Não ceder, não calar

Antigamente, eu me calava para manter um bom convívio, mas percebi que além de me enfraquecer, isso fazia o idiota do outro lado se fortalecer
Há apenas um jeito de você ser compreendido pelas pessoas embriagadas com as ideias deste mundo moderno: cedendo. Portanto, há duas escolhas possíveis: deixar-se levar por essas mesmas ideias, tornando-se fraco e submisso a toda porcaria que existe por aí ou desistir de tentar ser compreendido e tornar-se um pária, um excêntrico, um intolerante isolado.

O problema de ceder o tempo todo apenas para manter um bom convívio com as pessoas é que você nem ganha um verdadeiro amigo e nem um convívio sincero. Na verdade, além de criar um relacionamento artificial, baseado na lixeira de ideias que o mundo apresenta, você ainda fica um fracote, um bobo, alguém sem convicção.
 
Antigamente, eu me calava para manter um bom convívio, mas percebi que além de me enfraquecer, isso fazia o idiota do outro lado se fortalecer. No fim das contas, ele permanecia convicto em sua estupidez e eu frouxo com minhas crenças. Decidi, então, que não cederia um milímetro sequer, mesmo às custas de diminuir drasticamente o número de “amigos”.
 
As pessoas têm a ilusão de que falando o que os outros querem ouvir, calando-se quanto às aberrações do mundo, deixando de dizer as coisas por saberem que não serão compreendidas, que vão preservar o mínimo de respeito e reconhecimento alheio. Não, não vão! O lado bom de não se deixar levar pelo curso deste mundo é que uma boa parte das pessoas com quem você convive começa a ter mais respeito, a ver que há alguém confiável falando com elas. Normalmente, os que fazem franca oposição são os militantes, os embriagados com a imundície mundana, de quem, para o seu bem mesmo, é melhor se afastar. Os outros, os familiares que lhe amam, os amigos que realmente lhe querem bem, esses podem até achar você um excêntrico, mas no fundo se orgulham de terem um amigo assim. Quando precisarem de um conselho sábio, terão certeza que poderão recorrer a sua esquisitice.
 
Jesus mesmo disse que o mundo nos odiaria. Se ele odeia o próprio Cristo não odiaria seus seguidores? O problema é que quando falamos as coisas como as vemos, sem maquiá-las, sem torná-las mais palatáveis, elas se mostram como são: amargas, azedas, difíceis de engolir. Fazer o quê? A vida é assim. O problema é que a verdade é uma espada que corta muito profundamente e machuca. Quando alguém se compromete com ela, de sua boca sai um hálito com cheiro de flores. Para os que são da vida, lembra flores do campo, mas para os que não são, flores de velório. Veja que o problema não está no que você fala, se for verdadeiro, mas em quem escuta.

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