Permanência, a força da escrita

Nem todos sabem, mas eu mantenho um blog há mais de 15 anos. Mesmo nestes tempos, quando meios de comunicação mais dinâmicos e de alcance maior e mais imediato dominam as formas como as pessoas fazem contato com seu público, eu ainda tenho os textos que publico por lá como meu principal meio de expressão. Sou retrógrado? Sou teimoso? Não! Apenas acredito na força de influência permanente da escrita.

Eu tenho consciência do impacto da linguagem verbal. O que é falado permite ser interpretado pelo orador, possibilitando nuances e ênfases diversas à mensagem, que enriquecem a forma como o conteúdo é transmitido. Além disso, ela permite ao orador expressar emoções e sentimentos com profundidade. No entanto, apesar de tudo isso, falta-lhe algo que apenas o texto escrito possui: a permanência.

Palavras faladas são como o vento: movimentam as coisas, chegam até a causar alvoroço, revolução, quando não destruição, porém, sempre passam e, depois que passam, já não se sente mais tanto a sua força. A palavra escrita, por outro lado, tende a ser mais serena, menos barulhenta, mas é profunda, penetrante, pois permanece, ininterruptamente, diante dos olhos e impregna na alma. Por isso, sua influência, no tempo, é maior.

Perceba como, dos autores, pouco lembramos daquilo que deles ouvimos, mas há textos que se tornam imortais. Já ouvi centenas de aulas do Olavo de Carvalho, por exemplo, mas o que eu sempre guardo na memória, são seus artigos, apostilas e até postagens nas redes sociais que ficaram imortalizadas. ‘Bandidos e Letrados’ é um desses artigos; ‘As 12 camadas da personalidade’ é uma das apostilas memoráveis’; aqueles post sobre a loucura que o mundo atingiria ressoa na minha cabeça até hoje.

O texto, diferente da fala, fica ali, na nossa frente, insinuando-se ininterruptamente, pedindo para ser mastigado, deglutido, ruminado. Talvez, esse seja o motivo porque ele, diferente da palavra falada, que é engolida de uma vez só, tenha tanto poder.

Além do que, a linguagem verbal sempre é a manifestação do outro, enquanto a escrita permite a transmutação para a voz do leitor, o que facilita a absorção e a impregnação do discurso em sua alma. Enquanto em uma audiência, é a voz do orador que prevalece, na leitura, a voz do autor mistura-se com a do leitor, causando um amálgama que torna o texto muito mais íntimo para este.

Por tudo isso, é no texto escrito que eu acredito. Até porque, tenho convicção que, se algo meu ficar para a posteridade, isso ocorrerá em virtude da minha escrita.


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