Uma tática malévola, mas inteligente

A insistência petista em lançar o Lula como candidato à presidência da República parece, à primeira vista, apenas a teimosia de um partido que viu todo o seu poder desmoronar nos últimos anos. As constantes petições judiciais e a ininterrupta narrativa em favor do presidiário como concorrente oficial ao cargo máximo da nação dão a impressão de tratar-se de mera insistência em algo perdido.

No entanto, quem está apenas enxergando desvario nessa tática, na verdade, não está entendendo nada do que está acontecendo.

O PT, de fato, não possui esperança de que seu líder possa oficialmente participar do pleito. O partido sabe que a decisão da justiça é irrevogável e sequer há apelo popular para a libertação do condenado. Seu objetivo é, com efeito, manter, no imaginário da população, a ideia do Lula candidato. Mais ainda, um candidato injustiçado, impossibilitado de participar plenamente da campanha por forças que não querem permitir o seu retorno. Em uma ofensiva que envolve vários meios, o que o partido quer é que o nome de Lula seja mantido o máximo de tempo possível como alguém que está disputando as eleições, a fim de que seus eleitores cativos sejam mantidos fiéis até o mais próximo possível do dia da votação.

O melhor dos mundos, para eles, seria que o rosto de seu candidato aparecesse nas urnas eletrônicas. Porém, como isso será muito difícil, a tentativa é conseguir com que o nome de Lula chegue o mais próximo possível de outubro para que, em cima da hora, o partido posso sinalizar para seus eleitores que, já que eles estão com Lula, e Lula está sendo impedido de concorrer, então que votem em seu Vice, o Fernando Hadadd.

E por que eles não fazem isso já agora? Simplesmente porque, se fosse pedida a transferência de votos neste momento, ficaria muito claro, para a população, que o candidato é Hadadd, e não Lula. E aquele não tem um centésimo do capital político deste para disputar esse pleito.

Portanto, há de se concordar que essa, apesar de malévola, é uma tática bastante inteligente e não deve ser menosprezada por seus adversários.

Um comentário sobre “Uma tática malévola, mas inteligente

  1. “As pessoas escolhem seus candidatos pelas emoções que eles evocam, não por suas propostas, nem por suas carreiras políticas.”
    Trabalho na prefeitura de cidade do interior de Minas. Vi de fato manifestações carregadas de emoções, por parte de funcionários. Um candidato de posições firmes e claras é tido por Hitler, por exemplo. Em 2014, Levi Fidelix assustou uma funcionária após um debate televisivo, evocando nela o medo, tal como evocaria um ditador como o do regime nazista (na época Levy havia afirmado categoricamente que órgão excretor não reproduz, numa polêmica envolvendo a questão LGBT). Aliás, questiono se os debates seriam oportunos ou não, levando em conta este critério de escolha emocional tão comum entre nós. Pois já naquele ano eu notava o quanto de impacto tais debates tinham, sendo eles senão a única, pelo menos a fonte decisiva de informação de boa parte do eleitorado, em sua escolha por um candidato.

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