A mentira da polarização política brasileira

Não, a sociedade não está polarizada.

Polarização significa a existência de dois grupos bem divididos em dois extremos opostos de pensamento.

A realidade, porém, não é essa. Enquanto entre os esquerdistas há desde os terroristas mais malucos até os centristas mais moderados, na direita, o mais radical que existe é o tio que escreve em caixa alta no Facebook.

Na verdade, chamar a discussão política atual de polarização é apenas uma maneira que os antigos detentores do monopólio da opinião encontraram para desmerecer os grupos mais à direita, que até pouco tempo simplesmente inexistiam no Brasil.

Dizendo que há polarização, eles igualam o direitista conservador ou liberal, que vive meramente de emitir opiniões, com o invasor de terra do MST, com o Black Block ou outro terrorista qualquer de esquerda.

Fazendo isso, elimina-os do debate púbico, como se todos fossem igualmente radicais, tornando legítimas apenas as opiniões do restante dos esquerdistas – os mesmos que tiveram o monopólio da opinião e da ação política até aqui.

Portanto, chamar a discussão política brasileira de polarização é, além de uma incompreensão profunda do que está acontecendo, uma forma de servir bem aos interesses dos grupos que usurpam o poder, no Brasil, há, pelo menos, trinta anos.

Fascismo, o espelho do esquerdismo

Na boca dos militantes, a expressão já não possui qualquer relação com os fatos históricos, menos ainda com as concepções que o próprio fascismo tinha, mas tornou-se meramente um xingamento. Na cabeça do esquerdista, fascista não é quem defende uma doutrina específica, mas quem se coloca contra o progressismo, o politicamente correto e as ideias caras aos socialistas. Até porque, basta ler sobre o fascismo para saber que suas concepções, se se assemelham a um dos espectros políticos, é evidente que é com a própria esquerda. Afinal, no fascismo, entre outras características, é que o Estado é autoritário e onipresente, o mercado é regulado, o planejamento centralizado e a política uma espécie de religião.

Todas essas características são idênticas ao que os esquerdistas praticam e defendem. Pois, todo mundo sabe, que as bandeiras da Direita são o exato oposto de tudo isso: Estado mínimo, mercado livre, concorrência e ceticismo político.

Ao chamar, portanto, um direitista de fascista, o esquerdista não apenas erra, mas comete a maior das canalhices: que é apontar no outro aquilo que é o seu próprio pecado. Por essas e outras que o que ele fala não deve ser considerado por ninguém. Isso porque quando não erra mente, quando não mente, finge e quando não finge projeta no outro os seus próprios crimes.

O país não está dividido

Muito se fala de um país dividido, mas, de fato, não é isso o que acontece. Há, realmente, uma tensão, mas ela não reflete uma disputa entre iguais. Isso porque, de um lado, estão pessoas comuns, homens e mulheres trabalhadores que refletem a diversidade do povo brasileiro. Há, entre estes, pessoas de todos os tipos e que defendem as mais variadas ideias. São, porém, uma massa tão heterodoxa que é impossível definir sua matiz de pensamento. Do outro lado, e em número bem menor, existe uma militância, com bandeiras ideológicas muito bem definidas e, por isso, acabam sendo um grupo muitíssimo mais coeso. No entanto, não passa de uma militância que não representa o Brasil, não se identifica com ele e, na verdade, não se importa nem um pouco com o país onde vive. A única coisa que importa é a manutenção do poder nas mãos de seus líderes. Portanto, não há divisão. Há, sim, uma batalha entre um bando organizado e o resto da nação.