O sofrimento do eleitor brasileiro

Basta o eleitor brasileiro se identificar com um político, com todas suas virtudes e falhas, para começar a ser tratado como estúpido, como gado, como fanático. Basta o coitado do eleitor brasileiro encontrar alguém na política que fala e pensa mais ou menos como ele pra ser visto como idiota. Basta o eleitor brasileiro alimentar alguma esperança que seu representante será alguém que possui as mesmas incoerências que ele, mas também a mesma sinceridade em tentar fazer algo de bom, e logo é tido como ingênuo.

Não é fácil ser eleitor no Brasil, pois aqui a política prática, mas também a teórica, é tomada de gente metida, que, no fundo, gosta mesmo desse elitismo financeiro e intelectual que mantém tudo como está.

E que não se diga que os anos da esquerda no poder foram anos do povo. Muito pelo contrário! Ali se instalou a mais evidente elite política e intelectual, que junto com sua militância, dominou as instituições do país, surrupiando-as, deixando o povo com a conta para pagar. Tratou-se nada menos de um domínio por uma liderança, que tem as pessoas comuns apenas como sujeito de sua retórica populista, nunca como beneficiário real de suas ações.

O fato é que o povo, aquele formado pelas pessoas simples e comuns, que trabalham todos os dias, que tem o orçamento apertado e que vive com, no máximo, o suficiente para seguir em frente nunca é ouvido. E este povo, em geral, é conservador, religioso, a favor da família e contra o crime. Tudo aquilo que a intelectualidade e os políticos fazem pouco caso.

Por isso, quando esse povo encontra alguém que parece ser como ele e deposita nele a esperança de finalmente ver-se no topo do mundo político, todos aqueles que se têm por intelectuais e iluminados ficam furiosos, fazendo de tudo para desmerecê-lo.

Pode até ser que o povo se engane e se decepcione com sua escolha. Mas que, pelo menos, ele tenha o direito de tentar, sem ser tratado como inepto.

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