O orientalismo possibilitado pela New Age

guru-zenO movimento denominado Nova Era não é unívoco. Pelo contrário, além de ter suas origens sendo rastreadas por alguns estudiosos até tempos muito antigos, sua manifestação é tão diversa que se torna impossível dizer, com certeza, no que ela consiste de fato.

De qualquer forma, há algumas características comuns que compõem a ideia e a estética da Nova Era. Entre estas se encontra uma aproximação evidente com a espiritualidade e religiosidade orientais. Tal orientalismo, de fato, não é um fenômeno recente, sendo uma constante na história ocidental. Entre os iluministas, virou moda; os ocultistas do século XIX buscaram nas religiões orientais sua inspiração; mas foi nos anos 60 do século XX que ocorreu o grande momento quando, pode-se dizer, o Oriente invadiu o Ocidente.

Até 1965, por conta de uma lei de imigração, promulgada em 1924, era muito difícil para um estrangeiro, em especial asiáticos e africanos, conseguir fixar residência nos Estados Unidos. Porém, com a revogação daquela norma, as fronteiras americanas se abriram e houve uma onda de, principalmente, indianos e árabes se dirigindo para o Ocidente.

Nessa movimentação imigratória, acabaram sendo importados diversos gurus budistas, hinduístas, xintoístas e de demais vertentes religiosas asiáticas que, definitivamente, transformaram a cultura americana, até ali predominantemente cristã.

Foi a partir daquele momento que começou a surgir um personagem que se tornou conhecido e reconhecido na sociedade americana: o guru-zen. Portador de conhecimentos pretensamente esotéricos e de técnicas ditas herméticas, o guru-zen fez a cabeça de muita gente e acumulou diversos seguidores.

Muitos desses gurus, inclusive, se tornaram milionários e vários, claramente, eram verdadeiros charlatões. Ainda assim, ajudaram a criar uma subcultura dentro dos Estados Unidos que se espalhou por todos os estratos sociais, angariando adeptos importantes, como estrelas da tv , do cinema e das artes, os quais ajudaram a disseminar as ideias da Nova Era por todo o país.

O que espalhou-se, no fim das contas, foi mais um tipo de orientalismo. Porém, este era agora uma forma diluidora das próprias ideias contidas na religiões orientais, que, se por um lado ajudaram a divulgar as filosofias e religiões do Oriente, por outro serviram para desvirtuá-las de seus conceitos originais.

Assim, o orientalismo que se estabeleceu foi, na verdade, uma ocidentalização da espiritualidade oriental, que trazia de lá sua estética, mas deixou por lá sua ética.

É por isso que há tantos ocidentais que se enamoram das religiões orientais. Como eles podem imitar aquilo que lhes parece mais palatável, como alguns de seus ritos, formas e conceitos mais superficiais e, ao mesmo tempo, ignorar o que não coaduna-se com estilo de vida ocidental, como aquelas ideias caracteristicamente incompatíveis com o senso de liberdade e igualdade que se estabeleceu por aqui, não encontram nenhum problema em exaltar aquelas religiões as quais não querem seguir da maneira como elas são de fato.

Quando vemos pessoas imersas no tipo de vida ocidental, usufruindo de todas suas benesses e chafurdando em sua prosperidade, louvando culturas que, em seus países de origem, apenas colaboraram para a disseminação da miséria, da ignorância e da violência, entendemos que isso só pôde acontecer porque houve, em algum momento, algo que permitiu tamanha incoerência, sem entrar em conflito com a cultura estabelecida no Ocidente.

E esse fato, certamente, a difusão daquilo que se convencionou chamar de New Age, que nada mais é do que um orientalismo chinfrim, que finge exaltar as religiões orientais quando, na verdade, apenas as imita de uma maneira porca e superficial.

 

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