas, sem, necessariamente, favorecer as mais pobres. Quem ganha, de fato, nesse jogo, são os países mais espertos, como a China, com seu comunismo de Estado e semi-escravidão de seus trabalhadores, que aproveita a impossibilidade dos países ocidentais de impor seus interesses, para levar vantagem.

Que cada país busque seus próprios interesses é um princípio que foi desprezado veementemente pelos globalistas e espacialistas em relações internacionais. E agora que Trump promete resgatar isso para os Estados Unidos, boa parte do mundo fica em polvorosa.