Os mais agraciados são os que menos ressaltam a graça divina

Statue of man holding hand over face

“É certo que nenhum cristão pode esquecer que a justiça divina é implacável. Isto está no centro do ensinamento evangélico. No entanto, quem pode negar que Ele é tardio para irar-se (Ex 34.6), além de piedoso, benigno e de grande misericórdia (Sl 145.8)? Aliás, são as atitudes mais benevolentes de Deus que são mais ressaltadas nas Escrituras”

A justiça de Deus e sua ira são ressaltadas usualmente pelos filhos da igreja. O amor, normalmente, pelos de fora. Isso não lhes parece um paradoxo? Se aqueles se veem como salvos, pertencentes à família divina, não deveriam ser eles a enfatizar suas características mais favoráveis aos homens, como a misericórdia e bondade?

É compreensível que quem se encontre fora dos dogmas eclesiásticos, sendo condenado por eles, busque no amor divino o refúgio para seu anátema. Melhor dizendo, se a igreja o condena, para sentir-se ainda sob as benesses do céu, resta-lhe duas opções: ou ingressa na eklesia e acomoda-se a sua doutrina ou se convence que mesmo fora é um abençoado. Muitos fazem esta segunda opção e são impelidos a ignorar que Deus, além de amoroso, é também justo.

Mas aqueles que estão sob os dogmas cristãos, que entendem que são os salvos, escolhidos ou, ao menos, a caminho da redenção, quase de maneira incompreensível, costumam viver sob a tortura do Deus que castiga, que disciplina, que, enfim, condena. De fato, são os mais agraciados que, ao invés de ressaltar a graça divina, tornam sua ira o atributo mais evidente. Não seria isso uma contradição? Se é o amor de Deus que os salvou, por que não é o amor que mais lhes chama a atenção?

É certo que nenhum cristão pode esquecer que a justiça divina é implacável. Isto está no centro do ensinamento evangélico. No entanto, quem pode negar que Ele é tardio para irar-se (Ex 34.6), além de piedoso, benigno e de grande misericórdia (Sl 145.8)? Aliás, são as atitudes mais benevolentes de Deus que são mais ressaltadas nas Escrituras.

Longe de mim ser um universalista, que acredita que todas as pessoas são salvas. No entanto, em minha vida experimentei muitíssimas mais vezes a misericórdia de Deus do que seu castigo. Aliás, raras vezes me lembro de algum tipo de disciplina divina. Aconteceram, é verdade, mas na memória acabaram sendo suprimidas pela infinita paciência que Deus sempre demonstrou comigo.

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