Representação política conservadora – uma resposta a Carlos Andreazza

Quando o editor da Record, Carlos Andreazza, exige que, para ser um representante político do conservadorismo, a pessoa tenha uma concepção do belo, alguma espiritualidade e também cultura, ele simplesmente exclui qualquer possibilidade de haver conservadores na política, além de afastar definitivamente o conservadorismo do homem simples, da gente comum, do povão.

Não que ele esteja errado quanto ao conceito, mas se o político conservador precisa possuir essas características, então ele restringiu o conservadorismo a um movimento intelectual, elitista, para poucos. Inócuo, enfim.

O pior é que essa régua de medida, se aplicada a qualquer outro tipo de pensamento, acaba com qualquer pretensão de representação política, seja na ideologia que for. Onde há esses homens cultos, que possuem plena consciência dos valores que defendem, com suas devidas nuances intelectuais? No liberalismo, no socialismo, na social-democracia, no comunismo? Sinceramente, seja qual for o lado para onde olho, o que vejo é um monte de trogloditas engravatados, que podem até, algumas vezes, transmitir aquele ar de distinção e cultura, mas que não passa de aparência. A política brasileira é formada, em todas suas matizes, de gente simples, intelectualmente falando. Quando, portanto, Andreazza exige que o representante conservador seja um erudito, alguém plenamente consciente das teorias que defende, simplesmente, está criando um obstáculo intransponível para que o conservadorismo possua alguma representação no cenário político nacional.

Até porque ele esquece que ser conservador é o estado natural do homem, ainda que este não tenha consciência disso, ainda que não tenha concepção alguma formada sobre essa realidade. O homem comum é conservador por natureza, mesmo em sua incultura, em seu mau gosto e até em sua falta de espiritualidade. Por isso, é absolutamente normal, principalmente no ambiente brasileiro, que seus representantes políticos não sejam muito diferentes desse homem comum. Até porque é assim em todos os outros espectros ideológicos que se apresentam na política brasileira.

Esperar que os representantes políticos conservadores possuam todas aquelas elevadas características é simplesmente inviabilizar o conservadorismo como alternativa política. Não distinguir a intelectualidade conservadora de seus políticos é o erro que impediu que, até aqui, houvesse uma representação política ampla do conservadorismo, apesar da maioria do povo ser conservadora.

E é exatamente nisso que a esquerda sempre esteve a frente: soube separar seus intelectuais dos políticos e da massa e, ao mesmo tempo, uni-los em torno de objetivos comuns.

O que falta para a direita brasileira é um pouco de noção de realidade.

 

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