Como se (não) fossem morrer

Dizem que o certo é viver como se fôssemos morrer amanhã. Sêneca, e depois Montaigne, diziam que viver é exatamente isso: aprender a morrer.

O mártir tornou-se o ideal de conduta. Aquele que despreza a morte o exemplo a ser seguido.

Só que quando eu observo o que a quase totalidade dos homens construiu, percebo que o que os motivou foi algo bem diferente do que a consciência sobre a morte. Fica claro que a energia que encontraram para fazer o que fizeram veio do fato não de viverem como se fossem morrer, mas, pelo contrário, de viverem como se não fossem morrer jamais.

Os homens encontram vontade de fazer as coisas geralmente porque fingem não perceber que a morte está à espreita. É esta ilusão de perpetuidade que os leva a acumular riquezas que não usufruirão, a criar instrumentos que não gozarão, a lutar por causas das quais não tomarão parte dos resultados.

Viver pensando na morte não é errado. Pelo contrário, é o ideal. Mas é algo para santos e heróis. Porém, se todos vivessem assim, como se fossem santos e heróis, o mundo seria um caos.

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