Não tenha medo de ganhar dinheiro

Um jovem, recém milionário, que havia acabado de solidificar sua fortuna ao desenvolver sistemas de tecnologia para internet, tendo mudado sua residência definitivamente de Nova York para San Francisco, fora questionado pelo repórter que o entrevistava sobre o que havia mudado em seu estilo de vida após ele sair de um padrão de renda mediano para a riqueza.

Sua resposta foi clara e objetiva: “Nada!”

Sem hipocrisia, ele explicou que, na verdade, o que havia mudado era que, antes, ele se preocupava com dinheiro e, agora que o possuía em abundância, não precisava mais esquentar sua cabeça com isso, podendo se concentrar no que realmente importava.

O fato é que muita gente tem medo de ganhar dinheiro, acreditando que almejar ficar milionário representa um tipo de ambição reprovável. Nós, que crescemos em um ambiente cultural forjado pela ideia da moderação, principalmente vindo da mentalidade cristã, inclusive em relação ao dinheiro, acabamos acreditando que há um certo tipo de pecado no acúmulo de capital, como se o simples fato de ter dinheiro tornasse a pessoa suspeita de impiedade.

O resultado disso é que, apesar de querer ter uma vida um tanto mais confortável, muitas pessoas criam um certo tipo de limitação, contentando-se apenas com o suficiente para viver razoavelmente bem, mas nada mais que isso.

A consequência é que, já que é impossível controlar exatamente quanto se pode ganhar, pois há variáveis infinitas que acabam determinando isso, muita gente acaba ganhando muito menos dinheiro do que teria a possibilidade e a capacidade de ganhar.

No fim das contas, acabam vivendo, até o fim dos seus dias, contando trocados, tendo de se preocupar se o dinheiro do mês cobrirá todas as despesas e não conseguindo deixar de pensar nos débitos jamais.

O que muita gente não entende é que ter muito dinheiro não precisa significar uma vida de dispêndio transloucado, nem de entrega desvairada às paixões que podem ser compradas. Ter muito dinheiro pode significar muitas coisas boas, como poder ajudar mais pessoas, poder viver de maneira tranquila, poder apoiar bons projetos, poder concentrar-se no que realmente importa nesta vida e, principalmente, não ser engolido pelo redemoinho das preocupações financeiras, que extingue a energia, tira o foco, suga os dias e abala os relacionamentos.

É verdade que há quem que não deveria ganhar tanto dinheiro, pois não sabe usá-lo de maneira sábia e virtuosa. Mas há muita gente que poderia enriquecer, de forma inteligente e altruísta, mas que não consegue, porque tem medo de ferir algum preceito divino.

Não tenha medo de ficar rico. Apenas peça a Deus que seu espírito esteja preparado para tanto. Melhor ainda, prepare-se mentalmente para ganhar dinheiro de maneira virtuosa e já pense como fará para torná-lo um instrumento de alegria e desenvolvimento para si e para os outros.

 

Publicado originalmente no Vida Independente

 

A relação dos homens com a autoridade secular

A noção de autoridade secular, segundo a Bíblia, é de algo que se deve respeitar e até obedecer, porém por tolerância, a fim de não ter-se por rebelde. A modernidade, porém, criou a ideia de autoridade que não apenas deve ser obedecida, mas servida, e de onde deve-se esperar as soluções para as questões mais comezinhas da vida cotidiana.

A forma como as pessoas, hoje em dia, se referem à autoridade, esperando dela tudo e até criticando-a quando ela não vem acudi-las da maneira que esperam, é uma completa inversão de como o cristianismo ensina que deve ser a relação do homem com os poderes terrenos.

E tal atitude apenas cria, nesses que aguardam tudo dos governos, uma incapacidade de resolverem suas próprias vidas, de buscarem suas próprias soluções, de assumirem a responsabilidade total por aquilo que fazem e por aquilo que conquistam.

O cidadão moderno não sabe defender-se, não sabe prevenir-se, não sabe sequer preparar-se para o futuro. Tudo ele espera que lhe seja dado pelas autoridades e, quando elas não agem de acordo com suas expectativas, o que é a regra, aliás, então usam de sua maior força: o direito de reclamar.

Quando a vida escapa

Toda pessoa se encontra diante de um desafio: não deixar-se perder na vida. A luta é por manter, até onde for possível, o controle da própria existência.

Não que possamos determinar tudo o que acontece conosco, mas, minimamente, somos capazes de dirigir-se em uma direção determinada, ainda que, algumas vezes, seja preciso retomar a rota.

Claro que existe o imponderável e contra ele não há prevenção. De qualquer forma, fora do que foge ao nosso controle, há um espaço razoavelmente largo onde é possível determinar o caminho que tomaremos.

Digo isso porque veja muitas pessoas que alcançam o último estágio de suas vidas, quando deveriam estar em paz e certos de terem construído algo, totalmente alquebrados, perdidos, com pendências diversas e ainda lutando, como se fossem jovenzinhos, por questões básicas.

Não tenho quase nenhum medo na minha vida, mas essa visão da velhice, confesso, me assusta.

Quando vejo um senhor, que já deveria estar gozando de um tanto de paz, esbaforido na busca do pão cotidiano, oprimido pelo peso dos insucessos e já sem qualquer esperança de ter sua situação transformada, isso corta o meu coração.

Um grande desafio é, portanto, não deixar a vida escapar pelos nossos dedos. Como fazer isso não é um segredo, mas passa, certamente, por exercícios diários de reflexão, decisão e cultivo do espírito.

Alguns conseguem e estes, de alguma maneira, se tornam mais felizes.