Desvendando um justiceiro social

O discurso dos justiceiros sociais nunca visa a melhoria da vida dos mais pobres, mas desejam ardentemente que os mais ricos se explodam

Alguns ideólogos de esquerda apenas emitem suas opiniões porque, certamente, não mantêm relações mais íntimas com quaisquer um daqueles que eles dizem defender em seus discursos. Se tivessem essas relações, tomariam uns bofetões para aprender a calar a boca. É o caso, por exemplo, do ex-padre Leonardo Boff que, escrevendo em seu twitter, afirmou que era inaceitável um operário americano receber $ 3.000 (três mil dólares), ou seja, cerca de R$ 7.000,00 (sete mil reais) de salários, enquanto um executivo recebe um milhão. Se Boff tivesse algum amigo operário no Brasil, eu não tenho dúvidas que este já teria lhe dado uma repreensão, dizendo o quanto seria bom receber uma remuneração igual a do seu colega americano.

 

O que Boff acredita que está promovendo é a tal da “justiça social” e ele, como seus pares de ideologia, enxerga nessa expressão a emanação de todas as esperanças de virtudes e de nobreza, a qual se agarra para sentir-se parte de uma elite de heróis que estão por aí com o intuito de salvar a humanidade. Defender a justiça social é obter uma salvo-conduto para falar as maiores asneiras e, ainda assim, conseguir ser ovacionado por outros cabeças-ocas que jamais entenderão o que é fazer justiça realmente.

Quando o ex-padre se refere a esse tipo de justiça está querendo dizer que a renda precisa ser melhor distribuída. Até aí, tudo bem. O problema é que sabichões da economia distributiva, como ele, não conhecem outra maneira de fazer isso senão retirando daqueles privilegiados que possuem uma condição financeira melhor o dinheiro que, quase sempre honestamente, angariaram em sua vidas profissionais. Os apóstolos do distributivismo, na verdade, não têm criatividade alguma e a única proposta que oferecem é fazer cortesia com chapéu alheio. Não multiplicam os pães, nem os peixes, mas tomam os cinco alimentos e querem somente distribuir suas migalhas.

Na verdade, o discurso dos justiceiros sociais nunca visa a melhoria da vida dos mais pobres, mas desejam ardentemente que os mais ricos se explodam. Com sua retórica, criam na imaginação de um povo ignorante a ideia de que sua miséria é culpa daqueles mais abastados, fomentando, assim, uma atmosfera de ressentimento e rancor. Por isso, não importa se o mais pobre ganha um salário digno ou não. O que importa é quanto o mais rico acumula. Para eles, é preferível a miséria equitativamente distribuída do que a abundância mal distribuída, ainda que esta proporcione uma vida bem mais próspera para os menos privilegiados financeiramente.

Porém, como o discurso dessa gente soa bonito e parece revelar uma preocupação verdadeira com o bem estar do miserável, este acaba acreditando que homens como o senhor Leonardo Boff realmente se preocupam com ele. Linguarudos abastados, como o ex-padre, então, angariam o louvor e os dividendos de sua pregação, ainda que a profira de dentro de seus apartamentos caríssimos e de seus escritórios chics. O pobre, em troca de todo o prestígio e renda que proporciona aos ideólogos promotores da igualdade falaciosa, recebe, no máximo, uns trocados ou um auxílio-qualquer-coisa, sem ter suas condições de vida e, principalmente, oportunidades alteradas em essência.

Diante disso, tenho plena convicção que o que a esquerda burguesa mais deseja é a manutenção do status quo. Isso aliás, não é de causar espanto, afinal quase tudo o que ela conquistou nas últimas décadas: sua influência, seu respeito, seu life style e seu dinheiro foi por causa de sua oratória malandra, que enquanto finge defender o pobre, apenas celebra aquilo de que o pobre quer mais se livrar: sua própria miséria. Aliás, o que seria de homens como Leonardo Boff em um país onde todos estivessem bem de vida?

 

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