O papel do professor

O que os pais esperam da escola é que ela prepare seus filhos para a sobrevivência. A expectativa é de que a escola lhes dê a instrução necessária para enfrentar os desafios impostos pela vida. Os pais querem que seus filhos aprendam a ler, a escrever, a fazer contas, sobre as leis da natureza e sobre a história do mundo onde habitam – pois são esses os instrumentos necessários para viver em sociedade

Porém, do lado dos pedagogos, que são os responsáveis por suprir essa expectativa dos pais, parece que o objetivo é outro. Eles têm a convicção de que seu papel é ensinar os pequeninos a romperem com as tradições. Eles estão certos de que os alunos precisam aprender, principalmente, a serem críticos, a não se conformarem e a quebrarem as amarras das convenções.

Instaura-se, então, um conflito: os pais esperando que seus filhos sejam formados para a vida; os professores querendo deformá-los.

Explico a deformação: os pedagogos não levam em conta que só pode ser crítico quem é conhecedor profundo do objeto a ser criticado. É assim com os críticos de arte e até com os comentaristas de futebol. Porém, é impossível para alunos em idade escolar terem um conhecimento assim sobre a vida. Eles não possuem tempo de existência suficiente para ter absorvido o necessário para compreender o que é a sociedade. O resultado disso, portanto, não poderia ser outro: se são instigados a serem contestadores antes mesmo de entenderem minimamente aquilo que estão contestando, esses meninos e meninas tornam-se meros palpiteiros. E palpiteiros revoltados, que acham que podem julgar o mundo sem saber nem o que o mundo é.

Qual é, então, o papel fundamental do professor? Simples! É um papel absolutamente conservador: reforçar, nos alunos, os valores existentes – valores comuns que são a base da sociedade onde esses mesmos alunos vivem. Ao fazer isso, a escola ensina-os a desnudarem a realidade, instrui-os sobre o funcionamento do mundo e informa-os sobre como se dá os processos da natureza – tudo o que precisam saber para viver no ambiente em que estão.

Isso não significa, de qualquer forma, que esses mesmos alunos não possam se tornar críticos da sociedade. Torná-los críticos, apenas, não deve ser o objetivo principal da escola. Se, depois deles absorverem os elementos necessários para compreender a sociedade e conviver nela, esses jovens acharem necessário e quiserem criticá-la, tudo bem! Aliás, tais críticos são mesmo necessários.

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