Um assédio juvenil e a sociedade policialesca

Um garoto de vinte anos, estrela da música pop, chamado Biel, que parece ser a sensação atual das adolescentes brasileiras, está sendo duramente perseguido e boicotado porque falou umas grosserias para uma menina que diz ser jornalista. Entre essas grosserias, estão alguns elogios vis e outras baixarias, além do uso da expressão “quebrar no meio”, claramente se referindo ao ato sexual, talvez um tanto mais empolgado que o tradicional.

Dizendo-se assediada, a jornalista prestou queixa em uma delegacia e tal atitude ainda está causando para a jovem celebridade outros transtornos, como o cancelamento de aparições na tv e em eventos patrocinados. Na mídia, em geral, o julgamento em relação ao garoto parece unânime, condenando-o veementemente. E os grupos feministas não perdem a oportunidade de enquadrar tal atitude como assédio, tratando a fala do rapaz criminosa.

Essa, pelo que me parece, é uma reação absurdamente desproporcional ao ato. O que ele disse pode até ser considerado de mau gosto, mas tratar como crime vai muito além do que é devido. Quando grosseria, estupidez, incivilidade e até alguma rudeza são confundidas com assédio, isto já é sinal que atingimos o estado de sociedade policialesca, onde todos denunciam a todos, tornando-se os perseguidores uns dos outros. Além do que, o assédio exige o mínimo de coação, de ameaça. Não pode se basear apenas em expressões mal usadas ou em analogias forçadas. Sem a coação, pode haver tudo, menos crime.

Mas, ao denunciá-lo, os grupos ideológicos apenas seguem seu já conhecido modus operandi. Lançando mão do politicamente correto, vivem de denunciar qualquer atitude que, segundo o entendimento deles, vai de encontro aos seus interesses, taxando-a de ilegal. Para isso, ampliam consideravelmente a definição do que é crime, com o intuito de abarcar toda e qualquer fala ou ação que tenha potencial para, ao ser denunciada, servir de instrumento para a promoção de suas bandeiras.

E isso acaba sendo acolhido por parte da sociedade, pois as pessoas acreditam que ampliar o conceito de crime, atingindo atos que, naturalmente, não são vistos como criminosos, estão fazendo um bem a todos. Acreditam assim que ficarão mais protegidas. O que elas não percebem é que os efeitos disso são terríveis, pois a cada nova lei desnecessária que é imposta, o Estado invade um pouco mais a vida do indivíduo, oprimindo-o.

Mas não chegamos a isso do nada. Na história das sociedades, antes de qualquer ação legislativa, as principais instituições que atuavam para conter os impulsos eram os costumes, a tradição e a moral religiosa. No entanto, estas praticamente perderam seu poder no mundo contemporâneo. O problema é que, quando isso acontece, diferente do que muitos pensam, não é a liberdade que as pessoas encontram no horizonte, mas agentes do estado impondo suas leis e dizendo tudo o que os cidadãos podem ou não podem fazer e dizer.

Quando tudo se torna crime, o governo se torna mais forte, pois a ele pertence a responsabilidade e o poder de repressão. Quando para tudo é preciso lei, ficamos todos subjugados a autoridade do Grande Irmão.

 

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