Um desafio aos revolucionários

É muito fácil criticar a civilização com a bunda sentada sobre as conquistas que essa mesma civilização proporciona. É cômodo colocar-se como um opositor do capitalismo, manifestando-se pelos meios super eficientes que o capitalismo criou para isso.

O pior é que quem se coloca como crítico sempre aparece como se estivesse em uma posição superior, como um juiz do mundo moderno, assumindo uma postura de quem possui as soluções para os problemas que insiste em apontar.

E, cinicamente, se manifesta, aproveitando de todas as benesses que a sociedade oferece, com todo seu luxo, seu conforto e seus instrumentos.

Por outro lado, quem se mostra satisfeito com o que existe acaba sendo tachado de inimigo da humanidade, como alguém insensível, elitista e retrógrado

Porém, é certo que não cabe a quem defende a ordem social existente, ou seja, os conservadores, o ônus de provar que ela é boa.

O fato é que todos nós vivemos sob essa ordem e, bem ou mal, é ela que tem nos sustentado. É nela que nos manifestamos, nela que progredimos, nela que construímos nossa vida. E nada disso seria possível se ela não nos oferecesse nenhum recurso que nos possibilitasse tudo isso.

Por isso, antes de tecer críticas à civilização na qual vivemos, é preciso reconhecer que ela nos tem permitido viver. Antes de achar que tudo deve ser colocado abaixo, é preciso identificar o muito que deu certo e está à nossa disposição.

Portanto, se alguém deseja substituir a civilização existente, antes de tudo, precisa mostrar, com argumentos racionais e elementos palpáveis, e não com quimeras, as razões por que ela não serve e como tudo poderia ser melhor. No entanto, isso, essas mentes revolucionárias jamais conseguem fazer.

Ônus dos revolucionários

O fato é que não cabe a quem defende a ordem social existente, ou seja, os conservadores, o ônus de provar que ela é boa. Cabe, sim, àqueles que desejam substituí-la mostrar, com argumentos racionais e elementos palpáveis, e não com quimeras, as razões por que ela não serve. Algo que esses revolucionários jamais conseguiram fazer.

Tolerância dos justiceiros sociais

É muito bonito quando ouvimos esses discursos que pregam a tolerância, a diversidade e a inclusão. Soam sempre como uma demonstração de respeito e de cuidado ao ser humano que, em alguns casos, podem levar até às lágrimas aqueles que forem pegos de surpresa com tamanha demonstração de bondade.

O único problema é que basta esses mesmos apaixonados pela humanidade se depararem com o pensamento contrário, que não compartilha de uma visão de mundo semelhante a deles, para toda aquela máscara de tolerância cair por terra e surgir uma face virulenta que até assusta.

No entanto, há um motivo lógico para essa atitude descompensada que geralmente apresentam quando estão diante, principalmente, de alguém que demonstre possuir um pensamento mais conservador. E este motivo não é uma mera maldade que habita em seus corações, mas está muito bem justificado dentro deles.

O fato é que todos esses paladinos da diversidade e da tolerância acreditam em algo chamado progresso moral. Eles crêem, sinceramente, que os homens caminham, ininterruptamente, por uma evolução em sua moralidade, de maneira que o que eles promovem hoje, pelo simples fato de ser fruto desta sociedade contemporânea, é superior a tudo o que foi apregoado anteriormente.

Sendo assim, toda visão que não esteja de acordo com os ditames apregoados atualmente são considerados retrógrados e, consequentemente, não evoluídos. Dessa forma, quem não defende o que eles defendem simplesmente torna-se a encarnação do mal, a personificação do atraso, a oposição à virtude de uma sociedade avançada.

Não é à toa que acabam combatendo toda e qualquer manifestação conservadora como se fosse um mal real, que precisa ser extirpado, para o bem maior, o bem comum.

Ninguém pode negar, porém, que quando essas pessoas fazem seus discursos, senão conhecêssemos já toda a ideologia e contradição que reside por trás deles, tudo pareceria muito belo e atrativo. Inclusive, falar contra eles coloca imediatamente o opositor em uma aparente posição de ignorância e obscurantismo.

Tudo isso porque, como é comum aos discursos ideológicos, em tese, aquilo que dizem não é mentira. Se tomarmos apenas as palavras e expressões abstratamente, sem considerar a realidade que subjaz elas, tudo parece muito correto e bonito. Sequer há como contestar que é necessário que sejamos mais tolerantes e inclusivos.

Ocorre que, basta ver a forma como esses mesmos que insistem no discurso da diversidade tratam aqueles que pensam diferente deles para ter a convicção de que provavelmente há algo de errado com a mensagem que tentam transmitir.

