A natureza espiritual maligna do marxismo

O marxismo é, de diversas maneiras, uma usurpação e uma paródia mal feita tanto da religião cristã, como da própria civilização ocidental. O que ele fez foi tomar tudo o que nosso mundo criou e desenvolveu e reter com ele, como se ele, o marxismo, fosse o possuidor legítimo de suas qualidades.

Foi dessa maneira que ele se apropriou da linguagem cristã, de sua moral e também de seu caráter salvífico, tentando substituir o cristianismo como solução viável para as necessidades e expectativas do ser humano. E tomou para si ainda o que a própria Europa ofereceu ao mundo, arrogando-se de herdeiro de suas conquistas. Tanto que, nas palavras de Lenin, “o marxismo é o sucessor natural da filosofia alemã, da economia política inglesa e do socialismo francês”.

Formou-se assim, respectivamente, o espírito, a alma e o corpo dessa entidade maligna que surgiu para enganar o mundo com sua promessa de redenção.

Quem acha que o marxismo é apenas uma ideia, engana-se redondamente. É bem mais que isso. Ele é uma manifestação espiritual, um produto dos tempos, um filhote de um cristianismo cansado e desiludido.

Por isso, atacá-lo apenas politicamente é tão inócuo como querer derrotar um demônio a vassouradas.

O espírito marxista precisa ser encarado em várias frentes, como ideia e como força política, mas também como poder invisível e sutil, o qual se vence com palavras e força, mas também com inteligência, jejum e oração.

Um partido contra os trabalhadores

Muitas vezes as siglas, os símbolos e até os nomes são apenas uma fachada semântica existente para, ao mesmo tempo que transmite uma impressão aceitável e agradável às pessoas, apresenta, ainda que sutilmente, o verdadeiro propósito para o qual a instituição representada por ela existe.

Uma das denominações mais emblemáticas que existe na política brasileira é a do PT – Partido dos Trabalhadores. Oriundo de movimentos sindicais, apesar de não necessariamente idealizado por sindicalistas, o partido que hoje governa o país lançou-se no cenário político nacional e angariou os patamares do poder vendendo a ideia de que sua existência tinha como objetivo a defesa irrestrita do operário. Isso pareceu mais evidente quando, no seio de suas lideranças, ergueu-se alguém que realmente possuía uma origem operária.

Organizando greves, participando de negociações coletivas e denunciando abusos patronais, o partido da estrela solitária foi angariando simpatia, principalmente junto à massa operária que, diante do quadro político brasileiro elitista, acabou por identificar no PT uma sigla que poderia representar verdadeiramente seus interesses.

Com o crescimento do partido e sua participação cada vez mais ampla e efetiva na política nacional, outras bandeiras simbólicas foram agregadas ao discurso partidário, como, por exemplo, a luta pela ética contra a corrupção.

Apesar disso, o que realmente permitiu que o PT se mantivesse em constante crescimento e crescente absorção de adeptos foi sua imagem ligada diretamente aos trabalhadores, aos operários que labutavam 10 horas por dia nas fábricas e, segundo sempre aquela velha imagem propagada amplamente, são explorados pelos grandes conglomerados capitalistas.

Infelizmente, muitas ideias acabam sendo aceitas pelas pessoas porque a maioria delas não entende nada sobre política, ideologia e fatores sociais, sendo guiada, invariavelmente, pelas impressões mais imediatas. No caso, a impressão que o PT sugere é que ele existe para irrestrita defesa dos direitos dos trabalhadores.

Ocorre que a ideologia do PT é oficialmente marxista. O marxismo, por seu lado, jamais advogou a defesa dos direitos dos trabalhadores, como muitas pessoas imaginam. Na verdade, Marx tentou somente fazer uma análise da realidade econômico social de seu tempo, extraindo dela uma teoria da História, arriscando-se em previsões sobre o futuro da sociedade.

Os trabalhadores, dentro disso tudo, jamais foram objeto de defesa do alemão, mas eram vistos, de fato, como parte da manobra a fim de que a sociedade comunista idealizada alcançasse seus fins. Se bem que estes fins deveriam ser alcançados de qualquer maneira, por conta das forças históricas inexoráveis, a movimentação da massa proletária serviria, pelo menos, para que a roda da história girasse mais rapidamente.

O socialismo marxista não nasce, portanto, do propósito de defesa dos trabalhadores, mas da mera previsão de que estes, como participantes da inescapável luta de classes, seriam os protagonistas de uma mudança histórica que conduziria ao colapso do capitalismo.

