A contundência do discurso do Escola sem Partido

Há quem entenda que a forma como os integrantes e simpatizantes do Escola sem Partido manifestam-se, falando com veemência contra a atuação de alguns professores, é inadequada. Eles acreditam que esse discurso incisivo prejudica a relação entre professor e aluno e pode provocar tensões inconvenientes na sala de aula. Assim, acusam os militantes do Escola sem Partido de agitadores, como se fossem um mal ao ambiente escolar.

Ocorre que nenhuma mensagem pode ser analisada como uma forma fixa, invariável, alheia às circunstâncias. Pelo contrário, suas ênfases e modulações precisam ser julgadas conforme sua adaptação às necessidades, ao público e à gravidade do assunto. E, ao levar isso em conta, constata-se que o discurso do Escola sem Partido precisa ser forte, contundente e até intimidador.

Isso é justificado pelo fato de que tem havido diversos indícios e muitas denúncias de professores que têm usado da sala de aula para impor suas convicções políticas sobre seus alunos. Agem como verdadeiros militantes e, sem escrúpulos, usam da audiência cativa para formatá-la a seu bel-prazer. Isso é muito sério e reponder a esse problema com tibieza não condiz com a gravidade do assunto.

É preciso levar em conta que, em termos de ciência dos discursos, a posição do professor é totalmente favorável a ele. Basta ver que o maior desafio de alguém que se dirige a uma plateia é estabelecer sua própria autoridade diante dela. Até porque um orador sem autoridade é como um pistoleiro com balas de festim, que faz barulho, mas não atinge ninguém. A verdade é que o público não dá ouvidos a quem ele não confia e é por essa razão que Aristóteles dizia que o principal elemento da persuasão é o ‘etos’, que caracteriza-se principalmente pela credibilidade transmitida pelo orador.

Pode-se ver, portanto, que o professor é um agraciado. Por causa da natureza de sua função e pela característica de sua audiência, ele já possui, de antemão, essa autoridade tão perseguida pelos oradores e exerce, sem nenhum esforço, grande influência sobre seus ouvintes. Não há figura com maior credibilidade, principalmente tratando-se de um público formado por crianças e adolescentes. Para estes, o mestre é um ser quase transcendente, imune a erros e portador de uma sabedoria sublime.

Se o professor, então, abusa dessa autoridade – que sequer é sua, pois não foi conquistada por ele, mas pertence naturalmente à função que exerce – incorre em um pecado gravíssimo. Um pedagogo que tira proveito de alunos incapazes de formar uma opinião própria para impor sobre eles sua ideologia e visão peculiar de mundo pode ser considerado, sem nenhum exagero, um violentador de consciências.

E, diante disso, considerando a modelagem dos discursos de acordo com as circunstâncias, aqueles que denunciam algo tão sério não podem fazê-lo de maneira tíbia, vacilante. Exigir que ajam assim seria como esperar que uma testemunha de um estupro, em vez de tirar o agressor a ponta-pés de cima da vítima, redija uma mera moção de censura.

Quem não concorda com esses argumentos e, com base apenas na observação da forma do discurso do Escola sem Partido, considera-o um grupo radical, com linguagem violenta e propostas agitadoras, sem levar em conta o problema apontado por ele, não está entendendo – ou finge não entender – a seriedade do assunto.

O ataque cirúrgico do Escola sem Partido

Só de observar as reações de boa parte dos pedagogos brasileiros diante do projeto de lei, denominado Escola sem Partido, é possível afirmar que algo de acertado existe nessa proposta. Na verdade, o seu idealizador, o dr. Miguel Nagib, foi cirúrgico, acertando em cheio a artéria principal do projeto de dominação cultural conduzido pelos esquerdistas, já há algumas décadas.

A doutrinação de crianças, influenciada diretamente pelas propostas do patrono da pedagogia brasileira, Paulo Freire, que enxergava-as como pequenos militantes esperando ser lapidados para a luta política, que ele espertamente chamava de cidadania, é há muito tempo a arma principal para o alcance desse domínio cultural. Assim, o Escola sem Partido, ao propor a proibição do discuso militante por parte dos professores, retira esse instrumento de suas mãos, atrapalhando-os imensamente em seus intentos.

O argumento principal do idealizador do projeto é cristalino: as crianças são intelectualmente vulneráveis e não podem ficar à mercê de pregadores ideológicos. E, exatamente, é essa hipossuficiência que tem de ser protegida das artimanhas discursivas de professores comprometidos com partidos e formas de pensar enviesadas.

E que não se diga que impedir a pregação ideológica é impedir o desenvolvimento do pensamento crítico. Como se o pensamento crítico precisasse ser estimulado por discursos partidários! Aliás, como cansamos de ver nos livros didáticos que pululam por aí, o que muitos professores fazem hoje, ao apresentar uma versão já definida dos fatos, fazendo uma exaltação indiscutível do socialismo e dos revolucionários, além da condenação do conservadorismo e das formas tradicionais de pensamento, é exatamente impedir o pensamento crítico. Até por que, como podem desenvolvê-lo se as conclusões todas já estão dadas?

