Ditadura dos imbecis

A moda agora é repreender quem faz uso de quaisquer palavras, expressões ou ideias que possam servir de gatilho para alguém. Se você não entendeu o que isso quer dizer, não se preocupe, a coisa é meio estúpida mesmo. Funciona assim: a pessoa possui algum tipo de má recordação, algum trauma. Então, falar qualquer coisa que possa fazer com que essa lembrança venha à tona é um gatilho e, por isso, deve ser censurado.

O problema é que uma má recordação é algo tão subjetivo e de possibilidades tão amplas que, quando se ensina que ela serve de parâmetro para proibir manifestações, forma-se a crença de que mesmo os sentimentos mais pessoais merecem ser preservados. Cria-se assim uma geração tão frágil que qualquer referência que se faça a algo que lhe incomode torna-se motivo de reprovação. Tudo passa a ser ofensivo.

Em princípio, esses gatilhos parecem apenas mais uma invenção da estupidez contemporânea. No entanto, há um elemento perverso nisso: o uso do vitimismo como arma de controle.

O vitimismo é reconhecidamente uma das atitudes manipulatórias mais usuais. Portanto, quando se cria uma geração de pessoas com mentalidade vitimista cria-se também uma geração manipuladora, que vai usar de sua pretensa fragilidade para perseguir os outros.

A engenharia social é evidente: forma-se uma multidão de pessoas com mentalidade vitimista, construindo-se assim um exército de censores que irão atuar para calar a voz de qualquer um que ouse emitir opiniões que eles aprendem ser desagradáveis, gerando, dessa maneira, uma verdadeira ditadura dos imbecis.

E sendo o politicamente correto a novilíngua a forjar as mentalidades contemporâneas, obviamente, os censurados serão aqueles que ousem falar de maneira a escapar dele.

Por isso, a fragilização universal é apenas mais uma maneira que encontraram para reprimir os dissidentes, aqueles que não aceitam ceder às imposições espúrias dos novos tempos. Mais um movimento em favor do controle universal.

Na verdade, esse negócio de gatilho se tornou uma grande arma de censura, uma maneira de controlar a linguagem e colocar no cabresto quem emite opiniões que vão de encontro à mentalidade atual. É só mais um sinal da imbecilidade opressiva que tem marcado nossos dias.


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