Limites da realidade

Não adianta se debater com a realidade. A verdade sempre se manifesta e lutar contra ela é causa de frustração.

Basta ver a multidão de rebeldes recalcitrantes que existe e é parida na indignação contra aquilo que não vai mudar um milímetro por causa dela.

Na verdade, há três maneiras de lidar com a realidade: negando-a com um inconformismo renitente, fazendo de tudo para mudar a ordem das coisas; aceitando-a passivamente, deixando-se levar pelas circunstâncias; ou resignando-se positivamente, esforçando-se para, a partir daquilo que ela oferece, erigir uma vida melhor.

Por isso, quem quer viver bem precisa resignar-se. Não com aquela resignação plácida e murmurenta, mas com uma que, ao aceitar a realidade como ela se apresenta, impulsiona à adaptação e à criatividade.

Observe o pintor, o escultor e o poeta: atuam aceitando as regras de seus ofícios, reconhecendo as fronteiras de seus trabalhos, e sobre eles desenvolvendo suas obras.

Uma pessoa inteligente, como o artista que revela seu gênio operando nos estreitos limites de sua arte, tem seu espírito criativo despertado pelas exíguas possibilidades que a realidade lhe impõe.

Basta permitir que ele se manifeste.

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