O fato é que essas pessoas não são tolerantes, muito menos adeptos da diversidade. O que eles acreditam é que aquilo que defendem representa o que há de mais correto e superior e, portanto, quando lutam com todas suas forças para destruir aqueles que defendem ideias diferentes das suas, acreditam estar fazendo isso em defesa do bem e da moral.

Se uma visão conservadora é a antítese do que pensam, e o que pensam é confundido com o próprio bem, é correto e quase obrigatório destrui-la. Ou seja, combater o conservadorismo seria como uma nobre missão, um dever para aqueles que fazem parte dessa sociedade superior moralmente.

O único problema é que essa forma de pensar é idêntica a de todos os grandes genocidas do século XX, que não tiveram problema algum de dizimar populações inteiras simplesmente porque, segundo eles, representavam o atraso e era um obstáculo ao alcance de uma sociedade mais avançada e superior.

No fim das contas, essa gente que se acha boazinha, mesmo sem saber, é mais tirânica que qualquer pessoa normal.

Por isso, nunca se deixe intimidar por esse discurso que se apresenta como defensor dos excluídos e dos fracos, que se apresenta como moral e eticamente superior, mas que, no momento crucial, não aguenta qualquer manifestação contrária a ele.

O que dizem e o que é

Veja a contradição: aqueles que não têm ideais, nem professam ideologia, são tidos por mais egoístas, individualistas e indiferentes. No entanto, estes mesmos, pelo fato de respeitarem o interesse individual e entenderem que, por isso, não podem impor suas ideias sobre ninguém, acabam respeitando o senso comum, as leis e aprendendo que devem abrir mão de certas convicções em favor da paz social e do bem comum. Continuar lendo

Duas formas de pensar

Toda a luta de ideias do mundo moderno é entre a forma de pensar natural, do homem comum, e aquela implantada artificialmente, por meio dos mais diversos tipos de ideologias e filosofias. Todas as outras disputas, religiosas, políticas, científicas e filosóficas, estão submetidas àquela.

Elitismo progressista

Quando autoridades e influenciadores reclamam das forças conservadoras que se levantam, estão, nada menos, reclamando da gente ordinária e comum, a quem eles odeiam por tudo o que são e representam. O homem simples, para eles, serve apenas para servi-los, nunca para contestá-los ou contrariá-los. Está claro quem são realmente elitistas e preconceituoso

Representação política conservadora – uma resposta a Carlos Andreazza

Quando o editor da Record, Carlos Andreazza, exige que, para ser um representante político do conservadorismo, a pessoa tenha uma concepção do belo, alguma espiritualidade e também cultura, ele simplesmente exclui qualquer possibilidade de haver conservadores na política, além de afastar definitivamente o conservadorismo do homem simples, da gente comum, do povão.

Não que ele esteja errado quanto ao conceito, mas se o político conservador precisa possuir essas características, então ele restringiu o conservadorismo a um movimento intelectual, elitista, para poucos. Inócuo, enfim.

O pior é que essa régua de medida, se aplicada a qualquer outro tipo de pensamento, acaba com qualquer pretensão de representação política, seja na ideologia que for. Onde há esses homens cultos, que possuem plena consciência dos valores que defendem, com suas devidas nuances intelectuais? No liberalismo, no socialismo, na social-democracia, no comunismo? Sinceramente, seja qual for o lado para onde olho, o que vejo é um monte de trogloditas engravatados, que podem até, algumas vezes, transmitir aquele ar de distinção e cultura, mas que não passa de aparência. A política brasileira é formada, em todas suas matizes, de gente simples, intelectualmente falando. Quando, portanto, Andreazza exige que o representante conservador seja um erudito, alguém plenamente consciente das teorias que defende, simplesmente, está criando um obstáculo intransponível para que o conservadorismo possua alguma representação no cenário político nacional.

Até porque ele esquece que ser conservador é o estado natural do homem, ainda que este não tenha consciência disso, ainda que não tenha concepção alguma formada sobre essa realidade. O homem comum é conservador por natureza, mesmo em sua incultura, em seu mau gosto e até em sua falta de espiritualidade. Por isso, é absolutamente normal, principalmente no ambiente brasileiro, que seus representantes políticos não sejam muito diferentes desse homem comum. Até porque é assim em todos os outros espectros ideológicos que se apresentam na política brasileira.

Esperar que os representantes políticos conservadores possuam todas aquelas elevadas características é simplesmente inviabilizar o conservadorismo como alternativa política. Não distinguir a intelectualidade conservadora de seus políticos é o erro que impediu que, até aqui, houvesse uma representação política ampla do conservadorismo, apesar da maioria do povo ser conservadora.

E é exatamente nisso que a esquerda sempre esteve a frente: soube separar seus intelectuais dos políticos e da massa e, ao mesmo tempo, uni-los em torno de objetivos comuns.

