Ser inteligente é ter dúvidas

Eu tenho convicção de que estou diante de uma pessoa inteligente quando ela se mostra um tanto receosa por dar sua opinião, quando suas afirmações são ponderadas por pausas que denotam que, ao mesmo tempo que afirma, surgem alternativas em sua cabeça que, talvez, tragam outras perspectivas ou mesmo contradigam o que ela está dizendo.

Isso é contra intuitivo – eu sei! Normalmente, as pessoas esperam que alguém inteligente tenha respostas, não perguntas. Para elas, um sábio é aquele que faz afirmações definitivas.

Por isso, para um incauto, ter dúvidas ou fazer ponderações é sinal de vacilo. Afinal, o ignorante só tem certezas e, quando se depara com alguém que demonstra dúvidas, conclui que isso é fruto da falta de conhecimento.

No entanto, a inteligência é menos medida pelo que acredita saber do que pela consciência do quanto não sabe. Não que não se deve buscar certezas. Pelo, contrário, elas são o ideal e o objetivo. Porém, o caminho até elas é tortuoso e cheio de armadilhas.

Assim, enquanto eu trilho essa estrada, apesar de continuar olhando para o destino final, tentarei não me deixar enganar por convicções provisórias, acreditando que se tratam de verdades definitivas. Com isso, pretendo evitar pegar falsos atalhos, que só podem me levar para longe de onde eu pretendo chegar.


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