Orientalismo: a busca pelo que já se tem

mistica-orientalA maior perda que a cristandade experimentou foi ter deixado de lado o misticismo existente em sua própria religião. Aquilo que foi cultivado até os tempos do medievo, foi sendo sufocado pelas camadas dogmáticas e de uma espiritualidade muito mais estética e superficial, até chegar aos dias de hoje praticamente esquecida, como se fosse algo estranho às suas próprias práticas.

Ocorre que a necessidade de misticismo é inerente à natureza humana. Então, não é porque os ocidentais praticamente abandoranam-no dentro de seu próprio ambiente que não vai haver, da parte deles, a tendência de buscar tipos de experiências místicas que ao menos tentem preencher a reivindicação de suas almas.

E como já não encontram esses devidos conteúdos místicos tão facilmente na religião que lhes é mais familiar, começam a enamorar-se daquelas que os possuem em uma forma mais explícita, como o hinduísmo, o budismo e até mesmo o islamismo.

Esta é a fonte do orientalismo: a supressão daquilo que o Ocidente sempre cultivou e sua substituição por conteúdos idênticos existentes no Oriente. Primeiro, escondem o tesouro que existe em casa e depois vão procurá-lo no vizinho. Pior, agem como se apenas os outros o possuíssem e como se eles mesmos fossem pobres.

Há nisso, é verdade, alguma ação deliberada dos inimigos do cristianismo, mas mais efetiva foi a supressão dos conteúdos místicos realizada pelos próprios cristãos – exaltaram cada vez mais os elementos mais superficiais de sua fé, como a doutrina, os ritos e a estética do culto e deixaram de lado os mais profundos, como o a busca do desenvolvimento espiritual, que deixou de ser algo de seu cotidiano religioso.

O resultado dessa situação é que, aos olhos ocidentais, parece que um misticismo mais profundo existe apenas nas religiões orientais e que no cristianismo, que é a religião praticada por eles mesmos, há somente a manifestação árida de um religiosismo tradicional.

Isso denota a falta de conhecimento da própria tradição cristã, que é rica em conteúdos místicos e possui, em seu bojo, um ensino evidente sobre espiritualidade, além da desconexão com o que existe de mais valoroso no cristianismo, que é a experiência mística que ele pode proporcionar.

O orientalismo, portanto, nada mais é do que a busca pelo que já se achou, o afeiçoamento ao que já possui e a experiência do que já se sabe. No fundo, é somente mais uma forma de esconder a riqueza do cristianismo, a fim de substitui-lo por qualquer outra coisa.

 

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