Juventude efeminada

Quem vê esse bando de moleques efeminados, que parecem multiplicar-se por aí, logo pensa: “é preciso retomar a masculinidade dessa garotada. É preciso fazê-los virar homens”.

Eu entendo essa preocupação. Homens precisam ser homens e o mundo de hoje parece que os odeia. Porém, o receio de estarmos formando uma geração de maricas está levando muita gente a achar que a solução é promover um retorno a uma macheza grosseira e abrutalhada. Dessa maneira, pensam estar resgatando algum tipo de valor ocidental perdido, alguma forma de virtude esquecida.

Não se enganem, porém: os grandes progressos desse mundo não se deram pela força. A civilização ocidental formou-se muito menos pelos músculos de seus homens do que por suas mentes.

É evidente que os homens precisam ser fortes, corajosos, mas isso nada tem a ver com brutalidade tosca e comportamento grotesco.

A força e a coragem são, antes de tudo, virtudes morais, não físicas. E a vida que vivemos atualmente exige muito mais decisões morais do que físicas. Assim, não adianta ser um bronco corajoso. A coragem em um espírito tosco transforma-se facilmente em ignorância virulenta.

Observe bem: os grandes progressos da civilização deram-se pela inteligência. E cada vez mais é por ela que se vive. Atualmente, são as máquinas que provêm a força do trabalho enquanto as armas cuidam da nossa segurança. O que sobra para os músculos? Quase nada.

O que eu vou afirmar aqui vai assustar alguns conservadores, mas é uma verdade constatada: uma comunidade tecnológica e socialmente avançada sempre vai favorecer a manifestação de personalidades menos masculinizadas.

Isso não quer dizer que o afeminamento seja o ideal. Os meninos precisam, sim, aprender a comportar-se como homens. Porém, ser homem é, antes de tudo, ser moralmente forte e corajoso. E para ser forte e corajoso, em um mundo que exige muito mais refinamento e sensibilidade do que força física, é preciso desenvolver a inteligência.

Não que algum aprimoramento físico não seja útil em algum sentido, mas ele não pode ser prioridade onde se precisa tão pouco dele.

A educação que se deve promover é a da inteligência e da vontade. Os jovens precisam ser fortes não apenas para defenderem-se fisicamente, mas para tomarem decisões difíceis e grandes.

É desse tipo de homem que se faz uma sociedade civilizada.

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