O que falta para a direita brasileira é um pouco de noção de realidade.

 

O conservadorismo do progresso

Há conservadores que acreditam que progresso é sinônimo de revolução e, assim, defendem um tradicionalismo retrógrado, querendo apenas restaurar as velhas fórmulas, ignorando a necessidade de alguma evolução social e da melhoria em qualquer área da vida.

Isso ocorre porque confundem conservadorismo com um tipo de ideologia das velhas formas, cantando louvores ao passado como se lá tudo estivesse resolvido e definido, como se tudo naqueles tempos fosse perfeito e nada precisasse ser melhorado.

Ocorre que, conservadorismo não é sinônimo de imobilismo, nem retrocesso, nem mesmo de mera repetição do que já existiu.

O fato é que o conservador não meramente repete o passado mas, sim, aprende com ele, para, no que for necessário, poder melhorar o presente. Na verdade, ele respeita os antigos e os usa para seu auxílio, mas não é escravo deles. O passado para o conservador é seu auxiliar, não seu senhor.

Ademais, não se pode ignorar que em qualquer ser humano há a necessidade de construir, de criar, de inovar. Se ele apenas ficar preso ao passado, se sua vida for apenas uma enfadonha repetição do que já ocorreu, estará retaliando a si mesmo, vivendo abaixo de suas necessidades e possibilidades.

Além de tudo isso, é preciso ressaltar que se conservadorismo significa consideração pelo passado e trabalho sobre o que já foi construído, então não há nada mais conservador do que o próprio conceito de progresso. É que para que haja progresso é necessário respeitar o que já foi construído, pois não existe progresso do nada, mas apenas daquilo que, de alguma maneira, já se estabeleceu. A tecnologia dos computadores só evoluei porque cada novo engenheiro que cria uma máquina mais avançada faz isso respeitando todo o histórico de evoluções que lhe permitem não ter de começar tudo desde o início. Um smatphone é bom porque antes dele existiram os computadores e os telefones celulares, sobre os quais ele foi idealizado. Os cientistas da tecnologia sabem, como ninguém, o que significa subir nos ombros dos gigantes.

Portanto, quando um conservador nega o progresso, fazendo cara de nojo para qualquer ideia de evolução e melhoria, não está sendo conservador, que é alguém que se apoia sobre os antigos. Na verdade, é apenas um retrógrado, que se esconde à sombra deles.

 

Derrota esquerdista e o momento conservador

Photo-31-de-out-de-2016-1120.jpgCom a humilhante derrota sofrida pelos partidos mais radicais da esquerda, como o PT e seus aliados, nas eleições municipais de 2016, ficou muito claro que a melhor propaganda contra os socialistas é deixá-los se manifestar, deixá-los aparecer, até deixá-los governar. Depois de treze anos a frente do governo federal, o que o Partido dos Trabalhadores deixou como legado foi uma desconfiança absoluta nos seus métodos, em suas intenções e, principalmente, em sua honestidade. Se ainda saíram vencedores, principalmente, os candidatos da esquerda mais contida, isso não deveu-se, como quer dar a entender, por exemplo, o sempre comunista Roberto Freire, à inexistência de uma onda conservadora, que estava prevista por alguns analistas. Na verdade, apenas não houve uma enxurrada de eleitos de direita simplesmente por não se encontrarem no Brasil políticos relevantes de direita. Assim, é impossível para o povo votar em quem não existe. De qualquer forma, nas urnas, a população brasileira deu um recado claro: ela permanece conservadora, ainda que muitas vezes enganada pela avalanche de propaganda esquerdista que há décadas lhe assola. Portanto, não há melhor momento para políticos conservadores aparecerem no cenário. Apenas lamento que a direita brasileira ainda seja mais pródiga em criar personagens do que verdadeiros estadistas.

 

O deputado que cindiu a direita no Brasil

jair BolsonaroComo, no Brasil, a direita ainda é nascente e não chegou a estabelecer bem suas convicções e objetivos, até aqui ela se caracterizou principalmente pelo seu anti-esquerdismo, mais especificamente pelo seu anti-petismo. O partido de PT e Lula fez com que todos que não fossem a seu favor, de alguma maneira de unissem contra ele, dando a impressão que o bloco opositor era algo minimamente coeso.

Quando eu lia em autores conservadores estrangeiros, como Russell Kirk, uma crítica ferrenha aos liberais, chegando até a um certo desprezo em relação a eles, aquilo me parecia estranho e exagerado. A percepção do que se via aqui no Brasil era, sim, de certas diferenças entre os direitistas, mas que pareciam ser divergências marginais, que não afetavam a coesão do grupo. Continuar lendo