Como combater o politicamente correto

Em um ambiente de normalidade, pessoas normais mantêm um certa polidez no falar, evitando o escândalo desnecessário e moderando suas palavras.

Porém, quando ocorre uma inversão tal na cultura, que o que deveria ser mera urbanidade torna-se uma ditadura, que impõe o que deve e o que não deve ser dito e, pior, protege as piores indecências enquanto condena meras verdades, a afabilidade acaba servindo apenas para fortalecer essa tirania.

Em tempos quando o politicamente correto impõe-se ferozmente, praguejando contra toda e qualquer manifestação que não coadune com seus estreitos limites falso-moralistas, é o momento de abrir mão da civilidade e dizer as coisas da maneira mais crua possível.

Fazer isso não é apenas uma forma de tentar expressar as coisas como são, mas tem o objetivo de enfrentar a falsidade contrária com uma força condizente.

A raiz do mal se combate com o bem, mas quando o mal já está manifestado, só o uso de uma força equivalente pode derrotá-lo.

Os efeitos intelectuais da submissão ao politicamente correto

Photo-7-de-nov-de-2016-1534.jpgUma das maneiras mais eficientes de alguém emburrecer rapidamente é submeter-se aos ditames do politicamente correto. Por isso, quem tiver o interesse de proteger sua inteligência, o primeiro passo é entender que sua subjetividade é muito valorosa para se deixar escravizar pelas ordens vindas de coletividades formadas por pessoas que há muito tempo abriram mão de seus cérebros em favor de uma mente amorfa e simiesca.

O fato é que o politicamente correto impede o desenvolvimento da inteligência. Isso porque ele não permite que o espírito humano se manifeste com espontaneidade, pois impõe, desde fora, as formas predeterminadas de linguagem. E são principalmente os adjetivos que sofrem mais intensa perseguição, criando-se uma verdadeira lista de palavras proibidas, ao mesmo tempo que cria outra com aquelas que devem ser usadas obrigatoriamente, sob pena de repreensões severas. Que em um ambiente assim as pessoas tenham sua capacidade de raciocínio atrofiada não é de se espantar.

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Eles só querem direitos

Preta raraMilitantes, em sua maioria, sequer percebem que o são. Defendem a ideologia por mero senso comum. Apenas repetem aquilo que lhes parece mais acertado, e o certo, que já lhes foi inculcado, são aquelas idéias politicamente corretas que permeiam o imaginário de todos eles. Suas expressões e ações são tão automatizadas que sequer percebem a incoerência do que dizem, ainda que o conflito ocorra em uma frase em sequência da outra.

Este foi o caso de uma moça, que se diz rapper, de codinome Preta Rara, mas que foi por algum tempo empregada doméstica. Hoje, ela faz campanha nas redes sociais, dizendo defender a classe a qual pertencia. Só que, em um programa matinal de televisão, mostrou que o mais importante para ela não é bem defender algo coerente, mas apenas fazer militância cega e burra.

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Ponderação como arma inimiga

Discussões políticasO pensamento politicamente correto impôs, para um lado, a neutralidade como a postura ideal, enquanto para o outro deu total liberdade para agir energicamente e com paixão.

Observe bem como os religiosos e aqueles que não fazem fazem parte da militância ideológica precisam, o tempo todo, maneirar sua linguagem, com o intuito de não ferir suscetibilidades. Precisam parecer ponderados e até frouxos, pois qualquer atitude mais enérgica por parte deles logo é taxada de intolerância. Mesmo diante de atrocidades, como o terrorismo, e de injúrias e calúnias insistentes, o que ouvimos da boca de muitos líderes cristãos, como o papa, é uma manifestação muito tíbia, que evita dar nomes aos bois e que toma todo cuidado para não parecer intolerante. Enquanto isso, basta qualquer religioso dar uma opinião que não se encaixe dentro dos parâmetros politicamente corretos, para ouvir dos militantes todo tipo de impropérios, xingamentos e adjetivações das mais baixas.

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Um assédio juvenil e a sociedade policialesca

Um garoto de vinte anos, estrela da música pop, chamado Biel, que parece ser a sensação atual das adolescentes brasileiras, está sendo duramente perseguido e boicotado porque falou umas grosserias para uma menina que diz ser jornalista. Entre essas grosserias, estão alguns elogios vis e outras baixarias, além do uso da expressão “quebrar no meio”, claramente se referindo ao ato sexual, talvez um tanto mais empolgado que o tradicional.

Dizendo-se assediada, a jornalista prestou queixa em uma delegacia e tal atitude ainda está causando para a jovem celebridade outros transtornos, como o cancelamento de aparições na tv e em eventos patrocinados. Na mídia, em geral, o julgamento em relação ao garoto parece unânime, condenando-o veementemente. E os grupos feministas não perdem a oportunidade de enquadrar tal atitude como assédio, tratando a fala do rapaz criminosa.

Essa, pelo que me parece, é uma reação absurdamente desproporcional ao ato. O que ele disse pode até ser considerado de mau gosto, mas tratar como crime vai muito além do que é devido. Quando grosseria, estupidez, incivilidade e até alguma rudeza são confundidas com assédio, isto já é sinal que atingimos o estado de sociedade policialesca, onde todos denunciam a todos, tornando-se os perseguidores uns dos outros. Além do que, o assédio exige o mínimo de coação, de ameaça. Não pode se basear apenas em expressões mal usadas ou em analogias forçadas. Sem a coação, pode haver tudo, menos crime.

Mas, ao denunciá-lo, os grupos ideológicos apenas seguem seu já conhecido modus operandi. Lançando mão do politicamente correto, vivem de denunciar qualquer atitude que, segundo o entendimento deles, vai de encontro aos seus interesses, taxando-a de ilegal. Para isso, ampliam consideravelmente a definição do que é crime, com o intuito de abarcar toda e qualquer fala ou ação que tenha potencial para, ao ser denunciada, servir de instrumento para a promoção de suas bandeiras.

E isso acaba sendo acolhido por parte da sociedade, pois as pessoas acreditam que ampliar o conceito de crime, atingindo atos que, naturalmente, não são vistos como criminosos, estão fazendo um bem a todos. Acreditam assim que ficarão mais protegidas. O que elas não percebem é que os efeitos disso são terríveis, pois a cada nova lei desnecessária que é imposta, o Estado invade um pouco mais a vida do indivíduo, oprimindo-o.

Mas não chegamos a isso do nada. Na história das sociedades, antes de qualquer ação legislativa, as principais instituições que atuavam para conter os impulsos eram os costumes, a tradição e a moral religiosa. No entanto, estas praticamente perderam seu poder no mundo contemporâneo. O problema é que, quando isso acontece, diferente do que muitos pensam, não é a liberdade que as pessoas encontram no horizonte, mas agentes do estado impondo suas leis e dizendo tudo o que os cidadãos podem ou não podem fazer e dizer.

Quando tudo se torna crime, o governo se torna mais forte, pois a ele pertence a responsabilidade e o poder de repressão. Quando para tudo é preciso lei, ficamos todos subjugados a autoridade do Grande Irmão.