O conservadorismo do progresso

Há conservadores que acreditam que progresso é sinônimo de revolução e, assim, defendem um tradicionalismo retrógrado, querendo apenas restaurar as velhas fórmulas, ignorando a necessidade de alguma evolução social e da melhoria em qualquer área da vida.

Isso ocorre porque confundem conservadorismo com um tipo de ideologia das velhas formas, cantando louvores ao passado como se lá tudo estivesse resolvido e definido, como se tudo naqueles tempos fosse perfeito e nada precisasse ser melhorado.

Ocorre que, conservadorismo não é sinônimo de imobilismo, nem retrocesso, nem mesmo de mera repetição do que já existiu.

O fato é que o conservador não meramente repete o passado mas, sim, aprende com ele, para, no que for necessário, poder melhorar o presente. Na verdade, ele respeita os antigos e os usa para seu auxílio, mas não é escravo deles. O passado para o conservador é seu auxiliar, não seu senhor.

Ademais, não se pode ignorar que em qualquer ser humano há a necessidade de construir, de criar, de inovar. Se ele apenas ficar preso ao passado, se sua vida for apenas uma enfadonha repetição do que já ocorreu, estará retaliando a si mesmo, vivendo abaixo de suas necessidades e possibilidades.

Além de tudo isso, é preciso ressaltar que se conservadorismo significa consideração pelo passado e trabalho sobre o que já foi construído, então não há nada mais conservador do que o próprio conceito de progresso. É que para que haja progresso é necessário respeitar o que já foi construído, pois não existe progresso do nada, mas apenas daquilo que, de alguma maneira, já se estabeleceu. A tecnologia dos computadores só evoluei porque cada novo engenheiro que cria uma máquina mais avançada faz isso respeitando todo o histórico de evoluções que lhe permitem não ter de começar tudo desde o início. Um smatphone é bom porque antes dele existiram os computadores e os telefones celulares, sobre os quais ele foi idealizado. Os cientistas da tecnologia sabem, como ninguém, o que significa subir nos ombros dos gigantes.

Portanto, quando um conservador nega o progresso, fazendo cara de nojo para qualquer ideia de evolução e melhoria, não está sendo conservador, que é alguém que se apoia sobre os antigos. Na verdade, é apenas um retrógrado, que se esconde à sombra deles.

 

Derrota esquerdista e o momento conservador

Photo-31-de-out-de-2016-1120.jpgCom a humilhante derrota sofrida pelos partidos mais radicais da esquerda, como o PT e seus aliados, nas eleições municipais de 2016, ficou muito claro que a melhor propaganda contra os socialistas é deixá-los se manifestar, deixá-los aparecer, até deixá-los governar. Depois de treze anos a frente do governo federal, o que o Partido dos Trabalhadores deixou como legado foi uma desconfiança absoluta nos seus métodos, em suas intenções e, principalmente, em sua honestidade. Se ainda saíram vencedores, principalmente, os candidatos da esquerda mais contida, isso não deveu-se, como quer dar a entender, por exemplo, o sempre comunista Roberto Freire, à inexistência de uma onda conservadora, que estava prevista por alguns analistas. Na verdade, apenas não houve uma enxurrada de eleitos de direita simplesmente por não se encontrarem no Brasil políticos relevantes de direita. Assim, é impossível para o povo votar em quem não existe. De qualquer forma, nas urnas, a população brasileira deu um recado claro: ela permanece conservadora, ainda que muitas vezes enganada pela avalanche de propaganda esquerdista que há décadas lhe assola. Portanto, não há melhor momento para políticos conservadores aparecerem no cenário. Apenas lamento que a direita brasileira ainda seja mais pródiga em criar personagens do que verdadeiros estadistas.

 

O deputado que cindiu a direita no Brasil

jair BolsonaroComo, no Brasil, a direita ainda é nascente e não chegou a estabelecer bem suas convicções e objetivos, até aqui ela se caracterizou principalmente pelo seu anti-esquerdismo, mais especificamente pelo seu anti-petismo. O partido de PT e Lula fez com que todos que não fossem a seu favor, de alguma maneira de unissem contra ele, dando a impressão que o bloco opositor era algo minimamente coeso.

Quando eu lia em autores conservadores estrangeiros, como Russell Kirk, uma crítica ferrenha aos liberais, chegando até a um certo desprezo em relação a eles, aquilo me parecia estranho e exagerado. A percepção do que se via aqui no Brasil era, sim, de certas diferenças entre os direitistas, mas que pareciam ser divergências marginais, que não afetavam a coesão do grupo.

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