Por uma educação elitista

Um sistema educacional que privilegia a inserção e o nivelamento jamais vai produzir gênios.

Quando o mais importante é mostrar que todos podem, quem realmente teria condições de apresentar resultados notáveis acaba se ofuscando em meio ao emaranhado de mediocridades. Quando o máximo esperado é preparado para ser alcançado por muitos, é uma multidão de operários que se está formando. Pior, operários que se acreditam geniais, enganados que foram pelos critérios que lhes foram entregues.

Por isso, temos essa infinidade de técnicos, que abundam por todo lado, e mesmo assim é tão difícil tirar dentre eles alguns poucos que sejam surpreendentes, que se comparem ao que há de melhor no mundo.

Porém, não se enganem, nosso problema não é genético, mas cultural e ideológico.

De alguma maneira, escolhemos ser estúpidos.

Justa homenagem

“Sou contra a retirada do nome de Paulo Freire do posto de patrono da educação brasileira. Na verdade, acho a homenagem justíssima. Isso porque ela coloca sobre o verdadeiro culpado a responsabilidade pelo que se tornou o ensino no Brasil. Eu é que não gostaria de ter meu nome vinculado ao analfabetismo funcional que reina no país”.

Estupradores intelectuais

Quando um professor militante ideológico ensina para as crianças aquilo que ele acredita, inocula nelas uma doença que já se impregnou nele mesmo, que é o ressentimento. Como todo esquerdista vive disso e enxerga o mundo a partir dessa perspectiva, não há como ele não deixar de transmitir isso para seus alunos.

Assim, as crianças aprendem que se algo não está certo na vida delas, a culpa é sempre dos outros. Os pobres o são por causa dos ricos, os filhos estão perdidos por causa dos pais, as pessoas não conseguem obter sucesso por causa do sistema e o país não se desenvolve por conta de seus governantes.

Como todo esquerdista vive da cultura da reclamação, os jovens que são ensinados por eles acabam não sendo estimulados a vencer pelos próprios méritos, mas somente pela força do berro, como bem mostra as invasões ocorridas na escolas da cidade de São Paulo. Também, não são ensinados a sofrer as consequências de seus erros, como pode ser visto no sistema de aprovação automática. Com isto, entendem rapidamente que sempre podem encontrar uma desculpa para seu próprio fracasso.

Por isso, a ocupação de espaços praticada pela militância ideológica nas instituições de ensino é um mal tão grande. Com suas práticas de (des)ensino, estão, na verdade, furtando a chance desses meninos e meninas de vencerem na vida. Essas crianças estão sendo vilipendiadas, tendo seu futuro alijado pela inoculação de uma mentalidade ressentida e derrotista, que só sabe reclamar, reivindicar e fazer bico.

O que esses professores fazem é criminoso. Se aproveitam da inocência e inexperiência de seus alunos, os quais não possuem instrumentos intelectuais para discernir o que é bom ou ruim, e lançam sobre eles o lixo que já transborda de suas próprias almas.

Não tenho nenhum receio de afirmar que docentes que utilizam a cátedra para transmitir conteúdo ideológico para crianças é um violentador. Se estupro, segundo as leis brasileiras, é todo ato libidinoso praticado sem o consentimento da vítima, então não posso deixar de fazer uma analogia tão óbvia: a de que professores militantes são estupradores mentais e pedófilos intelectuais. Quando enfiam sua pornografia ideológica no cérebro dos pequenos, são óbvios violadores inescrupulosos.

Podem até alegar que eles acreditam no que ensinam e entendem que aquilo é o melhor para seus alunos, mas, quando ouço isso, não posso deixar de lembrar o que dizia um conhecido criminoso, pego na cama com uma menina de 6 anos: “eu fiz aquilo por amor”.

Razão e método na pedagogia

Todo bom professor é, de alguma maneira, corrosivo. Sem o intuito de carcomer os vícios que se impregnam na alma discípula, sem querer consumir os empecilhos naturais que atravancam o conhecimento, não se faz verdadeira pedagogia. Esta clama por alguém que não se satisfaz com o que está, mas que possui a ânsia por mexer com o que existe dentro do aprendiz. Há o interesse pela matéria e o amor pelos alunos, mas o que move um verdadeiro mestre é sua paixão pela transformação humana, por ver que o indivíduo não é mais o mesmo depois de sua atuação.

