Não se sintam sós

Há momentos na nossa vida que as verdades que nos são evidentes parecem ser atacadas por todos os lados. Momentos em que nossas percepções parecem ir contra tudo o que o mundo diz. Sentimo-nos, com isso, isolados, solitários em meio a uma multidão que fala de coisas completamente diferentes daquilo que observamos com nossos próprios olhos.

A oposição às nossas convicções é tão imensa que há situações nas quais chegamos até a duvidar delas. Tememos estar sendo teimosos, já que tudo em volta afirma categoricamente que nossas convicções estão erradas.

Fica evidente que chegamos no limite quando já evitamos compartilhar nossos pensamentos, receosos da censura certa que virá – uma censura que, inclusive, pode partir daqueles que nos são mais próximos, dos que nos são mais caros.

A sensação de solidão diante de uma realidade assim é inescapável. De repente, sentimo-nos sós em nosso mundo de certezas, como presos em uma masmorra de convicções.

Obviamente, esse tipo de situação pode gerar um certo tipo de neurose em muita gente. A verdade reprimida sempre tenta escapar por outros meios, não saudáveis.

Além disso, quem vive acossado por oposições às suas próprias certezas, não raramente, ao duvidar delas, pode até sucumbir para o lado oposto, o lado de seus juízes.

No entanto, eu gostaria que você prestasse muito atenção ao que vou lhe dizer, agora: não esmoreça ante esses ataques aos seus pensamentos, nem se permita sucumbir por causa deles. Entenda que este nosso mundo se tornou um mundo de narrativas. E narrativas não refletem a verdade, necessariamente. Narrativas, principalmente políticas e sociais, costumam ser criações de pessoas com deformidades psicológicas que, por conta de sua inadequação com a realidade, precisam contar estórias que acomodem suas percepções marginais.

Tais criadores de narrativas, porém, não se contentam em apenas formulá-las, mas têm a necessidade de divulgá-las e fazer com que as pessoas normais se adequem a elas. Por isso, Lobaczewski chama-os de propagandistas.

O problema é que essas narrativas, por serem uma criação de uma mente patológica, contornam os obstáculos próprios da realidade, tornando-se assim, geralmente, mais palatáveis que a própria realidade. Sendo assim, muita gente cai nos contos do propagandistas, seja por serem deformados como eles, seja por serem inocentes, vítimas perfeitas de psicopatas. São pessoas que têm a tendência de aceitar mentiras bonitas e, por isso, são facilmente enganáveis.

A questão é que uma narrativa, exatamente por não ter o suporte da realidade, para sobreviver, precisa ser continuamente contada. Uma narrativa que não é contada morre. Diferente da realidade, que se sustenta por si mesma, a narrativa apenas sobrevive se for o tempo todo repetida.

É disso que vem a sensação de que as narrativas dominam o mundo. Enquanto a maioria que percebe a realidade permanece em silêncio, porque não tem necessidade de divulgá-la, pois ela é auto-evidente, o propagandista e seus discípulos precisam contar suas estórias o tempo todo, a fim de evitar que elas desapareçam.

Portanto, lembre-se disso toda vez que se sentir só, tendo a impressão de que o mundo todo está pensando diferente de você. Na verdade, a grande maioria das pessoas pensa exatamente igual a você, apenas não precisa ficar alardeando isso o tempo todo.


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