Contracultura em um mundo às avessas

Quando eu penso em contracultura, não há como escapar da imagem de hordas de hippies mal-cheirosos, amantes do sex-lib e dos alucinógenos, ou de punks do gueto, com suas caretas de homicidas, cantando, em versos mal feitos e acordes infantis, algumas palavras contra o sistema.

Contracultura é opor-se ao pensamento dominante, denunciá-lo, enfrentá-lo e, principalmente, contestá-lo, tomando a direção oposta à dele. Por isso, a contracultura coloca-se contra tudo aquilo que a sociedade considera normal: a religiosidade, o conceito de família natural, o respeito às tradições, a defesa do indivíduo e o patriotismo.

No entanto, o que era normal já não o é e o contrário começa a tomar o seu lugar.

Hoje em dia, tem se tornado normal a fé sem religião; uma criança afirmar-se homossexual; comemorar, com fogos e danças, o direito ao aborto; queimar a bandeira do país em praça pública; repreendender os próprios pais, tratando-os como estúpidos; amaldiçoar as tradições de sua comunidade.

Por outro lado, é cada vez mais esquisito alguém frequentar a missa assiduamente; assustar-se com menino de seis anos querendo fazer maquiagem; rezar para que a vida no ventre não seja extirpada; vestir-se com as cores do seu país; respeitar a experiência e o conhecimento dos mais velhos; defender o indivíduo contra as imposições da coletividade; ou venerar o passado como fonte de riqueza e sabedoria.

Os valores na sociedade estão em um processo de inversão e o que antes era estranho está se transformando em normal o que sempre foi normal está sendo visto como estranho. Tudo o que sempre foi natural, perene e sustentou a civilização começa a ser tratado como elemento excêntrico, quase alienígena.

Homens e mulheres ordinários, com suas vidas prosaicas e pensamentos simples estão se configurando a nova contracultura.

É um mundo às avessas e para adaptar-se a ele seria preciso negar tudo o que sempre nos foi caro e necessário. Mas, como dizia uma música típica da antiga contracultura, “Eu não vou me adaptar”.


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