Teologia e política se misturam, sim

Não são raras as vezes que pessoas religiosas tentam me fazer algum tipo de repreensão, tentando impor aquela velha máxima popular de que religião e política não se misturam. Alguns até aceitam que, em foros próprios, eu fale com tamanha incisividade sobre questões políticas, mas, não raro, acham que quando eu tratar de assuntos teológicos não deveria jamais juntar as duas matérias.

No entanto, apenas diz isso quem não entende nada, nem da natureza da política, nem da teologia. Ignora que ambas acabam sendo reflexo da visão que cada pessoa tem em relação ao mundo e que esta cosmovisão é que acabará determinando qual teologia ele defenderá e com qual vertente política ele mais se identificará.

De qualquer forma, o mais importante entender é que é impossível separar teologia e política pelo simples fato de que uma visão teológica distorcida invariavelmente conduz a uma visão política equivocada. Vide o caso dos adeptos da Teologia da Libertação: por não compreenderem bem a vedadeira missão cristã, acabam se aliando ao movimento político mais anticristão da história, acreditando, muitas vezes sinceramente, que estão cumprindo o verdadeiro Evangelho.

Outro motivo para se analisar política e teologia conjuntamente é o fato de que para entender bem política – e aqui não falo apenas da política partidária cotidiana, mas da mente política e dos movimentos sociais diversos, é importantíssimo ter um claro entendimento da natureza humana, principalmente sob uma perspectiva cristã. Essa compreensão nos permite escapar das ilusões e das utopias, colocando as coisas em seu devido lugar e impedindo, assim, tanto a vinculação aos movimentos ateístas que existem no mundo como a aceitação das teologias substancialmente errôneas que se espalham. Até porque, não se pode desprezar o caráter religioso de muitas ideologias políticas, como expliquei em meu texto Marxismo, uma ideologia religosa.

Na verdade, somente quem possui um sólido conhecimento teológico e uma visão política esclarecida pode identificar os perigos e os erros, tanto na Política, como na Teologia.

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