A comunhão entre o orador e sua audiência

Cansei de ver oradores preparando seus discursos, imaginando causar um grande impacto naqueles que iriam ouvi-los. Confiantes no poder revolucionário dos conteúdos que tinham a apresentar, acreditavam que provocariam uma mudança radical em seus ouvintes. O resultado, porém, quase sempre foi bem diferente do esperado. Invariavelmente, o que aconteceu, nesses casos, foi uma recepção fria à mensagem apresentada, a qual não apenas não resultou em mudança alguma, como chegou até a despertar o desprezo em relação ao orador.

Na verdade, é incrivelmente raro um palestrante conseguir fazer com que, por meio de seu discurso, uma audiência mude seu pensamento. Não digo que não seja possível, mas é algo muito difícil de acontecer. Geralmente, as pessoas não ouvem uma palestra para alterar as ideias que elas têm das coisas. Elas ouvem-na para reforçar as convicções que já possuem.

Aliás, esta é a própria definição de retórica: um discurso que parte das crenças que o público já carrega consigo.

Fica claro, portanto, que quem delimita as fronteiras do que vai ser abordado não é o orador, mas sua audiência. O que há, de fato, é um acordo entre eles, como se fosse um acerto prévio sobre quais são os limites do que deve ser dito e até onde se pode chegar. O que ultrapassa essas fronteiras é considerado uma quebra desse concerto e o orador que comete esse erro acaba causando o inverso da mudança que espera provocar, ou seja, a rejeição ao que ele está apresentando.

Sendo assim, um discurso está longe de ser um espetáculo de um homem só. Trata-se bem mais de uma comunhão, onde há, é verdade, alguém que detém a palavra, mas que não está livre para dizer o que quer, senão para explorar aquilo que se encontra dentro dos limites impostos pelo acerto silencioso que mantém com a audiência que se dispõe a escutá-lo.

Por isso, obtém-se pouco sucesso em uma palestra quando se aposta todas as fichas apenas no material a ser apresentado e não se percebe que o que há entre o orador e a plateia é mais do que a emissão e absorção de uma mensagem. Há, de fato, uma comunidade de espíritos.

O medo de falar em público

A maioria dos nossos temores são monstros fantásticos criados pela nossa própria imaginação

Na primeira aula de meu Curso de Oratória falo sobre o medo e sobre minha constatação de como muitas pessoas perdem oportunidades preciosas na vida por causa dele. Sim, eu conheço pessoas, e talvez seja até o seu caso, leitor, que chegaram a negar determinados cargos, que não aceitaram assumir responsabilidades que as obrigavam falar na frente de várias pessoas ao mesmo tempo, simplesmente porque tiveram medo. Com isso, perderam oportunidades de empregos, de negócios e de contatos que, muitas vezes, eram o sonho da vida delas.

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