Por tudo isso, os pedagogos estão em polvorosa, alegando que o Escola sem Partido é um projeto autoritário, que impede a livre expressão dos docentes. Mas quem disse que professor tem liberdade de expressão em sala de aula? Há uma responsabilidade inescapável quando se dirige a meninos e meninas. Acreditar que um professor pode falar o que quiser na classe é uma grande besteira. Pelo contrário, conhecendo muitos desses pedagogos, sabendo que boa parte é formada por militantes, sindicalistas e comprometidos ideologicamente, não é difícil chegar à conclusão que as crianças precisam mesmo é de ser protegidas deles.

E dizem ainda que o Escola sem Partido uma proposta conservadora. Se é, isso depende do ponto de vista empregado. Se conservador significa não ser contaminado por alguma ideologia e deixar que as pessoas desenvolvam suas próprias formas de pensar o mundo, poderíamos dizer que sim. O problema é que os críticos do projeto afirmam que tudo neste mundo é ideologia. Isto porque eles já foram absorvidos por ela e não conseguem pensar nada fora dela. Mas, na verdade, o projeto apenas tenta evitar que sejam lançados sobre os alunos idéias prontas, determinadas por visões de mundo já definidas, que os impeçam de, aí sim, desenvolver um pensamento crítico. Afinal, qual é a dificuldade de entender que o que está sendo defendido é o verdadeiro pluralismo?

Sinceramente, nem acho o projeto perfeito. Por exemplo, acredito que as escolas particulares deveriam ficar completamente livres para ensinar da maneira como bem entendem. Ainda que a proposta tente minimizar essa ingerência, com a anuência dos pais ao conteúdo específico que elas possam ministrar, sinceramente, acho ainda melhor que essas instituições tenham seus próprios instrumentos de fiscalização.

De qualquer forma, o Escola sem Partido me parece essencial em um tempo quando as escolas foram aparelhadas por todo tipo de militantes, que, carregando o título de professores, têm usado a cátedra para formar a cabecinha de crianças inocentes em favor de suas próprias ideologias. Se o que se busca é evitar que as escolas se transformem em fábricas de militantes, podemos considerar que, com a implantação desse projeto, o primeiro passo está sendo dado nesse sentido.

Estupradores intelectuais

Quando um professor militante ideológico ensina para as crianças aquilo que ele acredita, inocula nelas uma doença que já se impregnou nele mesmo, que é o ressentimento. Como todo esquerdista vive disso e enxerga o mundo a partir dessa perspectiva, não há como ele não deixar de transmitir isso para seus alunos.

Assim, as crianças aprendem que se algo não está certo na vida delas, a culpa é sempre dos outros. Os pobres o são por causa dos ricos, os filhos estão perdidos por causa dos pais, as pessoas não conseguem obter sucesso por causa do sistema e o país não se desenvolve por conta de seus governantes.

Como todo esquerdista vive da cultura da reclamação, os jovens que são ensinados por eles acabam não sendo estimulados a vencer pelos próprios méritos, mas somente pela força do berro, como bem mostra as invasões ocorridas na escolas da cidade de São Paulo. Também, não são ensinados a sofrer as consequências de seus erros, como pode ser visto no sistema de aprovação automática. Com isto, entendem rapidamente que sempre podem encontrar uma desculpa para seu próprio fracasso.

Por isso, a ocupação de espaços praticada pela militância ideológica nas instituições de ensino é um mal tão grande. Com suas práticas de (des)ensino, estão, na verdade, furtando a chance desses meninos e meninas de vencerem na vida. Essas crianças estão sendo vilipendiadas, tendo seu futuro alijado pela inoculação de uma mentalidade ressentida e derrotista, que só sabe reclamar, reivindicar e fazer bico.

O que esses professores fazem é criminoso. Se aproveitam da inocência e inexperiência de seus alunos, os quais não possuem instrumentos intelectuais para discernir o que é bom ou ruim, e lançam sobre eles o lixo que já transborda de suas próprias almas.

Não tenho nenhum receio de afirmar que docentes que utilizam a cátedra para transmitir conteúdo ideológico para crianças é um violentador. Se estupro, segundo as leis brasileiras, é todo ato libidinoso praticado sem o consentimento da vítima, então não posso deixar de fazer uma analogia tão óbvia: a de que professores militantes são estupradores mentais e pedófilos intelectuais. Quando enfiam sua pornografia ideológica no cérebro dos pequenos, são óbvios violadores inescrupulosos.

Podem até alegar que eles acreditam no que ensinam e entendem que aquilo é o melhor para seus alunos, mas, quando ouço isso, não posso deixar de lembrar o que dizia um conhecido criminoso, pego na cama com uma menina de 6 anos: “eu fiz aquilo por amor”.