Não acredito, portanto, em pedagogos que são meros mediadores entre os fatos brutos e a mente vazia. Nem que esta pode, por si mesma, desabrochar. Isso é ligar o nada a lugar nenhum. Apenas aprende quem já possui algo em si mesmo. Só compreende quem tem os fundamentos para isso. Se não houver, tudo o que for absorvido se tornará um amontoado de ideias, sem método, sem ordem, sem sentido.

E esses elementos fundamentais não são imanentes. Não que o homem seja uma tábula rasa, mas o que sabe naturalmente é insuficiente para, por si só, concatenar os dados que se lhe apresentam. O estado humano bruto não oferece as condições para que uma cultura tão complexa seja apreendida e entendida.

É preciso, portanto, lançar as bases, preparar o terreno para que se possa edificar a mentalidade capaz de decifrar os significados por detrás da multidão de informações que se lhe apresentam. Este é o papel do professor, esta é sua missão.

Mas isso não se faz apenas pela informação. Não é assim que o ser humano se forma. Uma pedagogia eficiente se dá, de fato, por duas vias, que se completam e se encontram: o professor lançando os alicerces, ao apresentar sua compreensão da realidade, e mostrando o caminho tomado para atingir o seu intento. Tudo, afinal, é uma questão de razão e método e exemplo! Isso é o que basta para estremecer o espírito educando.

Por isso, não acredito em apostilas, em grades curriculares, nem em cadeiras. Não que não tenham alguma utilidade, mas são insuficientes para um ensinamento profundo. Eu apenas acredito no acompanhamento, pelo aluno, de seu mestre. É testemunhando sua atuação, é entendendo como ele faz, é absorvendo sua experiência e conhecimento que se forma, na alma humana, o ambiente propício para uma vida intelectual.

O resto é apenas informação; e isso qualquer pedaço de papel é capaz de fornecer.

Publicado originalmente no Núcleo de Estudos Cristãos

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Professor por vocação

Um professor vocacionado não é apenas alguém que despeja, burocraticamente, um conteúdo pré-determinado. É, de fato, um apaixonado. Mas sua paixão não está necessariamente ligada à matéria tratada e sim à possibilidade de compartilhá-la com seus alunos e fazê-los compreender as profundas razões daquilo que se trata

Há os professores por profissão, que cumprem seus papéis, que são responsáveis, que gostam do que fazem e que até dão boas aulas. O mundo precisa deles. Se a maioria dos profissionais da educação fosse como eles, praticamente todos os problemas na área estariam resolvidos.

Mas existe um grupo mais escasso, representado por poucos dentro do universo da pedagogia, e que não apenas oferece aulas satisfatórias dentro da matéria ministrada, mas torna o conhecimento dela algo altamente desejável.

Estes são os professores por vocação. A qualidade de suas aulas não está relacionada com o contra-cheque que recebem, nem com o nível de satisfação deles com o ambiente acadêmico onde estão inseridos. Sequer ela é afetada pelo seu humor. Isso porque, para um professor de vocação, o momento da ministração da aula é seu momento de redenção. Ali, ainda que temporariamente, seus problemas, seus anseios, suas frustrações e seus medos são deixados de lado, pois o que importa é a verdade transmitida, o assunto tratado.

Um professor vocacionado não é apenas alguém que despeja, burocraticamente, um conteúdo pré-determinado. É, de fato, um apaixonado. Mas sua paixão não está necessariamente ligada à matéria tratada e sim à possibilidade de compartilhá-la com seus alunos e fazê-los compreender as profundas razões daquilo que se trata.

Esse professor se realiza muito mais com o ensino do que com o elogio. Seu maior prazer é ver que aqueles que com ele aprenderam começam a dar seus primeiros passos desacompanhados. A verdadeira alegria de um professor por vocação é observar seus alunos mergulhando ainda mais fundo do que ele. E tal felicidade permanece, ainda que o próprio aluno não reconheça os méritos de seu mestre.

Esterilidade do ensino desapegado da experiência

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Pedófilos intelectuais

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Quando vês uma criança, não enxergas nela a pureza da inocência, nem a simplicidade da infância, mas apenas imaginas o quão útil ela poderá ser à tua causa. Imaginas quando ela for adulta, formada segundo tuas convicções, moldada segundo tua ideologia, defendendo as causas que tu colocaste em sua mente. Tu não vês uma criança apenas em sua realidade presente, mas esforça-te por prepará-la para o mundo futuro, a ser construído segundo teus preceitos.

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