Cristo não veio julgar, mas salvar

Quem não entende que Cristo veio ao mundo para salvar os homens e não julgá-los, não compreendeu a essência do Evangelho. Isso parece óbvio, mas, ainda assim, ao fazer esta afirmação, muita gente torce o nariz e acredita que eu estou caindo em algum tipo de universalismo.

Aliás, escrever sobre doutrina e teologia sempre é algo problemático, pois o que mais há são os defensores da santa fé, ansiosos por encontrarem qualquer desvio doutrinário para saírem gritando por aí: Herege! Herege! Nesta questão, ao enfatizar a obra salvadora de Cristo, não estou inventando nada, mas apenas ressaltando o aspecto fundamental de sua missão ao vir ao mundo.

A encarnação é uma solução para algo que já estava definido: a perdição humana. Cristo, ao vir à terra, oferece, a um povo que estava condenado, uma derradeira chance. Se, até ali, não havia o que fazer para encontrar a salvação, agora se abria uma esperança.

Fica claro, portanto, que o que o mundo precisava não era de julgamento, mas de salvação. Tanto que Jesus mesmo disse: “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” (João 12.47).

A encarnação do Logos, portanto, é a solução para um problema que parecia insolúvel. Os homens, sem exceção, são pecadores, seu destino já está traçado, não há como, de alguma maneira, obterem sua própria redenção. Se nada fosse feito, se Cristo permanecesse eternamente em sua glória, nada iria mudar: todas as pessoas estariam condenadas. Quando o Filho de Deus, porém, aceita descer a este mundo, não fez isso para condenar ninguém, posto já estarem condenados. Pelo contrário, sua missão era bem clara: trazer uma última oportunidade de resgate, de redenção.

Cristo veio como um cordeiro, a fim de ser sacrificado em favor dos homens. Uma das características desse animalzinho é, quando está para ser abatido, oferecer o próprio pescoço ao seu algoz. E foi isso mesmo que Jesus fez. Ele seguiu calado até sua libação e permitiu que homens, sobre os quais ele tinha poder para fazer o que bem entendesse, o conduzissem até à cruz.

Portanto, não há julgamento envolvido na encarnação de Cristo. Há, meramente, uma oferta. Ele se entrega pelos homens com o intuito de oferecer-lhes uma última chance de salvação. A morte na cruz, portanto, não é julgadora, mas salvadora. Não dá uma sentença, mas uma esperança. Não define o destino humano, mas oferece uma possibilidade de mudá-lo.

Nisto, não há nenhum universalismo envolvido. Pelo contrário, diferente desta doutrina, que ensina, que, no final, todos serão salvos pelo amor divino, a própria vinda de Cristo é a prova de que, pelo contrário, se há algo que parece mais universal, é mesmo a condenação.

Na verdade, os homens estavam tão perdidos, seu destino eterno já tão definido, que se Cristo viesse julgá-los seria apenas para fazer uma mera declaração formal de um fato já consumado. No entanto, ele deixou sua glória para algo muito mais espetacular, que foi apresentar uma oportunidade de mudar o que parecia inexorável.

 

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