A impopularidade do liberalismo econômico

O discurso do liberalismo econômico não possui nenhuma chance de tornar-se popular. E como ser popular se o que ele propõe vai contra os anseios imediatos e necessidades prementes das pessoas?

Até porque, de fato, o liberalismo não promete nada de concreto, a não ser o uso livre da faculdade que cada um possui de buscar seus objetivos, com o mínimo de intervenção governamental. E como alguém pode afeiçoar-se a um discurso desse tipo?

É muito mais fácil, e até mesmo intuitivo, sentir-se atraído por promessas de ganhos imediatos, de direitos adquiridos e de proteção estatal. Faz parte até de um certo instinto de sobrevivência buscar a tutela de quem lhe parece mais forte e capaz de lhe dar guarida.

Entender que o que é dado com facilidade hoje cobra seu preço amanhã requer já uma certa capacidade de compreensão que não está imediatamente disponível a qualquer um. Saber que sacrifícios são necessários para conquistas posteriores é uma verdade que naturalmente as pessoas tentam evitar e quem a apresenta costuma ser mal visto.

Mais ainda, entre a oferta do sustento imediato e a mera possibilidade de um ganho futuro, quase todo mundo acaba decidindo por aquela, sem pestanejar.

O fato é que para entender e apoiar a ideia liberal é preciso um grau um tanto mais avançado de cultura, um pensamento desenvolvido ao ponto de vislumbrar a realidade em uma perspectiva mais ampla, que não considera apenas o presente, mas principalmente as implicações das escolhas de agora no futuro.

É por isso que o liberalismo sempre vai ser defendido por um grupo pequeno de pessoas e terá sempre essa aparência elitista. É por isso também que priorizar o discurso liberal para vencer eleições, principalmente em um país com deficiências culturais graves, é jogar para perder.

Economicamente, é bem provável que um liberalismo amplo e radical seja a solução para o Brasil, porém, politicamente, se ele não vier acompanhado de propostas que sejam mais populares e o sustentem, como a defesa da família e o direito ao porte de armas, estará condenado a ser apenas uma boa ideia, porém sem apelo.

Lamento, apenas, que muitos liberais não percebam isso.

O sofrimento do eleitor brasileiro

Basta o eleitor brasileiro se identificar com um político, com todas suas virtudes e falhas, para começar a ser tratado como estúpido, como gado, como fanático. Basta o coitado do eleitor brasileiro encontrar alguém na política que fala e pensa mais ou menos como ele pra ser visto como idiota. Basta o eleitor brasileiro alimentar alguma esperança que seu representante será alguém que possui as mesmas incoerências que ele, mas também a mesma sinceridade em tentar fazer algo de bom, e logo é tido como ingênuo. Continuar lendo

Derrota esquerdista e o momento conservador

Photo-31-de-out-de-2016-1120.jpgCom a humilhante derrota sofrida pelos partidos mais radicais da esquerda, como o PT e seus aliados, nas eleições municipais de 2016, ficou muito claro que a melhor propaganda contra os socialistas é deixá-los se manifestar, deixá-los aparecer, até deixá-los governar. Depois de treze anos a frente do governo federal, o que o Partido dos Trabalhadores deixou como legado foi uma desconfiança absoluta nos seus métodos, em suas intenções e, principalmente, em sua honestidade. Se ainda saíram vencedores, principalmente, os candidatos da esquerda mais contida, isso não deveu-se, como quer dar a entender, por exemplo, o sempre comunista Roberto Freire, à inexistência de uma onda conservadora, que estava prevista por alguns analistas. Na verdade, apenas não houve uma enxurrada de eleitos de direita simplesmente por não se encontrarem no Brasil políticos relevantes de direita. Assim, é impossível para o povo votar em quem não existe. De qualquer forma, nas urnas, a população brasileira deu um recado claro: ela permanece conservadora, ainda que muitas vezes enganada pela avalanche de propaganda esquerdista que há décadas lhe assola. Portanto, não há melhor momento para políticos conservadores aparecerem no cenário. Apenas lamento que a direita brasileira ainda seja mais pródiga em criar personagens do que verdadeiros estadistas.