Insônia

Quem já teve dificuldade para dormir, por causa de algum problema que estava passando, tendo ficado com os olhos abertos, enquanto os pensamentos cavalgavam selvagemente dentro de si, entende bem o que quer dizer “conseguir colocar a cabeça no travesseiro”.

Nessa sentença popular, está embutida uma verdade universal: o quanto à noite, e o seu silêncio, pode trazer à tona os fantasmas interiores. É naquele momento, que deveria se de paz e descanso, que os elementos da fantasia (os fantasmas) resolvem aparecer e aterrorizar.

Esses fantasmas se aproveitam da ausência de dispersões, da falta de imagens, sons e sensações, que, durante o dia, ocupam espaço na mente das pessoas, e assombram-nas, perturbando a tranquilidade delas.

Depois que o cansaço vence o terror e o sono vem, a manhã surge como um alívio. Na verdade, os sons do dia e a movimentação do cotidiano acabam servindo como refúgio, que afasta aqueles provocadores noturnos.

Eu nunca entendi muito bem o gosto pela algazarra e pela multidão. No entanto, essa preferência pode ser explicada pelo fato da agitação sobrepor a interioridade. O barulho e toda a ebulição diária faz sair de si mesmo – de onde habitam os fantasmas – e permite seguir em paz, entretido com todo o passatempo costumeiro.

O burburinho do dia-a-dia serve para aplacar a consciência e possibilita viver o sossego da irreflexão.

Assim, se existe uma atração pela balbúrdia e pela aglomeração, nada explica melhor esse gosto do que a necessidade de exilar-se de si mesmo.


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