Como escreveu Lenin, em 1913, na Revista Prosveschénie:

Ao aumentar a dependência dos operários em relação ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho associado (…) E a experiência de todos os países capitalistas, tanto dos velhos como dos novos, faz ver claramente cada ano a um número cada vez maior de operários(…) O capitalismo venceu no mundo inteiro, porém esta vitória não é mais que o prelúdio do triunfo do trabalho sobre o capital.

O que Lenin está dizendo é que o próprio capitalismo, com seus grandes conglomerados e supressão dos pequenos produtores, acaba criando a massa de proletários que será o fator essencial da própria derrocada do capitalismo.

Ora, se a sonhada sociedade comunista apenas poderá ser alcançada com o aumento do número de trabalhadores da própria máquina capitalista, não teria sentido seus utopistas impedirem que cada vez mais a massa de proletários cresça. Por isso, não faz sentido defenderem o pequeno capital, o pequeno empresário, o pequeno produtor, nem o trabalhador individual ou de pequenas empresas. Pelo contrário, para que a sociedade comunista seja implantada, é necessário que a exploração capitalista que eles tanto alardeiam seja estimulada e não detida.

Resumindo: para o alcance da sociedade comunista é necessário que antes os trabalhadores sejam explorados até a exaustão!

E aqui está a chave para a compreensão do significado da existência do Partido dos Trabalhadores. Por sua ideologia, fica fácil entender porque em seu governo os microempresários são cada vez mais extorquidos e os grandes grupos, inclusive financeiros, sempre mais favorecidos. O objetivo da política partidária mais ampla não é a melhoria das condições de trabalho, mas a vitória final do trabalho sobre o capitalismo. Isso, em linguagem ideológica, não significa nada menos que comunismo.

Quando Marx fez levantamentos de dados sobre as condições de trabalho dos operários, de maneira alguma seu objetivo era promover qualquer frente que reivindicasse melhorias no ambiente laboral. Eram, de fato, informações frias que serviam para sustentar sua tese e, de alguma maneira, fundamentar movimentos que insuflassem esses mesmos trabalhadores a movimentar a dialética histórica.

A tal ditadura do proletariado não é a elevação de meros operários à condição de senhores de seu próprio trabalho, mas um passo lógico, dentro da concepção histórica de Marx, para a superação da sociedade capitalista.

Por isso, dentro desse espectro marxista, os trabalhadores não são mais do que uma peça dentro da máquina ideológica que espera que o mundo capitalista acabe em ruínas

É nesse sentido, certamente, que deve ser entendida a existência do PT. Apesar de toda a simbologia apoiada na ideia de que o partido existe para defender os direitos dos trabalhadores, o que o ele busca é nada menos do que a realização do sonho socialista, que é o fim do capital.

E antes que o leitor desavisado pense que este articulista está exagerando, veja este vídeo extraído do 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores, onde o discurso afirma, textualmente, que o objetivo do partido é a superação da sociedade capitalista.

E antes que outros venham dizer que isso é impossível, que jamais o partido alcançará seus objetivos, saibam que algo ser impossível ou muito difícil de ser atingido não significa que alguns loucos não acreditem nele e não o busquem.

O PT acredita nesse sonho e oficialmente declarou que o busca.

Aqueles, porém, que votam no PT acreditando que ele é um partido que existe para a defesa dos direitos dos trabalhadores, deveriam saber que, para ele, o operário nada mais é do que a massa de manobra indispensável para fazer andar a roda da história a fim de que o sonho comunista se realize. Portanto, o trabalhador que defende o Partido dos Trabalhadores, crendo ver nele um protetor de seus direitos, não passa de um idiota útil da ideologia petista.

Uma ideologia religiosa

Não é possível negar a expansão que as ideias marxistas tiveram por todo o mundo. Além dos países que viveram ou ainda vivem sob governos explicitamente comunistas, há tantos outros que, sob bandeiras aparentemente menos extremas, como a da social-democracia, do trabalhismo ou até de democratas, continuam avançando a ideologia de Karl Marx a conquistas cada vez mais amplas.

Como, porém, uma ideologia fundamentada em textos de um pensador medíocre, que errou praticamente todas suas previsões, que cometeu fraude intelectual na apresentação de vários dados que corroboravam suas teses e que criou uma filosofia que é, no máximo, um arremedo materialista do idealismo hegeliano, pôde obter tamanho inserção em boa parte das cabeças deste mundo?

