A droga do vitimismo

O vitimismo tem se tornado a droga do nosso tempo. Isso porque as pessoas têm se agarrado a ele como viciados que não podem viver sem experimentar seu poder anestésico e sedutor.

Como todo droga, ser vítima faz a pessoa se sentir viva porque, pela mentalidade dominante, quem não é vítima é como se não tivesse uma história, como se sua existência fosse inútil. Quem não tem uma história, não tem vida. Assim colocar-se como vítima permite que a pessoa sinta-se, de alguma maneira, especial, reconhecida pelos outros e parte de seu mundo.

Isso é viciante, sem dúvida. Afinal, em um mundo onde parece que somos cada vez mais desprezíveis e irrelevantes, encontrar algo que nos faça especiais é irresistível.

O vitimismo também, como toda droga, cria seus grupos sociais. Assim, ele separa aqueles que são reconhecidos como legítimos representantes de seu círculo – os oprimidos – dos párias que, não raramente, são colocados na posição de opressores e automaticamente vistos como inimigos a ser combatidos.

O vitimismo, portanto, tornou-se a droga aceita e estimulada dos nossos dias. Por isso, quem quer ser bem visto, aceito e até louvado logo busca algo que lhe coloque na posição de vítima. Assim, sabe que terá seu lugar reservado junto à hipocrisia de seus pares.

Eles só querem direitos

Preta raraMilitantes, em sua maioria, sequer percebem que o são. Defendem a ideologia por mero senso comum. Apenas repetem aquilo que lhes parece mais acertado, e o certo, que já lhes foi inculcado, são aquelas idéias politicamente corretas que permeiam o imaginário de todos eles. Suas expressões e ações são tão automatizadas que sequer percebem a incoerência do que dizem, ainda que o conflito ocorra em uma frase em sequência da outra.

Este foi o caso de uma moça, que se diz rapper, de codinome Preta Rara, mas que foi por algum tempo empregada doméstica. Hoje, ela faz campanha nas redes sociais, dizendo defender a classe a qual pertencia. Só que, em um programa matinal de televisão, mostrou que o mais importante para ela não é bem defender algo coerente, mas apenas fazer militância cega e burra. Continuar lendo