Preguiça não é brincadeira

Falar sobre preguiça desperta, muitas vezes, algo meio lúdico, como se tratasse de uma brincadeira inofensiva. Mesmo sabendo que ela é um vício, algumas pessoas costumam vê-la apenas como uma travessura inócua, uma traquinice sem maiores consequências. Inclusive, sempre quando eu escrevo algo sobre o tema, há aqueles que fazem algum tipo de troça, tratando a preguiça até como algo agradável.

Porém, quem tem a experiência constante da preguiça sabe que ela não é tão inofensiva quanto parece. Uma vida que cede constantemente a ela sofre, mais cedo ou mais tarde, as sérias consequências de sua presença.

Quem já viu diversos projetos deixarem de ser concluídos, quem já teve de responder por danos causados por não entregar o que havia sido prometido, quem sente que sua vida é fundamentada em inconstância, quem vê o tempo passar sem conseguir construir nada, quem atinge uma certa idade mas sente-se um garoto imaturo que não consegue colocar em prática nada de mais importante e quem até já foi responsabilizado por não cumprir o que era sua obrigação sabe muito bem que a preguiça não tem nada de inocente.

Alguns podem brincar com o assunto e até dar a entender que com eles, apesar da preguiça, as coisas seguiram na normalidade. Isso pode até ser verdade. No entanto, provavelmente, tratam-se de pessoas que realmente têm um talento fora do comum, a ponto de suplantarem essa falha ou são pessoas que encontraram, por sorte, algo que lhes proporcionou algum retorno, independente do esforço. Porém, isso não é a regra. Em geral, a preguiça causa muitos males e atrapalha a vida de muita gente.

Quando resolvi abordar o assunto, como fiz em meu ebook Por que somos preguiçosos, foi porque eu percebi que havia algo de nefasto na preguiça, algo que acarretava consequências muito piores do que meros contratempos e inconveniências.

Passei a encará-la, então, como um vício, daqueles que precisam ser afastados da nossa vida se quisermos tomá-la de volta, se quisermos ter saúde, se quisermos manter a sanidade.

Eu, em uma época da minha vida, experimentei os efeitos da preguiça e eles não foram nada agradáveis. Cheguei ao ponto de que se não fizesse algo certamente veria ruir qualquer sonho e planos que havia estabelecido. E tudo isso não afetaria apenas a mim, mas minha família e aqueles que viviam em minha volta.

Quando eu falo sobre a preguiça, portanto, não estou abordando apenas um assunto curioso, que pode ser interessante para comentar. Estou falando de algo sério, de algo que eu sei pode mudar a vida de qualquer pessoa.

 

Texto publicado originalmente no blog Vida Independente

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