A resposta dada pelo escritor Heraldo Barbuy, em seu livro Marxismo e Religião, é direta: o marxismo se mantém cada vez mais forte simplesmente porque possui aspectos maiores do que ideológicos; é, na verdade, uma verdadeira seita religiosa. Mesmo com os erros de previsão, mesmo com as análises eivadas de incongruências, o marxismo permanece porque o cerne de sua força não está em suas ideias, mas em seu espírito – um espírito de seita.

Como em toda seita, no marxismo a correção lógica, a rigidez filosófica ou a comprovação dos dados oferecidos são, simplesmente, dispensáveis. Se houverem, servirão para corroborar suas teses. Se não existirem, mais importante é a manutenção do fervor religioso e do apego emocional àquilo que é mais do que uma corrente de pensamento, mas uma verdadeira expressão religiosa.

Considerando que Marx, segundo bem demonstra Richard Wurmbrand, no livro Era Karl Marx Satanista?, possui todas as características e ideias de um, no mínimo, apreciador do demônio e, considerando também, que o diabo é um perpétuo imitador das coisas divinas, não é difícil imaginar como o marxismo desenvolveu seus aspectos miméticos, os quais estão contidos nos fundamentos, na cultura e nas ideias que professa.

Há no marxismo, como é comum nas seitas, também seus profetas. No caso da ideologia fundamental do esquerdismo mundial, estes são Marx e Friedrich Engels – amigo e provedor daquele. Eles, como os profetas de qualquer religião, transmitiram sua visões sobre os tempos futuros, apontaram as mazelas do presente e, de alguma maneira, prognosticaram sobre os últimos dias. Se erraram quase tudo que disseram, o que importa? Pelo contrário, o criador da teoria da Dissonância Cognitiva, Leon Festinger, já demonstrara como as seitas se fortalecem exatamente sobre seus erros mais importantes.

Outra imitação diabólica contida no marxismo, e que o caracteriza ainda mais como uma cópia religiosa, está na sua promessa de um paraíso vindouro. À semelhança do céu cristão, o futuro marxista é o tempo quando os males cessarão, a harmonia prevalecerá e os aspectos opressores do tempo presente não mais terão força. Até um certo saudosismo de uma Era de Ouro, nesse caso em uma interpretação tosca do paraíso adâmico, existe nos escritos de Marx, Engels e outros de seus apóstolos. Para eles, também com alguma semelhança com o Reino celeste de Cristo, o futuro paradisíaco comunista será um tempo além da história, quando os aspectos que afetam o presente não mais terão efeito.

Além de possuir sua própria Bíblia – no caso, o livro O Capital, do próprio Marx, o marxismo possui também o seu diabo. Enquanto, para o cristão, o diabo representa aquele que age com o intuito principal de afastar o homem da comunhão e compreensão da verdade divina, no marxismo é o capitalismo e seus burgueses (como Lúcifer e os demônios), aqueles que afastam o homem da verdade. Da mesma maneira que o diabo obscurece o entendimento do homem, para que não perceba sua condição de pecador necessitado de redenção e cura, o proletariado oprimido é alienado pelo capitalista que, por meio de seus métodos, impede que ele perceba o seu estado de alienação e busque a redenção por meio da consciência de sua posição e pela luta contra essa classe opressora.

A imitação parece que foi tão ampla que inclusive as falhas da cristandade se repetem no seio do marxismo. Basta ver como ele progrediu dividindo-se em novas seitas, variações, partidos e dissensões que, a despeito de cindirem, de alguma maneira, a homogeneidade ideológica, mantiveram um núcleo de fé inabalável.

Por isso, torna-se tão difícil convencer um marxista que a ideologia que ele professa é uma fraude. Por mais que se apresente para ele que, por exemplo, previsões como a pauperização ininterrupta do proletariado e o colapso do capitalismo não ocorreram de forma alguma (pelo contrário, os trabalhadores vivem em condições cada vez melhores e o capitalismo apenas experimentou um fortalecimento desde os tempos daqueles dois pensadores alemães), isso não afetará em nada sua crença.

Como escreve o professor Barbuy, “o marxismo não era ciência, e sim religião; indiferente aos fatos que o contradizem, progrediu como fé“. Assim, não resta nada mais senão combatê-lo como heresia, não como ideia.