Velho normal

Não existe novo normal. O ser humano não muda. Suas necessidades, impulsos e tendências permanecem os mesmos. Ele pode até ser obrigado a viver de certa maneira e pode até fingir aceitar isso, mas basta as proibições cessarem para o que é normal, de fato, vir à tona.

Se hoje estão usando máscaras, no dia que não for obrigatório, quase ninguém mais usará. Quanto às aglomerações, está todo mundo como cachorrinho acorrentado, esperando a hora de sair para passear. No dia que liberarem as festas, os shows, os bailes, o futebol, a multidão vai se acotovelar sem medo.

As pessoas têm um impulso por amontoar-se – isto é fato. Eu nunca entendi bem esse gosto por apertarem-se em bares e discotecas, onde mal se consegue conversar e o que predomina é aquele cheiro de suor misturado com cerveja. No entanto, as pessoas se sentem atraídas por ambientes assim, como se esses odores despertassem suas dopaminas.

Quanto ao trabalho remoto, as coisas só irão mudar se as empresas entenderem que isso é mais lucrativo. Se não for, esqueçam.

Além do mais, esse negócio de reunião virtual, festa virtual, sexo virtual – mesmo eu que sempre fui afeito à tecnologia acho uma grande chatice. Os instrumentos podem evoluir, podem aproximar-se da experiência real, mas nunca vão deixar de ser um simulacro, uma imitação.

Nós temos necessidade de realidade e nada pode substituir isso.

Portanto, quem fala em novo normal, simplesmente, não entende nada de seres humanos e, muito menos, do que é realmente normal.


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