Empatia seletiva

Empatia, quando reivindicada em certos casos e esquecida em outros não é empatia, mas hipocrisia. Por isso, quando a exigem em relação afetados pela doença, mas desprezam-na quando se trata das famílias arrasadas por falta de trabalho, eu logo concluo que há algo de errado.

Saúde vem antes da economia, dizem. Porém, o pensamento subjacente a essa afirmação é que economia não importa. Afinal, pensam, economia resume-se a trabalho e dinheiro. Como o primeiro odeiam-no sempre e o segundo quando em mãos alheias, não há motivo para se importar.

O fato é que, na mentalidade geral, o empresário, o prestador de serviços, o comerciante não são dignos de pena. Afinal, são meros capitalistas correndo atrás do vil metal. Que importa, então, se seus meios de subsistência são tolhidos? Talvez, assim até aprendam que existem coisas mais importantes do que o dinheiro.

Na verdade, toda essa insensibilidade em relação aos problemas econômicos tem muito de uma cultura que odeia o empreendedor; que sente até um certo prazer quando vê um deles indo à bancarrota.

Por isso, não me engana esse excesso de empatia por causa da questão sanitária, a ponto de dar de ombros para a ruína econômica do vizinho. Muitas vezes, ela apenas revela um ressentimento que encontrou a circunstância ideal para se manifestar.


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