O mito do conhecimento gnóstico

O que os gnósticos praticavam, longe de ser conhecimento, era apenas mágica

O conhecimento, provavelmente, é o assunto que mais abordo em tudo o que faço. Seja em aulas, palestras ou mesmo em conversas íntimas, costumo insistir na importância de conhecer para a salvação da alma. Faço isso com convicção, pois acredito que o conhecimento da verdade é o real chamado cristão.

O problema dessa abordagem é que ela pode ser confundida, facilmente, com gnosticismo. Isso porque, como afirmam os estudiosos, os gnósticos, em geral, acreditavam que a gnosis (conhecimento) era o caminho para a salvação da alma. Assim, facilmente, meu ensino poderia ser identificado como um tipo de gnosticismo.

 

No entanto, como invariavelmente acontece, as pessoas entendem os fatos históricos e as doutrinas pelas impressões mais superficiais e não pelo seu verdadeiro conteúdo. Quem vê gnosticismo no meu ensino é porque não entendeu o que eu digo e, tampouco, compreendeu o que foi o gnosticismo histórico.

 

Não é a nomenclatura dada a um movimento que o torna praticante daquilo que seu nome informa. Há diversos partidos socialistas, por exemplo, que possuem o termo “democrático” em seu nome. Porém, foram exatamente os Estados socialistas os que mais cercearam a liberdade das pessoas. Inclusive, nos EUA, entre Democratas e Republicanos, os que defendem uma maior intervenção estatal são, exatamente, os primeiros.

 

Da mesma forma, o gnosticismo, apesar de ter esse nome, que indica uma afeição ao conhecimento, não possui nada, em suas práticas, que indique que o conhecimento seja algo realmente de valor para eles. O que eles cultivavam era a prática de técnicas e rituais místicos que, segundo eles, por meio de um salto, os poderia elevar a um plano superior de existência.

 

Ora, conhecimento não é o saber automático de alguma fórmula mágica que conduz a um transe qualquer, mas o acúmulo de informações, juntamente com a seleção e absorção daquilo que realmente é bom e importante, a fim de compreender melhor a realidade. O que os gnósticos praticavam, longe de ser conhecimento, era apenas mágica.

 

Outra coisa, os gnósticos não acreditavam em salvação. Para eles, o que deveria ser buscado era a elevação do espírito: um salto do plano infeiror material, para um plano superior espiritual. O conceito de salvação cristã, como o livramento de uma condenação perpétua prolatado por um juiz eterno e onisciente, era algo desprezado por eles.

 

Por isso, dizer que os gnósticos acreditavam que a salvação vinha pelo conhecimento é uma simplificação tosca, que mais confunde do que informa. Porém, é essa a informação que praticamente todos os que se referem ao gnosticismo dão.

 

Quendo eu digo que o conhecimento é essencial à salvação, diferente da heresia gnóstica, estou afirmando que há realidades eternas que devem ser compreendidas pelo homem. Essas realidades são sintetizada pelo Logos e, por isso, ele pode ser chamado de “A Verdade”.

 

Por isso, torna-se compreensível a afirmação de Paulo, ao dizer que em Cristo todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Cl 2.3). Com efeito, é Cristo quem, sendo a própria razão divina, sintetiza a inteligência de todas as coisas. E se o conhecimento se encontra nele, e se nele está o único caminho para a salvação da alma, apenas na busca dessa razão que o homem pode encontrar a via que o leva à eternidade celeste.

 

Deixe uma resposta