Sinal de revés na hegemonia cultural esquerdista

Percebe-se que uma cultura determinada está, realmente, se impregnando na sociedade quando os termos que ela se ultiliza de forma mais específica começam a ser repetidos por pessoas que não são os atores intelectuais originais no uso dessas expressões.

Por isso, quando leio que um juiz de Direito se utiliza, em sua decisão, de uma expressão como “esquerda caviar” para se referir aos baderneiros que fizeram estragos ao patrimônio alheio durante as manifestações que se inicaram no ano passado, em São Paulo, isso me evidencia que alguma mudança está ocorrendo na mentalidade de vários brasileiros.

Quem viveu os anos 90, no Brasil, sabe que era praticamente impossível encontrar um amigo que fosse, quanto mais um personagem atuante na mídia, na literatura ou na justiça que se utilizasse de pensamentos típicos de direitistas, conservadores ou mesmo liberais. A regra aqui era a repetição incessante dos chavões esquerdistas.

Isso, obviamente, era o reflexo da própria cultura nacional. Aqui, a visão revolucionária havia tomado de assalto não apenas a política, mas a vida intelectual e o imaginário mesmo das pessoas mais ordinárias. Os não esquerdistas que existiam, sobreviviam isoladamente, como profetas de caverna, falando praticamente apenas para suas próprias consciências.

Eu mesmo fui despertado para a realidade por um autor não esquerdista apenas no final da década, em 1998, quando, atraído pelo título do livro, comprei-o no escuro e me deparei com o pensamento mais estranho que já havia encontrado pela frente. Este livro era o Imbecil Coletivo, de Olavo de Carvalho.

Atualmente, porém, e sei que isso é um fenômeno muito recente, é perceptível que uma mudança está ocorrendo na cultura brasileira. Ainda é uma mudança tímida certamente, mas, provavelmente impulsionada pelas redes sociais, começa a expandir o pensamento não esquerdista, mesmo o de direita e conservador, para além do pequeno grupo que o representava há duas décadas atrás.

E ela se torna mais evidente quando vemos autores de papéis sociais mais comuns, não ligados diretamente à classe letrada, repetindo as expressões e os pensamentos típicos daqueles intelectuais que representam a ala não esquerdista da intelectualidade nacional.

Por estar acompanhando esse fenômeno há mais de 15 anos, tenho plena certeza que o maior responsável por isso é o próprio Olavo. Seu trabalho insistente e incansável tornou-se um “viral” (para usar uma expressão típica das redes sociais atuais), atingindo pessoas que, pelas vias tradicionais da adquirição de cultura, jamais o alcançariam.

E hoje, com o surgimento de novos pensadores influenciados diretamente pelo Olavo, juntamente com o impulso que tudo isso deu ao trabalho de antigos pensadores de direita, que viviam quase esquecidos em colunas obscuras de jornais, mas que agora podem se aproveitar dessa onda de anti-esquerdismo que se manifesta no país, pode-se dizer que a velha hegemonia revolucionária já sofre fortes reveses.

Ainda é cedo para saber a força real dessas mudanças, mas uma coisa é certa: quando encontramos pensamentos típicos da direita repetidos por pessoas que nada têm a ver com o núcleo de seu movimento intelectual, isso é sinal que pode ainda haver alguma esperança para o país.

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