Livre-mercado global

O livre-mercado pode ser abordado sob dois aspectos: nacional e global. No primeiro, tudo é muito claro. As empresas estão sob as mesmas regras, com a ressalva de alguns detalhes tributários regionais, e encontram, diante de si, os mesmos obstáculos e incentivos, a mesma liberdade e os mesmos entraves.

Quando, porém, fala-se em mercado global, as categorias certamente não são as mesmas. Considerando o princípio da soberania dos países, as empresas envolvidas nas negociações internacionais, apesar de obedecerem a algumas regras comuns, também estão sujeitas aos sistemas de seus respectivos países, que são obviamente diferentes, variando em seu nível de liberdade econômica.

Fica evidente, com isso, que não existe um livre-mercado, de fato, em nível mundial. O que há é um sistema de negócios que tenta colocar todos os participantes em um mesmo patamar, mas que, invariavelmente, encontra os mais diversos entraves e tratamentos diferenciados nas legislações nacionais.

Nesse contexto, é óbvio que uma empresa localizada em um país onde a liberdade econômica é menor, onde há mais tributos e as regulamentações são mais opressivos ficam em desvantagem, nesse jogo comercial global, em relação àquelas que se encontram em países onde o governo interfere menos em seus negócios

Portanto, chamar de livre-mercado esse jogo onde uns possuem mais vantagens competitivas do que outros, é possível apenas como analogia, não como verdade concreta.

Uma lição das agências de marketing para os analistas sociais

Propaganda de homemMeu entusiasmo com o livre mercado vem da observação de como ele, por uma necessidade prática de ter de respeitar a vontade das pessoas reais (não aquelas idealizadas pelos grupos de interesse, mas as de verdade, que compram e usam dos produtos e serviços disponíveis), acaba identificando, bem antes dos pretensos pensadores, sociólogos e críticos sociais, as verdadeiras demandas da população.

Uma das provas disso é a mais recente onda de produtos para o público masculino que se vê como representante do tipo “macho”. O que tem sido apresentado para esses homens não são mais apenas as cervejas e carrões, mas surgiu a oferta de diversos outros produtos que, antes, sequer se pensava em oferecer para eles. E os mais evidentes e surpreendentes são os de higiene e beleza. O que era antes um reduto de produtos para mulheres, dos quais os homens consumiam apenas por empréstimo, agora possuem aqueles específicos para eles, em uma clara percepção de uma necessidade represada das demandas do mercado. Continuar lendo