Os direitos da bicharada

Os animais existem, nada menos, para servir os homens

Vociferam por aí sobre os tais direitos dos animais. Mas, antes de tudo, animais têm direitos? Pelo que eu saiba, apenas homens são sujeitos de direitos. No máximo, o que há são obrigações que os homens devem cumprir e uma delas pode ser o de não maltratar animais. O problema é que vivemos mesmo tempos de bestialidade, quando o valor humano é mitigado, ao mesmo tempo que seus instintos (aquilo que ele possui em comum com os animais) realçado.

Fico bem à vontade com o tema, afinal eu mesmo tenho dois cachorros por quem sou apaixonado. Para falar a verdade, lá em casa são eles que mandam. Na minha relação com eles faço exatamente aquilo que dizem não ser recomendável, nem saudável: eles invariavelmente dormem em minha cama, quando faço refeições à mesa ambos ficam em volta esperando ser agraciados com parte de nossa comida – no que são sempre correspondidos, eu sequer preciso de despertador, pois logo cedo me acordam para que eu os sirva em seu delicioso breakfast canino, além de muitos outros mimos estúpidos que damos para essas figuras.



No entanto, diferente do que o leitor pode pensar, mesmo o meu carinho por essas criaturas não me faz pensar, de maneira alguma, que elas são algo de mais valor do que qualquer ser humano pode ter. Elas são o que são: simplesmente animais.

E os animais existem, nada menos, para servir os homens. Isso mesmo. Se você é cristão, basta ler lá no Gênesis. E sempre foi assim, desde os mais remotos tempos. Os bichos sempre serviram de alimento, de força de trabalho, de roupa e, na era mais moderna, servem para que se desenvolvam testes sobre medicamentos, cosméticos e outros progressos muito úteis para a sociedade.

Eu sei, a gente vê aqueles bichinhos lá, prontos para serem usados em testes que podem, de alguma maneira, machucá-los – é de cortar o coração. Mas pense de outra maneira: eles estão ali servindo a humanidade e, podemos dizer, da maneira mais nobre. Apenas isso já os eleva a uma dignidade que está muito além de sua natureza.

Se esses testes são realmente necessários e se não há outras alternativas que não envolvam seres vivos, realmente eu não sou competente para dar meu parecer. Porém, por hora fico com a lei, que permite os testes, desde que respeitados os procedimentos.

Claro que há pessoas que não estão nem aí para cachorros, gatos etc. No entanto, não devemos chegar a tanto. Deixa eu citar a Bíblia mais uma vez. Ela mesmo diz, lá em Provérbios, que o justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.

No caso dos ativistas que invadiram uma empresa que desenvolve esses testes, até o momento nada foi apresentado que demonstrasse realmente que havia abusos ali. E ainda que houvesse, isso não justifica a justiça pelas próprias mãos feita pelos defensores dos animais. Pois, se a moda pega…

Nós precisamos ver os animais como eles são, e não como seres humanizados. Meus cachorros, apesar de todo carinho e privilégio que recebem, estão ali também apenas, como animais que são, servindo dois seres humanos: no caso, eu e minha esposa. São tratados quase como filhos, mas são apenas bichos. Quando morrerem, vou ficar bem triste, mas certo que suas breves vidas serviram para algo bem mais nobre do que a própria natureza lhes determinou: colaborar com a alegria de um lar.

Aqueles que desesperadamente correram, invadindo propriedade alheia e destruindo patrimônio privado, para socorrer uns beagles que, supostamente, estavam sendo maltratados, se confundem em seus atos. Passam por cima dos direitos humanos para proteger os inexistentes “direitos dos animais”.

Mas, mesmo para aqueles que costumam elevar a bicharada ao nível dos mais nobres seres, quando se trata dos direitos próprios, a superioridade humana se mostra indubitavelmente. Basta ver as últimas notícias que mostram que alguns beagles, que foram resgatados naquele dia da invasão, estão sendo abandonados.

Isso é óbvio. Quem for pego com algum desses cãezinhos pode ser denunciado criminalmente!

Diante disso, me ocorre um versinho:



“Sou um ativista, amo animal

Tudo o que faço é para o bem seu

Mas se a coisa pega e posso me dar mal

Melhor antes no dele, do que botar no meu”

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